sábado, 13 de janeiro de 2018

Como um casal pode conjugar facilmente a vida doméstica com o trabalho: 10 dicas

Está na hora de tirar de novo o pó ao blog. Desta vez são algumas dicas que ao princípio vos vão parecer um perfeito pavor mas se experimentarem vão ver que dá resultado - mesmo para quem é solteiro e muito ocupado.
O que eu mais vejo é artigos a falarem de conjugar a carreira com as tarefas domésticas, sobretudo as relacionadas com as crianças (exemplo: https://www.ucg.org/the-good-news/career-home-and-family-can-women-really-do-it-all). Mas o problema não é elas precisarem de ser feitas - essa é só uma parte do problema maior, que é o de querer fazer tudo em casa como se não trabalhassem (tanto os homens como as mulheres). Pessoal, gente que trabalha não tem tempo para lavar carradas de loiça nem preparar montes de comida caseira todos os dias, mesmo que dividam as tarefas. Na altura em que eu andava a estudar para a licenciatura nem eu tinha, e até mesmo a estudar à distância em alturas de maior dedicação aos estudos isso pode ser difícil (sobretudo se queres apressar um pouco as coisas para te dedicares ou ajudares alguém noutros projectos). Então, foi assim que aprendi a não fazer disso uma prioridade. Sim, ouviram bem. Mas isso só vai funcionar se os dois estiverem na mesma onda e não tiverem filhos. Mais importante do que isso, eu aprendi que nem sempre é necessário ter pilhas de loiça acumuladas: pratos, tigelas e copos de plástico funcionam tão bem quanto os restantes só não devem ir ao micro-ondas se for em alta potência e durante mais de 2 minutos. E quando quiser aquecer no micro-ondas? Aqueça no recipiente onde já estava e depois sirva-se (a não ser que seja uma panela). Devo lembrar que pequenas tupperwares podem ir ao micro-ondas.  Eu pessoalmente não uso copos de plástico, mas se trabalhasse com um horário fixo até tarde, isso provavelmente mudaria. No entanto convém comprar um serviço completo de porcelana caso haja visitas e que possam usar aos fins-de-semana se desejarem, bem como um bom serviço de chá e outro de café. Portanto aqui está a primeira dica:

1. Loiça descartável (de plástico) 


Tal como nem sempre é necessário ter pilhas e pilhas de loiça para lavar a toda a hora, também não é necessário cozinhar a toda a hora. Há quem não goste e há quem adore cozinhar, mas tenha um tempo muito limitado para o fazer. Para ambos serve esta solução: Durante o fim-de-semana, se estiverem em casa, cozinhem refeições caseiras se quiserem e podem ainda congelar alguma coisa para durante a semana, mas nos dias em que trabalham, isso não é necessário, não nos dias de hoje. Usem o vosso micro-ondas e comprem cozinha pre-feita. Hoje em dia já há opções saudáveis e saborosas, com peixe, arroz, vegetais, etc. Lembrem-se de levar ao micro-ondas na embalagem original, pois o uso dos pratos de plástico no microondas tem que ser limitado. Depois deitem para o prato de plástico, e no fim, deitem tudo fora menos os talheres. Dêem uma limpeza superficial à bancada, lavem os talheres e já está! Melhor ainda, ponham as crianças a ajudar a arrumar os talheres - afinal vocês trabalham fora e não têm criada. Podem ainda comprar sopa já feita a baixo preço nos supermercados e aquecê-la e passá-la ou não consoante as preferências. E isto é a segunda dica:


2. Comida de micro-ondas ou congelada do fim-de-semana durante a semana de trabalho. 


3. Existe também uma coisa chamada toalhita de limpeza - há de móveis e multisuperfícies. Parecendo que não, poupa trabalho.


