sexta-feira, 30 de novembro de 2018


Dei aqui um salto para relembrar:

Algumas versões do deus cristão (o deus dos criacionistas) são demonstradas falsas pela ciência e a acção de deus na criação seja de que maneira for é demonstrada redundante/desnecessária pela ciência.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Mais da minha opinião sobre o GBU

É para mim incrível que pessoas que têm biologia na faculdade - até no curso de psicologia isso acontece como parte integrante do programa de estudos - existam pessoas que queiram ser cristãs evangélicas - não esquecer que são dos mais fundamentalistas. Eu não sei o quão fundamentalistas eles são, mas a verdade é que parece que vivem para aquilo. Passam a vida em encontros e a pregarem tanto na internet como na vida real. Os temas de debate costumam ser fraquinhos  - por exemplo aquele debate do GBU sobre o problema do mal. São definitivamente um grupo à parte dos outros alunos. As suas páginas de facebook estão cheias de coisas sobre o grupo e Jesus e... bom, fé e religião, enquanto que no típico católico vê-se isso uma vez por outra. Eu não posso chegar ali e dizer a um crente para deixar de ser crente, apenas posso dar a minha opinião de que este grupo é de excessos em relação à manifestação das suas crenças religiosas e provavelmente à (super)importância que lhe atribuem. Seria até chocante se tivessem tido apenas aulas de biologia no secundário. Eles não vêem que a fundação dessa religião é uma treta completa com cobras falantes e pessoas expulsas de um jardim mágico só porque comeram um fruto... E se for uma metáfora, então onde está o sacrifício de Cristo? Ufff. Cristãos. Ás vezes não pensam. 

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Tretas dos Cristãos: Grupo Bíblico Universitário - GBU

Aqui fica o megapost de que falei sobre todas as tretas dos cristãos evangélicos que foram surgindo no facebook:


1- Há uns tempos no facebook, uma colega minha da Universidade do Algarve dos meus tempos de licenciatura que é cristã evangélica (no entanto dávamos-nos bem) publicou sobre uma conversa entre religiosos e não religiosos sobre Se a verdade interessa - evento chamado cristopresso. Fui convidada, mas não é algo que compense as despesas na minha opinião. Sinceramente, o ateísmo tem melhores argumentos que esse, que não é da minha preferência. Mas havia ainda outro tópico, pois estávamos na época da Páscoa. E... bem o dia de Páscoa calhou no dia das mentiras, o que os levou a construir uma dualidade entre a mentira e sua veneração e a "Verdade" de Jesus (ou Deus) de uma perspectiva cristã. Gargalhadas pela coincidência acertada à parte, originalmente era uma festa judia que não tinha nada a ver com ressurreição e os pagãos comemoravam também os feriados nestas datas. A Páscoa é comemorada nesta data por causa das antigas festas pagãs para facilitar a transição para o cristianismo. Claro que não tinha eu como não indagar se iam discutir a tradição pagã do coelho e dos ovos da Páscoa também? E esta coisa da "Verdade" é complicada... e as evidências históricas credíveis de que alguém ressuscitou assim por milagre? Na altura as pessoas nem sabiam ver bem se o doente estava morto ou não! Há ainda outras ressurreições mencionadas na Bíblia, por isso isto nem é nada de novo para aquela época, talvez por esse motivo.

2- Ao princípio não li na íntegra um artigo que ela tinha partilhado acerca do cristianismo ser só uma muleta. No entanto, deu para perceber a ideia geral. No entanto, agora que li mais um pouco, parece-me que o próprio texto parece dar um tiro no próprio pé quando diz: «De facto, nada é tão eficaz como a fé cristã genuína para ajudar o homem a lidar de forma saudável com o sofrimento, dando-lhe um caminho para ser livre de todas as suas muletas psicológicas.» - O que é isto se não uma "muleta", uma "droga" de eleição? Algumas pessoas que são cristãs ou pelo menos acreditam em Deus dizem que isso ajuda nos maus momentos. - O que chamas a isso? E a história de que muletas não dão saúde não é bem assim. Vão lá perguntar se um doente com ansiedade e insónia não se sente muito melhor (e o sono contribui para a saúde do cérebro e em geral) com comprimidos. Isso é também é uma muleta isso não é tratamento definitivo e mal deixas os comprimidos cais outra vez. Mais ainda também já vi outros estudos e comentários de autores que apontam para que essa associação da fé com a saúde tenha mais a ver com coisas como o sentido de comunidade do que com a fé religiosa em si. Claro que a colega teimou comigo, mas é apenas uma muleta que vem substituir as outras - assim é também uma muleta, mas uma diferente, escolhida por um grupo de pessoas. Aí a minha colega afirma: «Quando falas que o cristianismo é uma muleta contra o medo, não vejo onde te baseias para o dizeres.» - No próprio artigo em questão. Além desta questão, O GBU no Porto, Coimbra e Lisboa, vai promover debates entre cristãos e ateus sobre a questão de Deus permitir o mal e o sofrimento também. Há melhores argumentos da parte dos ateus, embora Esta pergunta até seja pertinente,existem outras mais interessantes, o que me fez recusar uma ida ao Porto em Março.


