terça-feira, 28 de maio de 2024

Esquizofrenia e inteligência: desconstruindo o equivoco do esquizofrénico burro (e do génio esquizofrénico)

Escrevo este post para desmistificar a ideia de que os esquizofrénicos nascem burros ou têm uma inteligência considerada abaixo da média, que até eu sem querer posso ter ajudado a perpetuar neste post  - na realidade um estudo revelou que, apesar de, em geral, terem uma tendência para terem um QI menos elevado, o grupo com as capacidades preservadas (nível pré-mórbido de funcionamento) permaneceu dentro do desvio padrão, ou seja, apresentou um QI dentro do nível médio, bem como os denominados pacientes deteriorados, embora estes últimos apresentassem outros comprometimentos cognitivos. Já os denominados comprometidos tinham também o QI afetado, mas estes são uma minoria de 26%. Portanto, não olhem para eles como se fossem atrasados nem nada disso, e se eles têm um QI baixo, isso deve-se aos efeitos da doença e é recuperável até certo ponto. Quanto à genialidade que se vê nos filmes, alguns deles podem ser de fato geniais, mas não é tendência geral. Há sim, como referi no post supracitado, um grupo específico com QI muito elevado e resistente à deterioração cognitiva provocada pela doença. 


Link para o estudo: Wells et al, 2015

domingo, 14 de janeiro de 2024

As origens do universo

 




Esta proposta, de que o universo começou do nada, isto é, de pequenas partículas que começam e deixam de existir naquilo que se pensava ser espaço vazio (ser "nada"), é interessante, mas há outras também interessantes, como se vê no início do vídeo - a de que o Universo é o resultado de um fenómeno cíclico de universos que vão começando/acabando através de vários big bangs consecutivos, ou a de que é o resultado da colisão de dois universos que sempre existiram. Há ainda a teoria do multiverso para lidar com a dita improbabilidade do nosso universo ser como é. 


Evolução dos peixes do Deserto e a improbabilidade de Deus

https://fb.watch/pzAW4qwOJA/ - Nos desertos da vida, deixe a resiliência e a adaptabilidade serem sua bússola. Navegue pelas adversidades como um peixe do deserto, encontrando caminhos únicos para prosperar. (Vídeo sobre a evolução dos "peixes do deserto").

 «Enquanto os criacionistas se regozijam por terem sido criados, tal como são hoje, num jardim encantado, ao qual chamam de jardim de éden, este peixe prova a todos os viventes que a fé cega e não deixa ver a realidade irrefutável, já que todos os viventes evoluíram e não se criaram como são hoje. No caso deste peixe e seus antepassados, uma transformação ambiental geológica fez com que nessa região a areia dividisse a água onde viviam seus antepassados primitivos. Alguns desses peixes corajosos fizeram-se à vida em vez de ficarem rezando para a sua própria imaginação. Hoje, temos alguns exemplares desse peixe que aprendeu a viver na areia e na água. Estes peixes vivem na terra e no mar, mas todos os mamíferos que hoje vivem no mar já viveram durante milhões de anos na terra, tal como esse. Lembrava baleias e todos os outros mamíferos. Seria bom que os mais controlados pela sua fé tivessem em conta essas proezas reais ao longo da história do nosso planeta Terra.»

Texto de Celestino Silva

    Deixo aqui apenas um breve comentário: A verdade é que muitos dos processos necessários à evolução e propostos pela teoria da evolução são observados na natureza atualmente (em maior ou menor escala), o que realmente não se observam são deuses a criarem seres vivos e planetas, etc. Não vivemos num mundo comandado por deuses - basta olhar à nossa volta e verificar que mesmo quando falta explicação, nada parece apontar para a intervenção divina na natureza. A Natureza, ao contrário do que muitos pensam é caótica - a tal informação de que tanto falam os criacionistas, avaliando as coisas friamente vem do caos (com alguns ajustes da seleção natural, a qual é em si produto do caos também).

   Se, no fundo, algo com muita informação é apenas algo pouco provável de existir, então uma série de mutações neutras que acabam por acumular podem produzir bastante informação se dermos tempo suficiente e considerarmos todo um genoma, toda uma população, durante várias gerações (e acrescentarmos a ação da seleção natural). Uma duna de areia tem muita informação e veio de onde? De processos de erosão e deposição eólica, fundamentalmente. Caos. 