Agora, o pequeno-almoço: Não, não têm que ser vocês a preparar do nada. Está tudo com pressa nem convém perder tempo. Existem snacks saudáveis que dão para crianças e adultos (por exemplo, barras de cereais). Isso pode ser bom para toda a família e um óptimo primeiro pequeno-almoço para as crianças. Dêem-lhes algum dinheiro para comerem na escola a meio da manhã um pequeno-almoço mais completo (e forem pequenas escolas primárias e não tiverem cantina e só houver leite, aí têm que fazer rapidamente uma sandes e pronto, mas pelo menos já não têm que fazer ambos). E aqui fica então a quarta dica:


4. Snacks de compra (ex.: de cereais) para o pequeno almoço. É mais ou menos o mesmo que comer cereais, mas ninguém perde tempo a fazê-los nem suja nada nem gasta loiça descartável e podem ainda ser comidos no carro.


5. Dêem dinheiro aos vossos filhos para comerem um bom lanche na escola - assim não terão muita razão para pedir comida quando chegarem a casa e o máximo que poderão ter que fazer é dar-lhes umas bolachas ou mais umas barritas.


6. Usem o mínimo possível de roupa que se engelhe e tentem usar o máximo possível a lavandaria para passar a ferro as camisas. 


7. Tenham o estendal o mais perto possível de casa, e se possível máquina de secar, embora eu saiba que nem todos nadam em dinheiro. Podem ainda arranjar um cantinho da casa com estendal interior para o inverno. 


8. Limpem a casa ao fim-de-semana, uma vez por semana. Mas que não seja uma prioridade, se nessa semana decidirem ir acampar ou deixar os miúdos com a avó e irem para um hotel de 4 estrelas, não se coíbam por causa da casa.


9. Limpem apenas resíduos óbvios na cozinha durante a semana e verifiquem se há toalhas sujas e se a sanita cheira bem; lavem a roupa consoante é necessário.


10. Jantem fora. Pode não ser nos restaurantes mais caros da cidade, mas jantem fora. Com ou sem os miúdos se os tiverem. É bom que pelo menos 1 vez por semana seja sem.



Para as mulheres que adoram e fazem questão de agradar aos maridos: Se chegarem a casa antes deles, ponham a mesa e ponham-lhe um prato de porcelana, pelo menos de vez em quando. É só um uma vez por dia, diminuindo mesmo assim o trabalho para metade se forem só os dois e 1/3 ou 1/4 se tiverem filhos. Se tiverem filhos dos 7 em diante, ponham-nos a lavar o prato-extra e fica o assunto resolvido. Compensem os vossos maridos no fim-de-semana, cozinhando-lhe uma deliciosa refeição caseira com sobremesa. Podem também tratar das camisas deles para serem passadas numa lavandaria, levando-as lá e trazendo-as para casa a caminho de casa.


É claro que com um bebé, a coisa complica-se. Aconselho a terem uma empregada a tempo inteiro e para quem não pode, bem, salve-se quem puder!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A origem do código genético

   Ao fim de alguns anos resolvi voltar a este tema, pois é um tema que me interessa bastante. Comecei a investigar sobre isto apenas para contradizer os criacionistas, mas depois formou-se um interesse genuíno e eu resolvi revisitar o tema.
    O anticodão de 3 bases do RNAt liga-se ao codão de 3 bases complementares do RNA e, para que se formem proteínas a partir dos aminoácidos, o RNA de transferência liga-se com a ajuda das sintetases a um aminoácido especifico, transportando-o até ao ribossoma onde se encontra o mRNA com o "código" da proteína a ser sintetizada. A explicação de como a afinidade dos aminoácidos para o RNA de transferência seria um achado importante para explicar a origem não apenas do código genético, mas da própria vida. Felizmente os cientistas não disseram simplesmente "Deus fez!" para poderem ir fumar um cigarrinho ao café da esquina descansados e em vez disso deitaram mãos ao trabalho e produziram conhecimento comunicado na forma de um artigo científico sobre esse mesmo assunto - o que acontece é que esta afinidade é espontânea sobre certas condições (plausíveis numa Terra primordial), com poucos aminoácidos e pequenas sequências, com uma tradução muito simples que pode ser semelhante às primeiras. Não demonstrando a sua evolução até hoje, mostra-nos como é plausível ter uma origem terrestre (e, claro, natural), a partir de uma forma mais simples... Tudo isto só foi possível de descobrir porque ninguém exclamou "Deus fez" e deixou tudo como estava. É esta a diferença entre a religião (que quer uma explicação fácil mas que provavelmente está errada) e a ciência (em que se produz conhecimento e se tenta dar explicações adequadas, baseadas em evidências).