3 - De acordo com #GBU (https://www.informamais.pt/cristaos-e-ateus-em-debate-na-universidade/) cristandade é muito importante na vida universitária... Ok basta olhar para o que se passou na bênção das pastas que se está secularizando cada vez mais, tendo o padre relativamente pouco tempo de antena e muito pouca aderência às partes que constituíam a parte religiosa da cerimónia e mesmo o consumo de álcool antes e durante a cerimónia. Talvez eles se identifiquem como católicos por una questão de cultura e porque acreditam em num poder superior, mas as minhas observações no terreno o ano passado (2017) foi exactamente o contrário. Não importante para mais ninguém excepto os cristãos evangélicos e de importância moderada para alguns católicos (também segundo a minha observação no terreno do dia da bênção das pastas)

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Um update na minha opinião e posição sobre o aborto

Ainda a favor de não criminalizar o aborto, mas por diferentes razões (eu já tinha pensado sobre elas, no entanto) - sim, um embrião não é um ser humano completo, mas ainda é um ser humano num certo estágio de desenvolvimento inicial. A favor de não criminalizar o aborto por questões de saúde pública e uma lei difícil/ virtualmente impossível de obrigar as pessoas a cumprir. 

sábado, 3 de fevereiro de 2018

O contributo da psicologia para o ateísmo: Deus, a grande projecção

    Sim, é verdade, todo e qualquer deus é uma projecção. Desde que sou estudante de psicologia que tenho esta opinião.
    Fiz agora uma pequena revisão de um artigo sobre esse mesmo tópico (God - The great projection, publicado no Atheist Republic). Este é o excerto que considero mais importante:

«Psychological Projection

Psychological projection, as it is popularly known, refers to the projection of personal attributes or qualities onto people and our surrounding environments. To give you a basic idea of this psychological phenomenon, an angry person may erroneously accuse another of being angry, or a rude person may falsely charge another with being rude. These are very simplistic examples, but prior to Freud’s formalization of psychological projection, the ancient Greek writer, Xenophanes (570 ~ 475 BCE) described the kind of projection relevant to this post. In his words:

“…the gods of the Ethiopians were inevitably black with flat noses while those of the Thracians were blond with blue eyes. ” (3)

This kind of observation was later reflected in the words of a famous Socratic philosopher, Aristotle, who remarked:

“Men create gods after their own image, not only with regard to their form, but with regard to their mode of life.”(4)

It wasn’t until the nineteenth century that this form of projection would be formalized into a systematic critique of all religion by the Hegelian philosopher and humanist, Ludwig Feuerbach. In his ‘Essence of Christianity,’ he remarked:

“…the object of any subject is nothing else than the subject's own nature taken objectively. Such as are a man's thoughts and dispositions, such is his God; so much worth as a man has, so much and no more has his God. Consciousness of God is self-consciousness, knowledge of God is self-knowledge. By his God thou knowest the man, and by the man his God.”(5)

Donate to Atheist Republic
As sentient and social beings, we are great projectors. We project onto our loved ones, onto celebrities and politicians and also onto inanimate and, as noted by Feuerbach and our two ancient Greek witnesses, onto non-existent beings. Most of what we think we know about anyone is but a pale reflection of the reality of that person, a shadow reflected upon our cave walls, as Plato might have put it. A large portion of what we believe we know about someone is merely a projection of our own internal model of that person, an edited reality constructed by a series of neurological and psychological mechanisms. The same, as noted, is true of the gods and here we arrive not only at the link between pareidolia and psychological projection, but the psychological basis for intelligent design theory.