    Não digo que não existam a chamadas "leis" da física, mas de novo analisando friamente, isso é apenas como nós humanos as batizamos... tal como o código genético que os criacionistas tanto gostam (ou pelo menos gostavam) de dar como exemplo de "prova de que fomos criados". São (falivelmente) descritivos do que acontece na natureza quer em termos físicos quer em termos bioquímicos, respetivamente. Não são prescritivos. 

Adenda: As leis de Newton possuem limites Caso a velocidade do objeto analisado seja muito próxima ou igual à velocidade da luz, as leis de Newton perderão a sua validade e deverão ser substituídas pela aplicação das propostas relativísticas de Einstein.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Micologia - sintomas físicos e psicológicos

Noutro dia surgiu-me a seguinte questão: Que sintomas causam as infeções fúngicas (por contaminação respiratória, contacto com a pele, etc.)? Eu já sabia que alguns causavam sintomas psiquiátricos e neurológicos, mas não sabia que até os bolores negros (ex.: Aspergillus spp. e Stachybotrys chartarum), bastante comuns em casas e por vezes até em carros, eram causadores desses sintomas, tais como: insónia, perda de memória, confusão, problemas motores, falta de concentração, fadiga, depressão e alterações mentais em geral, ansiedade extrema, desregulação emocional (raiva ou medo irracional). Já os sintomas físicos possíveis incluem: infeção respiratória, desenvolvimento de asma/ alergias, dores de cabeça, vómitos, diarreia, dormência, entre outros. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Sobre Perturbação Bipolar, Perturbação Esquizoafetiva, Esquizofrenia e valores de QI

 

Perturbação Bipolar – A P. bipolar com características predominantemente maníacas está associada a um QI total e verbal superior na infância (8 anos), e os genes associados a uma predisposição para QI elevado são os mesmos associados a um maior risco de doença bipolar. Estes factos em conjunto com várias observações de “génios” criativos com doença bipolar levam-me a crer que de um modo geral a doença bipolar está associada à inteligência - incluindo a inteligência criativa. No entanto é observada deterioração cognitiva neste aspeto, pois os episódios podem danificar o cérebro.

Perturbação Esquizoafetiva – De um modo geral, existe uma deterioração do valor geral do QI em 44% da população em pelo menos 10 pontos (partindo do nível pré-mórbido), mas 31% da população mantém um QI estável entre o normal e o superior. Verificam-se, no entanto, acentuadas diferenças entre os 2 subtipos:

No tipo Bipolar – O QI geral mostrou-se em média apenas ligeiramente menor que o QI nos pacientes com P. Bipolar (num estudo com pacientes bipolares, esquizoafetivos e esquizofrénicos); pode-se ainda contar com o efeito alguma deterioração (em ambos), pois as medições já são feitas após a sintomatologia se manifestar, mas sabemos que a percentagem da população bipolar afetada é menor comparativamente à percentagem da população esquizoafetiva em termos dessa deterioração, pelo que é provável que não haja uma diferença significativa entre a média dos QI’s das 2 populações. Ainda assim as médias dos QI’s foram de 97 e 94 respetivamente para as amostras bipolar e esquizoafetiva (no estudo em causa), isto é, dentro do intervalo da média da população geral. Não fica claro, no entanto, qual é o valor de QI total pré-mórbido, pois os estudos que existem não diferenciam entre esquizofrenia e perturbações esquizoafetivas.  

No tipo Depressivo – Ainda no mesmo estudo, o QI geral mostrou-se em média bastante menor que o QI nos pacientes com P. Bipolar e P. Esquizoafetiva tipo bipolar. O QI médio (na casa dos 80) encontra-se abaixo do intervalo da média da população geral.

Esquizofrenia – Algo semelhante foi observado nos pacientes esquizofrénicos. Estes têm tido resultados de QI comparativamente baixos quer com grupos de controlo, quer com outros pacientes do espectro bipolar/esquizofrenia, tendo sido também encontradas outras alterações cognitivas. Isto, em conjunto com o facto de ter sido descoberto que a esquizofrenia tem mais genes responsáveis associados igualmente com défices cognitivos do que com elevada inteligência leva a crer num défice cognitivo geral (baixo QI, etc.) provocado por alterações neuropsicológicas em comum com a doença. O QI vai sendo reduzido à medida que vai havendo deterioração cognitiva dos pacientes – em média na casa dos 80 é o valor esperado normalmente no início da doença, isto é, com uma idade não muito avançada.