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Zombies da vida real: será que a consciência emerge da actividade cerebral?

   A ciência sugere fortemente que sim. Neste texto será analisado o caso da síndrome de cotard. Para já a síndrome de cotard é caracterizada pela crença da pessoa de que está de facto morta. 
   Ao olharem para o metabolismo cerebral os cientistas verificaram que em média este estava mais de 20% mais baixo do que o normal num paciente com a síndrome de cotard que afirmava não ter cérebro, sendo também mais baixo que na depressão major. Algumas das regiões cerebrais afectadas incluíam as consideradas responsáveis pelo reconhecimento do "eu". Isto é o mais perto que encontramos de um zombie na vida real, excepto que estes dão-se como mortos. Este caso encaixa e até certo ponto apoia a noção de que a consciência emerge da actividade cerebral e não de qualquer força sobrenatural/divina ou de uma alma humana, pois o paciente não está a agir de uma forma plenamente consciente, pensando mesmo que está morto e que não tem cérebro. Isto é o contrário daquilo em que os católicos e demais cristãos gostam de acreditar de modo a sentirem-se especiais relativamente às outras espécies animais. 

P.S.: Este texto provavelmente terá uma parte II num futuro mais ou menos próximo

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Alterações climáticas: aquecimento global e consequências para Portugal

Como já devem saber pelas notícias Portugal é um dos países mais afectadas pelo aquecimento global. Na realidade os fogos florestais e ondas de calor fora de época são um indício disso mesmo, bem como este sol intenso e teimoso que não se quer esconder nem por nada...
Uma das minhas observações no ano lectivo que passou foi que os golfinhos já são visíveis sem necessidade de barco na baía de lagos... Mas será que os golfinhos não andam em águas mais frias? Sim, mas a água esfria devido ao desagregar do gelo da Antártida, que é devido ao aquecimento global. Mais ainda, 2016 foi o ano mais quente registrado pela Nasa, a agência espacial americana, e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), quebrando a marca de 2015, que já tinha superado a marca de 2014. Abaixo mostro um gráfico com a variação da temperatura ao longo dos anos:



P.S.: Seria interessante começarem a estudar o seu efeito, por exemplo, na evolução dos golfinhos

domingo, 25 de junho de 2017

Uma viagem até ao meu ateísmo - Autobiografia (em inglês, mas nada de complicado)