As far as I am aware, there has not been a single paper published from a single proponent of intelligent design, that argues for the existence of a creator who created the world on the back of a tortoise, or a creator who, like Marduk of ancient Babylonian myth, slayed the angry goddess and split her body in half, creating the heavens and the earth, with her dissected carcass. No, most, if not all of the proponents of intelligent design, argue for the biblical version of creation, the familiar model of reality present within their own culture, their own religion and most revealingly, their own minds. Their scientific theory is merely the subjective projection of an egocentric religious worldview relative to the proponent’s own religion. Being this is the case, we cannot help but conclude that intelligent design, and the creator they seek to drag from the depths of un-falsifiable superstition and assemble in a noise of otherwise random data or lack thereof, is a very expensive grilled cheese sandwich, a great projection.

References:

Leonard Zuzne & Warren H. Jones. ‘Anomalistic Psychology: A Study of Magical Thinking.’ Lawrence Erlbaum Associates, Inc., (1989). p. 77.
Steven Novella M.D. Your Deceptive Mind: A Scientific Guide to Critical Thinking Skills. The Teaching Company, (2012). Lecture 5: Pattern Recognition—Seeing What’s Not There.
Arthur Fairbanks. ‘The First Philosophers of Greece: Xenophanes – Fragments and Commentary.’ K. Paul, Trench, Trubner, (1898). p. 79.
Aristotle. Politics. (Trans. Benjamin Jowett). Oxford at Clarendon Press, (1916). p. 28.
Ludwig Feuerbach. ‘Essence of Christianity,’ 2nd Ed. Calvin Blanchard, (1857). pp. 32-33.»

O meu comentário: I finished my degree in psychology in 2017 and I've been thinking the same. That's also the reason why they feel attacked like it was personal when they criticize theoir beliefs - It's the same when people hold on to their pets (usually to dogs) and then get mad or annoyed when other people do not like them, compliment them or simply won't put up whith everything they do.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Crises de identidade: como ultrapassá-las e evitar recorrências

    O psicólogo Erik Erikson cunhou o termo "crise de identidade", afirmando que durante a adolescência, há uma luta para que a pessoa se torne mais independente dos seus pais e para formar as suas próprias identidades. Hoje, o termo "crise de identidade" é usado para descrever qualquer pessoa que se encontra a lutar para encontrar a sua identidade, isto é, o conceito foi estendido por outros psicólogos aos adultos. 
    Pessoas sem qualquer diagnóstico de doença mental podem ter crises de identidade na idade adulta, no entanto existem certas doenças mentais que podem facilitar a sua ocorrência e recorrência, tais como a perturbação bipolar e as perturbações de personalidade, sobretudo a perturbação de personalidade borderline; psicopatas, um caso extremo da perturbação antissocial da personalidade, com traços narcísicos, geralmente têm uma tremenda dificuldade em criar uma identidade própria. Possivelmente neste último caso, como é um caso extremo, estes exercícios podem não ajudar em muito. No entanto, aqui ficam eles para todos os que se encontram nesta situação (deixarei em baixo os resultados dos meus exercícios para terem uma noção do que poderá ser incluído em cada um deles): 

Exercício 1: 

    Por tópicos descrevam-se a si próprios, englobando tudo o que acham que vos distingue, baseando-se no vosso discernimento, bem como na maneira como os outros vos apresentam. 

Exemplo - os meus resultados:

- Sou suficientemente inteligente para me licenciar em psicologia sem grandes dificuldades

 - Tenho formação académica superior em mais do que uma área científica

- Sou estudante de pós-graduação em ciências forenses

- Sou criativa

- Não acredito em deus(es) – sou ateia

- Gosto de neuropsicologia

- Sou considerada atraente (embora isso dependa dos gostos de quem olha)

- Tenho gosto pela investigação científica.

- Não sou muito alta -  tenho uma estatura média-baixa

- Da última vez que me pesei não acusava excesso de peso.

- Não gosto muito de fazer exercício (quando faço é exercício físico leve).

- Gosto de escrever no meu blog, mas já gostei mais.

- Preciso muito de reconhecimento pelos meus méritos académicos.

- Sou pouco empática.

- As outras pessoas têm que fazer por merecer o meu respeito.


Exercício 2: 

    Elaborem uma versão curta, baseado na maneira como os apresentam às pessoas.

Exemplo - os meus resultados:  

Licenciada em psicologia, estudante de pós-graduação em ciências forenses, inteligente.  