Nota: Existem pacientes esquizofrénicos muito inteligentes - talvez porque fatores ambientais, tais como a educação também são importantes. Há estudos que identificam até mesmo um subgrupo de pacientes “sobredotados”.

Link para uma pasta com a bibliografia consultada: https://drive.google.com/drive/folders/1IYV2CXXAaiK28M9-c0jQOqQlui7ptYWY?usp=drive_link 

Sobre Perturbação Bipolar, Perturbação Esquizoafetiva, Esquizofrenia e défices empáticos observados na literatura

 

Perturbação Bipolar – Está associada a défices na empatia cognitiva e emocional numa fase eutímica (estável) e a disfunções na empatia cognitiva durante as fases maníaca e depressiva.  No que respeita à empatia emocional, na fase depressiva não difere do grupo de controlo e na fase maníaca é verificada uma reação empática aumentada por parte do paciente. 

Perturbação Esquizoafetiva e EsquizofreniaEstão ambas associadas, com défices na empatia cognitiva e emocional (ver em cima as flutuações na empatia emocional de acordo com as várias fases para a perturbação esquizoafetiva do tipo bipolar).

Link para uma pasta com a bibliografia consultada: https://drive.google.com/drive/folders/1IYV2CXXAaiK28M9-c0jQOqQlui7ptYWY?usp=drive_link 

Sobre a relação entre Perturbações de Personalidade classe B e QI

 

Perturbação de Personalidade NarcísicaNão existe uma correlação significativa (nem negativa nem positiva) em geral com os valores de QI total, no entanto houve resultados mistos entre os estudos. Poderá haver uma maior inteligência cristalizada nestes pacientes devido à relação entre narcisismo e intelecto (o qual está relacionado com este tipo de inteligência). Quando os sintomas são muito severos, poderá haver um défice na inteligência fluída.

Perturbação de Personalidade BorderlineExiste uma correlação negativa com os valores de QI total, com défices na parte verbal e de realização, bem como outras alterações cognitivas. As alterações nos resultados dos testes de QI são mais bem explicadas pela suscetibilidade destes pacientes a emoções negativas e ao stress e pela intensidade dos mesmos na perturbação de personalidade borderline face a uma situação de avaliação, em vez de um défice cognitivo provocado por alterações neuropsicológicas em comum com a doença.

Perturbação de Personalidade Histriónica Não existe correlação significativa.

Perturbação de Personalidade Antissocial Não existe uma correlação significativa de um modo geral com o valor de QI total, apesar de alguns estudos mostrarem uma correlação negativa pequena ou não significativa o que pode explicar esta correlação negativa em alguns estudos é o terem utilizado amostras de indivíduos que cumpriam pena de prisão, pois o baixo QI predispõe para a criminalidade (sobretudo a criminalidade impulsiva e violenta). Esta variável (QI) estaria a mediar a relação entre a perturbação de personalidade antissocial e a criminalidade. Para contrastar com estes resultados, num estudo com uma população não forense, as características do fator 2, que correspondem à sintomatologia antissocial de um psicopata, não tiveram qualquer relação positiva ou negativa com o QI. Quando existem traços psicopáticos, há algumas variações dignas de atenção:    

PP Antissocial + Psicopatia Não existe uma correlação em geral com o valor de QI total, mas nas mulheres especificamente existe uma correlação positiva. Uma meta-análise indica apenas uma pequena correlação negativa com os valores de QI, bem como outras alterações cognitivas. No entanto, os estudos têm sido na maioria feitos com homens a cumprir pena de prisão. Tem-se ainda verificado que enquanto certas dimensões da psicopatia estão negativamente correlacionadas com os valores de QI, outras estão positivamente correlacionadas. Além disso, nem todos os estudos com reclusos encontraram uma correlação negativa, e um estudo com uma amostra retirada de uma população não forense revelou que não havia diferenças significativas entre psicopatas e a população saudável. Também no caso de uma amostra de mulheres psicopatas retiradas de uma população não forense observa-se o oposto do que tem vindo a ser observado em prisioneiros, a associação é positiva, o que significa que as mulheres psicopatas tendem a ser mais inteligentes. Para terminar, o que pode explicar de novo esta correlação negativa em alguns estudos é o terem utilizado sobretudo amostras de indivíduos que cumpriam pena de prisão, pois o baixo QI predispõe para a criminalidade (sobretudo a criminalidade impulsiva e violenta).