As a starter I was, probably like most of you atheists and other free thinkers, baptized, but not because my parents were religious, but  because a friend of my mother convinced her it would look bad not to do it in such a small and devout town. And she was right, and I know it from experience, because there were rumors that two new kids in town weren’t baptized and people already disliked them for that and for their mother not being married in a church ceremony (in fact at that time, my parents had a church wedding in secret because they were afraid people would find out they weren’t even married by the church and they and my mom’s friend had convinced the priest to baptize me without even being married). So, yeah, I come from a very religious small town, and even my mother and I attended church for little more than a year there because her friend asked her to help her with sunday school and to organize a very important religious event when she was sick, so my mom had to be integrated because it involved more people. But my own family wasn’t very religious - my father was an atheist and my mother was spiritual but wasn’t religious at all for most of my childhood and adolescence, and also for most of it we didn’t attend church except sporadically on christmas because my mom liked the tradition (now she doesn’t even do that). So this is my experience with church: about an year of stupidity, and a few more sporadic events (weddings, christmas, etc.). As for me, I never had a strong belief in god or Jesus as the son of god and his resurrection (I think the correct term to use here would be agnostic), and didn’t even think about it much until I was about 10 years old. We also didn’t discuss this topics at home much. Then, one day I woke up and was sure of my disbelief - after reflecting on it for a while of course. As I grew up I realized I was an “atheist”, and that happened when I was 11 or 12 years old. I didn’t have much trouble with coming out as an atheist, although my parents, especially my mother, wanted to make sure I knew what I was talking about when I criticized religion. The questions they asked me, as I was seeking an answer, made me grow more into my atheism, and become a more informed atheist. Later I learned that my dad was an atheist too (although I knew he wasn’t religious already), but not my mother (the best term here is “pantheist”), although she wasn’t religious either… Later, when I was starting high school I considered strong atheism for a while, then I identified as an agnostic atheist (between 5 and 6 in the dawkins scale that goes up to 7) towards the end and when I started college (in a different program than the one I am enrolled now and I’m gonna end up majoring in). Then, I was a militant atheist for a while, although still an agnostic atheist. I’ve written many texts about atheism and related topics like evolutionary science and creationism - yes, including addressing claims that stated evolution doesn’t bring information into the genome, therefore god must have done it, which isn’t true because there are mechanisms that do bring information into the gnome, including gene duplication. I’ve written these texts in my blogspot blogs and google page [which aren’t in english so, I won’t bother to link to these pages], on tumblr in my previous blogs about atheism and even in this last blog. I also wrote about the relationship between mental health and religion (and found religion didn’t always had positive effects), as well as about the relationship between cognitive functioning and cognitive abilities and atheism/ religion, including posts in which I stated studies found a positive correlation between atheism and IQ of 0.6, as well as posts where I based my text on a study that found atheists think more rationally and have what is called a “rational brain”, and stated religious people were more on the emotional side. I’ve also exposed the genetic and environmental influences on religion, spirituality and atheism - tendency to believe is genetic, but religion has to do with culture and upbringing. So I’ve done my part on discussing the topic from an intellectual perspective, and now I’m probably one of the most laid back atheists in the entire world and now I mostly joke about it while stating some truths, and use my knowledge on the topics of atheism and related from time to time.
I’m in my senior year of college and I’m a psychology major with some professional training in clinical psychology and neuropsychology, and I would say I’m now a somewhat mature and adult atheist that is getting tired of refuting the same old tired religious arguments - including arguments about mental health and religion, and including creationist arguments. But there’s one thing I won’t tolerate and that is intellectual fraud - asserting you’re something you’re not just to look cool and intellectually credible - such as people saying they’re deists when they’re in fact theists (and possibly christian theists) and that they’re moderates when they’re fanatics… But then their actions won’t be in accordance with their words and if you’re that person, you’ll be discovered quickly. 
So this was my journey into my atheism, I hope I managed to be enlightening.

Shared in the  Atheist Republic forum with the following update:

P.S.: When this was written I was in my senior yer, but now I'm studying forensic science (biology and chemistry branch) for a post-graduate diploma  

Endereço da publicação: http://www.atheistrepublic.com/forums/atheist-hub/what-your-story-being-atheist?page=4#comment-85077  

(Nota: Não tive nem tenho muito tempo ou disponibilidade para traduzir isto porque é um texto bastante extenso.)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sobre um suposto Jesus histórico:


Enfim é preciso "esticar" muito o conceito de personagem histórica, considerando que não havia milagres, não nasceu de uma virgem, e possivelmente (de acordo com evidências arqueológicas) a personagem na qual se basearam era casada e tinha um filho, tendo vida sexual e amorosa como qualquer outro homem. Há também partes integrantes de outros mitos. Pode nem sequer ter morrido na cruz - os romanos crucificavam pelos pulsos, mas eram atados, e os judeus tinham o hábito de apedrejar quem queriam ver morto, ou de quem se queriam vingar... Sim, por essa época houve um homem "revolucionário" chamado Jesus (penso que nisso os historiadores concordam. Mas daí até ter todos os atributos e ter realizado todos aqueles milagres, ressuscitado, ou mesmo morrido na cruz, não ter mulher e filhos (o que era bastante incomum na sociedade da época), etc. vai um passo gigantesco.
A lógica é simples: é uma lenda - parte verdade parte mentira. A parte sobrenatural e mais uns quantos pormenores são mentiras, provavelmente.
Quando me falam em Jesus histórico eu penso na pessoa ou pessoas (um que foi apontado como possível base para a personagem de Jesus até era egípcio) em que as pessoas que escreveram a Bíblia se basearam mas depois eu penso... fará muito sentido falar num "Jesus histórico" num contexto cristão, bíblico? Bem muito sentido não faz, e é preciso dar "um grande esticão" ao conceito, mas, quem é que os impede?