Exercício 3: 

    Considerando ambas as descrições resultantes dos exercícios 1 e 2, provavelmente notaram que existiam alguns tópicos ou características que têm grande risco de serem temporárias e que algumas dessas baseiam-se em situações externas - por exemplo, ser bonito(a) ou atraente, ser jovem, ser estudante de licenciatura ou pós-graduação, ser médico ou advogado, ter um Mercedes, etc. Esses todos podem desaparecer num abrir e fechar de olhos. A idade, uma doença ou um acidente podem alterar a aparência física, o Mercedes pode ser perdido num acidente de viação e com o tempo pode tornar-se menos valorizado. Um emprego pode acabar, um ciclo de estudos igualmente acabará algum dia, e até uma família pode acabar, bem como certos gostos mudarem. Para evitar futuras crises de identidade devemos pensar nas características que não são temporárias ou têm menos probabilidade de o ser. 

Exemplo - os meus resultados:  

    Características que não são temporárias ou têm menos probabilidade de o ser:

- Sou suficientemente inteligente para me licenciar em psicologia sem grandes dificuldades

- Tenho formação académica superior em mais do que uma área científica

- Sou criativa

- Não sou muito alta -  tenho uma estatura média-baixa

- Preciso muito de reconhecimento pelos meus méritos académicos.

- Sou pouco empática

- As outras pessoas têm que fazer por merecer o meu respeito

- Sou ateia 

Exercício 4: 

    Agora, coloquem por ordem de importância (de acordo com a vossa opinião) as características que sobraram no exercício 3.

Exemplo - os meus resultados:  

    Por ordem de importância:

- Sou suficientemente inteligente para me licenciar em psicologia sem grandes dificuldades

 - Tenho formação académica superior em mais do que uma área científica

- Sou criativa

- Sou ateia

- Preciso muito de reconhecimento pelos meus méritos académicos.

- Sou pouco empática. 

- As outras pessoas têm que fazer por merecer o meu respeito

- Não sou muito alta - tenho uma estatura média-baixa

P.S.: Esqueci-me de uma: sou crítica, daí deriva o meu ateísmo. 


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

"Supernanny" - revisão do 1º episódio de uma perspectiva psicológica & comportamental

    Sendo licenciada em psicologia, resolvi não apenas reagir com pequenos textos nas redes sociais (facebook e google+), mas deixar a minha revisão do primeiro episódio aqui no blog, que anda a ficar menos poeirento e com menos teias de aranha ultimamente. 
    Não vou alargar-me em demasia, mas queria deixar alguns comentários. Primeiro que tudo os aspectos positivos da intervenção da psicóloga e mediadora familiar (a "supernanny"): as estratégias de recompensa e punição (leve) são boas estratégias já investigadas provenientes da vertente comportamental da psicologia. Discordo porém em alguns pontos do discurso da mesma - por exemplo - por exemplo que levar 1 ou 2 palmadas humilha a criança, pois, além de ser bastante subjectivo (exemplo ilustrativo neste link), pode não ser sequer aplicável ao caso da Margarida aqui exposto.
    Não me pareceu que foi isso que aconteceu quando a mãe lhe deu duas palmadinhas na mão - ela a seguir amainou com a birra e foi directamente para o colo da mãe. Ela tem razão no aspecto em que a palmada é uma solução temporária e a criança não interioriza regras, daí eu concordar com ela e achar que não é das melhores práticas, no entanto é extremamente difícil parar uma birra como a desta menina do 1º episódio, e por isso compreensível o seu uso. 
É de salientar ainda que o DSM-5 não considera abusivo o acto de dar palmada na mão ou no rabo (enfim, são sítios em que não magoe praticamente se for com pouca força), e que uma palmada na mão ou mesmo no rabiosque desde que se conservem as roupas para não correr o risco de humilhar/ envergonhar (especialmente se aplicadas pelo sexo oposto) e que não seja com força não é proibitivo, mas deve ser evitado ao máximo, sendo apenas usado para parar uma birra muito grande como último recurso e não por tudo e por nada, não fazendo disso um hábito. Devem ser ainda descobertas estratégias que sejam mais definitivas - que levem a uma interiorização, como as expostas neste primeiro episódio da série - baseadas no que nos diz a ciência comportamental. 
    Concordo que a mãe tem algumas falhas, que por vezes não sabe lidar com as situações de conflito, de desafio à autoridade geradas pela filha, no entanto é de salientar que o temperamento da própria criança é bastante difícil para alguém sem formação específica, e pela evidência anedótica que tenho observado penso que poucas mães estejam equipadas para lidar com ela.

P.S.: Provavelmente não continuarei a acompanhar a série.