Link para uma pasta com a bibliografia consultada: https://drive.google.com/drive/folders/1bXzGV2N5jWsCKak9fGUj7cLr22hgMvg6?usp=drive_link 


Sobre as Perturbações de Personalidade classe B e défices de empatia observados na literatura

 

Perturbação de Personalidade Antissocial e Narcísica - amígdala e outras regiões associadas com a empatia e regulação emocional hipoativas; ínsula hiperactiva, normalmente associada com a angústia pessoal, dirige a reação e a ação para o “self”. A pesquisa com questionários sugere défices na empatia compassiva e de empatia cognitiva para ambas as perturbações. Um caso grave da PP anti-social é a psicopatia, a qual também tem défice no sentimento de angústia pessoal. Para pacientes anti-sociais/psicopatas o défice é maior na empatia emocional (empatia compassiva + angústia pessoal) do que na cognitiva. Volume da amígdala diminuído em ambos os grupos de pacientes.

Conclusão: Défice de empatia cognitiva e emocional

Perturbação de Personalidade Borderline – população heterogénea com:

1.       Amígdala hiperativa

2.       Amígdala de funcionamento normal

3.       Possibilidade de amígdala hipoativa;

ínsula hiperativa, normalmente associada com a angústia pessoal, dirige a reação e a ação para o “self”. Outras regiões do cérebro associadas com o processamento das funções empáticas a nível cognitivo encontram-se hipoativas durante os estudos. A pesquisa com questionários sugere normal a deficiente empatia compassiva, elevado nível de angústia pessoal e défice de empatia cognitiva. De um modo geral, a nível de observação comportamental, tendem a ser pessoas egoístas e auto-centradas. Volume da amígdala diminuído.

Conclusão: Défice de empatia cognitiva e emocional

Perturbação de Personalidade Histriónica – Há estudos que sugerem défice de empatia (através por exemplo do défice no reconhecimento das emoções), mas falta literatura científica nesse aspeto.

Conclusão: Possível défice de empatia.

Nota: O nível de angústia pessoal pode denotar apenas mais tendência para a ansiedade e sentimentos de angústia de um modo geral e não significar nada em termos de empatia.

Link para uma pasta com a bibliografia consultada: https://drive.google.com/drive/folders/1bXzGV2N5jWsCKak9fGUj7cLr22hgMvg6?usp=drive_link 


sábado, 16 de julho de 2022

Trabalho de mulheres, trabalho de burras... ou será?

A "burrice" das auxiliares

Quem já pensou antes que a auxiliar da vossa escola ou da creche dos vossos filhos devia ter estudado mais para ser menos inculta, menos burra e ter um emprego melhor? Quem já pensou que a mulher que vos serve no refeitório bem que podia ter feito melhor? Ou talvez não, talvez seja esse o problema, talvez não tenha capacidade para mais por que não é muito... inteligente. Pois aí é que está o engano. Isso não é o que a ciência diz. Um artigo intitulado «A astúcia invisível de mulheres trabalhadoras de escola» leva-me a crer que estas mulheres, cujo trabalho é visto como manual, doméstico e naturalizado como atributo feminino, são tudo menos burras. 

Do artigo:

«...essas profissionais têm um saber que vai além de normas e prescrições, o que garante a realização de trabalhos essenciais ao funcionamento das escolas. Com o objetivo de refletir sobre a manifestação da inteligência prática de trabalhadoras de escolas públicas de Manaus-AM, realizou-se uma pesquisa documental, fundamentada pelos pressupostos teóricos da psicodinâmica do trabalho. Identificou-se, nesta pesquisa, que as trabalhadoras elaboram soluções originais e criativas para lidar com as contradições, utilizando-se da inteligência prática, que é aprendida no ato de trabalho. Ao fazer uso dessa inteligência, conseguem realizar suas atividades com êxito e reduzir a possibilidade de descompensação psíquica ou somática, mesmo diante de condições e organização do trabalho precárias e deletérias à saúde.»

Só por serem profissões tipicamente femininas e historicamente de classe trabalhadora não quer dizer que as profissionais sejam burras, menos capazes, menos equilibradas psicologicamente. Elas são inteligentes, resilientes e capazes. Este estudo foi feito no Brasil, mas certamente que em Portugal nas escolas públicas também elas se deparam com problemas semelhantes para resolver no seu dia-a-dia - eu frequentei uma escola pública cá em Portugal. 

 O "analfabetismo" das auxiliares 

Podem não ser originalmente burras, mas são praticamente analfabetas!, pensam os meu leitores menos informados. Enganam-se de novo. Não devem, pelo menos, generalizar. A nova geração de auxiliares de cresces e pré-escolares têm que ter na maioria das vezes o 12º ano com uma formação técnica ou um curso técnico de nível 4. Aqui ficam alguns exemplos: 




Em alguns casos é pedida uma licenciatura obrigatoriamente ou em alternativa ao curso técnico, como nestes exemplos: 





Portanto, estas mulheres, hoje em dia têm que ter em muitos casos formação para além do ensino secundário e em alguns casos um ciclo de ensino superior completo para depois receberem o salário mínimo a recibos verdes e serem tidas como "burras, "domésticas", "analfabetas" por questões de preconceito histórico e sexista (sobretudo este último).






sexta-feira, 6 de maio de 2022

Mestrados - os tipos que existem e a confusão da Deco Proteste

 No website da Deco Proteste há uma página  que aborda uma suposta fraude que circula nas redes sociais: os mestrados a 300 euros em promoção. O problema é que a Deco, pelo texto que os seus colaboradores escreveram, não conhece a história toda. A Esneca Business School, instituição que oferece esses mestrados declara no seu website em português que este é um mestrado não-oficial. É preciso não esquecer que esta escola é espanhola e que em Espanha existem 3 tipos de mestrado: mestrados académicos, mestrados profissionais, e, por fim, mestrados não-oficiais ou "Maestria", que são mestrados que podem ir até 1 ano. Aqui em Portugal esta última categoria não existe, mas podem ser creditados como formação profissional avançada para obtenção de créditos num programa de mestrado oficial, licenciatura ou pós-graduação. Dependendo das cadeiras do mestrado e seus conteúdos poderá ser creditado aproximadamente um ano de faculdade com 2 destes cursos que têm uma duração média de pouco mais de 1 semestre - o que atualmente ficaria ao aluno em 840 euros, o que corresponde ao valor de 1 ano de propinas em alguns politécnicos (fora o preço de pedir a creditação). Não, mesmo assim não compensa, mas a discussão da Deco Proteste foi muito mal informada. 


Adenda: Este tipo de mestrado, se para exercer a profissão não for necessário um mestrado creditado cá em Portugal e se se pretende apenas obter mais alguns conhecimentos que sejam reconhecidos através de um certificado, pode ter alguns benefícios pois são totalmente à distância e relativamente acessíveis.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Uma nota pessoal

Por que desapareci do 'radar científico'? 

  Como alguns de vocês já devem ter percebido, tenho tido problemas de saúde de várias espécies nos últimos anos, entre eles dois burnout com depressão. O meu cérebro está a funcionar a 50% e estou muito medicada ainda. São essas as razões pelas quais eu não tenho escrito sobre ciência e não concluí o grau de mestre (ficando apenas com o equivalente a uma pós-graduação - outra!). Além disso, a profissão de psicólogo clínico não é para mim, pelo menos por enquanto. 

Possibilidades para um futuro

Embora este tipo de recuperação demore bastante tempo, há a possibilidade de, num futuro não assim tão próximo, eu voltar ao campo da investigação no contexto dum mestrado (2º ciclo), seguindo uma das linhas que deixei em aberto no meu último trabalho de licenciatura. Será um casamento entre as ciências biológicas e as ciências comportamentais. 

Ponto da situação

Neste momento sou trabalhadora independente e estou a atuar como técnica de geriatria a título particular e em breve começarei a aceitar clientes para desenvolver trabalho na área da gestão de RH, mais especificamente em recrutamento e seleção. Estou a ganhar dinheiro para investir num futuro - pode ser num carro, numa casinha de férias... ou mesmo em estudos de mestrado. Quem sabe? ;)  



domingo, 25 de abril de 2021

A sobrevalorização do mestrado em psicologia

    Actualmente um profissional só pode exercer em áreas específicas da psicologia com um mestrado aceite pela Ordem dos Psicólogos. Sim, se o objectivo é ser psicólogo clínico, por exemplo, acho bem que vão em frente e façam o mestrado nesta área, pois só assim poderão pertencer à Ordem e exercer. Há no entanto várias áreas relacionadas com a psicologia nas quais um licenciado pode exercer: técnico de recursos humanos, director técnico de lar, relações públicas, psico-coach e neurocoach (desde que se faça uma formação avançada em coaching), formadora (desde que se obtenha o CCP) e recepcionista/ assistente num consultório de terapia sistémica e familiar. Portanto usem e abusem da vossa licenciatura que se esforçaram por acabar. Força. 

Adenda: técnico de apoio ou técnico superior para a CPCJ

sexta-feira, 30 de novembro de 2018


Dei aqui um salto para relembrar:

Algumas versões do deus cristão (o deus dos criacionistas) são demonstradas falsas pela ciência e a acção de deus na criação seja de que maneira for é demonstrada redundante/desnecessária pela ciência.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Mais da minha opinião sobre o GBU

É para mim incrível que pessoas que têm biologia na faculdade - até no curso de psicologia isso acontece como parte integrante do programa de estudos - existam pessoas que queiram ser cristãs evangélicas - não esquecer que são dos mais fundamentalistas. Eu não sei o quão fundamentalistas eles são, mas a verdade é que parece que vivem para aquilo. Passam a vida em encontros e a pregarem tanto na internet como na vida real. Os temas de debate costumam ser fraquinhos  - por exemplo aquele debate do GBU sobre o problema do mal. São definitivamente um grupo à parte dos outros alunos. As suas páginas de facebook estão cheias de coisas sobre o grupo e Jesus e... bom, fé e religião, enquanto que no típico católico vê-se isso uma vez por outra. Eu não posso chegar ali e dizer a um crente para deixar de ser crente, apenas posso dar a minha opinião de que este grupo é de excessos em relação à manifestação das suas crenças religiosas e provavelmente à (super)importância que lhe atribuem. Seria até chocante se tivessem tido apenas aulas de biologia no secundário. Eles não vêem que a fundação dessa religião é uma treta completa com cobras falantes e pessoas expulsas de um jardim mágico só porque comeram um fruto... E se for uma metáfora, então onde está o sacrifício de Cristo? Ufff. Cristãos. Ás vezes não pensam. 

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Tretas dos Cristãos: Grupo Bíblico Universitário - GBU

Aqui fica o megapost de que falei sobre todas as tretas dos cristãos evangélicos que foram surgindo no facebook:


1- Há uns tempos no facebook, uma colega minha da Universidade do Algarve dos meus tempos de licenciatura que é cristã evangélica (no entanto dávamos-nos bem) publicou sobre uma conversa entre religiosos e não religiosos sobre Se a verdade interessa - evento chamado cristopresso. Fui convidada, mas não é algo que compense as despesas na minha opinião. Sinceramente, o ateísmo tem melhores argumentos que esse, que não é da minha preferência. Mas havia ainda outro tópico, pois estávamos na época da Páscoa. E... bem o dia de Páscoa calhou no dia das mentiras, o que os levou a construir uma dualidade entre a mentira e sua veneração e a "Verdade" de Jesus (ou Deus) de uma perspectiva cristã. Gargalhadas pela coincidência acertada à parte, originalmente era uma festa judia que não tinha nada a ver com ressurreição e os pagãos comemoravam também os feriados nestas datas. A Páscoa é comemorada nesta data por causa das antigas festas pagãs para facilitar a transição para o cristianismo. Claro que não tinha eu como não indagar se iam discutir a tradição pagã do coelho e dos ovos da Páscoa também? E esta coisa da "Verdade" é complicada... e as evidências históricas credíveis de que alguém ressuscitou assim por milagre? Na altura as pessoas nem sabiam ver bem se o doente estava morto ou não! Há ainda outras ressurreições mencionadas na Bíblia, por isso isto nem é nada de novo para aquela época, talvez por esse motivo.

2- Ao princípio não li na íntegra um artigo que ela tinha partilhado acerca do cristianismo ser só uma muleta. No entanto, deu para perceber a ideia geral. No entanto, agora que li mais um pouco, parece-me que o próprio texto parece dar um tiro no próprio pé quando diz: «De facto, nada é tão eficaz como a fé cristã genuína para ajudar o homem a lidar de forma saudável com o sofrimento, dando-lhe um caminho para ser livre de todas as suas muletas psicológicas.» - O que é isto se não uma "muleta", uma "droga" de eleição? Algumas pessoas que são cristãs ou pelo menos acreditam em Deus dizem que isso ajuda nos maus momentos. - O que chamas a isso? E a história de que muletas não dão saúde não é bem assim. Vão lá perguntar se um doente com ansiedade e insónia não se sente muito melhor (e o sono contribui para a saúde do cérebro e em geral) com comprimidos. Isso é também é uma muleta isso não é tratamento definitivo e mal deixas os comprimidos cais outra vez. Mais ainda também já vi outros estudos e comentários de autores que apontam para que essa associação da fé com a saúde tenha mais a ver com coisas como o sentido de comunidade do que com a fé religiosa em si. Claro que a colega teimou comigo, mas é apenas uma muleta que vem substituir as outras - assim é também uma muleta, mas uma diferente, escolhida por um grupo de pessoas. Aí a minha colega afirma: «Quando falas que o cristianismo é uma muleta contra o medo, não vejo onde te baseias para o dizeres.» - No próprio artigo em questão. Além desta questão, O GBU no Porto, Coimbra e Lisboa, vai promover debates entre cristãos e ateus sobre a questão de Deus permitir o mal e o sofrimento também. Há melhores argumentos da parte dos ateus, embora Esta pergunta até seja pertinente,existem outras mais interessantes, o que me fez recusar uma ida ao Porto em Março.


3 - De acordo com #GBU (https://www.informamais.pt/cristaos-e-ateus-em-debate-na-universidade/) cristandade é muito importante na vida universitária... Ok basta olhar para o que se passou na bênção das pastas que se está secularizando cada vez mais, tendo o padre relativamente pouco tempo de antena e muito pouca aderência às partes que constituíam a parte religiosa da cerimónia e mesmo o consumo de álcool antes e durante a cerimónia. Talvez eles se identifiquem como católicos por una questão de cultura e porque acreditam em num poder superior, mas as minhas observações no terreno o ano passado (2017) foi exactamente o contrário. Não importante para mais ninguém excepto os cristãos evangélicos e de importância moderada para alguns católicos (também segundo a minha observação no terreno do dia da bênção das pastas)

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Um update na minha opinião e posição sobre o aborto

Ainda a favor de não criminalizar o aborto, mas por diferentes razões (eu já tinha pensado sobre elas, no entanto) - sim, um embrião não é um ser humano completo, mas ainda é um ser humano num certo estágio de desenvolvimento inicial. A favor de não criminalizar o aborto por questões de saúde pública e uma lei difícil/ virtualmente impossível de obrigar as pessoas a cumprir. 

sábado, 3 de fevereiro de 2018

O contributo da psicologia para o ateísmo: Deus, a grande projecção

    Sim, é verdade, todo e qualquer deus é uma projecção. Desde que sou estudante de psicologia que tenho esta opinião.
    Fiz agora uma pequena revisão de um artigo sobre esse mesmo tópico (God - The great projection, publicado no Atheist Republic). Este é o excerto que considero mais importante:

«Psychological Projection

Psychological projection, as it is popularly known, refers to the projection of personal attributes or qualities onto people and our surrounding environments. To give you a basic idea of this psychological phenomenon, an angry person may erroneously accuse another of being angry, or a rude person may falsely charge another with being rude. These are very simplistic examples, but prior to Freud’s formalization of psychological projection, the ancient Greek writer, Xenophanes (570 ~ 475 BCE) described the kind of projection relevant to this post. In his words:

“…the gods of the Ethiopians were inevitably black with flat noses while those of the Thracians were blond with blue eyes. ” (3)

This kind of observation was later reflected in the words of a famous Socratic philosopher, Aristotle, who remarked:

“Men create gods after their own image, not only with regard to their form, but with regard to their mode of life.”(4)

It wasn’t until the nineteenth century that this form of projection would be formalized into a systematic critique of all religion by the Hegelian philosopher and humanist, Ludwig Feuerbach. In his ‘Essence of Christianity,’ he remarked:

“…the object of any subject is nothing else than the subject's own nature taken objectively. Such as are a man's thoughts and dispositions, such is his God; so much worth as a man has, so much and no more has his God. Consciousness of God is self-consciousness, knowledge of God is self-knowledge. By his God thou knowest the man, and by the man his God.”(5)

Donate to Atheist Republic
As sentient and social beings, we are great projectors. We project onto our loved ones, onto celebrities and politicians and also onto inanimate and, as noted by Feuerbach and our two ancient Greek witnesses, onto non-existent beings. Most of what we think we know about anyone is but a pale reflection of the reality of that person, a shadow reflected upon our cave walls, as Plato might have put it. A large portion of what we believe we know about someone is merely a projection of our own internal model of that person, an edited reality constructed by a series of neurological and psychological mechanisms. The same, as noted, is true of the gods and here we arrive not only at the link between pareidolia and psychological projection, but the psychological basis for intelligent design theory.

As far as I am aware, there has not been a single paper published from a single proponent of intelligent design, that argues for the existence of a creator who created the world on the back of a tortoise, or a creator who, like Marduk of ancient Babylonian myth, slayed the angry goddess and split her body in half, creating the heavens and the earth, with her dissected carcass. No, most, if not all of the proponents of intelligent design, argue for the biblical version of creation, the familiar model of reality present within their own culture, their own religion and most revealingly, their own minds. Their scientific theory is merely the subjective projection of an egocentric religious worldview relative to the proponent’s own religion. Being this is the case, we cannot help but conclude that intelligent design, and the creator they seek to drag from the depths of un-falsifiable superstition and assemble in a noise of otherwise random data or lack thereof, is a very expensive grilled cheese sandwich, a great projection.

References:

Leonard Zuzne & Warren H. Jones. ‘Anomalistic Psychology: A Study of Magical Thinking.’ Lawrence Erlbaum Associates, Inc., (1989). p. 77.
Steven Novella M.D. Your Deceptive Mind: A Scientific Guide to Critical Thinking Skills. The Teaching Company, (2012). Lecture 5: Pattern Recognition—Seeing What’s Not There.
Arthur Fairbanks. ‘The First Philosophers of Greece: Xenophanes – Fragments and Commentary.’ K. Paul, Trench, Trubner, (1898). p. 79.
Aristotle. Politics. (Trans. Benjamin Jowett). Oxford at Clarendon Press, (1916). p. 28.
Ludwig Feuerbach. ‘Essence of Christianity,’ 2nd Ed. Calvin Blanchard, (1857). pp. 32-33.»

O meu comentário: I finished my degree in psychology in 2017 and I've been thinking the same. That's also the reason why they feel attacked like it was personal when they criticize theoir beliefs - It's the same when people hold on to their pets (usually to dogs) and then get mad or annoyed when other people do not like them, compliment them or simply won't put up whith everything they do.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Crises de identidade: como ultrapassá-las e evitar recorrências

    O psicólogo Erik Erikson cunhou o termo "crise de identidade", afirmando que durante a adolescência, há uma luta para que a pessoa se torne mais independente dos seus pais e para formar as suas próprias identidades. Hoje, o termo "crise de identidade" é usado para descrever qualquer pessoa que se encontra a lutar para encontrar a sua identidade, isto é, o conceito foi estendido por outros psicólogos aos adultos. 
    Pessoas sem qualquer diagnóstico de doença mental podem ter crises de identidade na idade adulta, no entanto existem certas doenças mentais que podem facilitar a sua ocorrência e recorrência, tais como a perturbação bipolar e as perturbações de personalidade, sobretudo a perturbação de personalidade borderline; psicopatas, um caso extremo da perturbação antissocial da personalidade, com traços narcísicos, geralmente têm uma tremenda dificuldade em criar uma identidade própria. Possivelmente neste último caso, como é um caso extremo, estes exercícios podem não ajudar em muito. No entanto, aqui ficam eles para todos os que se encontram nesta situação (deixarei em baixo os resultados dos meus exercícios para terem uma noção do que poderá ser incluído em cada um deles): 

Exercício 1: 

    Por tópicos descrevam-se a si próprios, englobando tudo o que acham que vos distingue, baseando-se no vosso discernimento, bem como na maneira como os outros vos apresentam. 

Exemplo - os meus resultados:

- Sou suficientemente inteligente para me licenciar em psicologia sem grandes dificuldades

 - Tenho formação académica superior em mais do que uma área científica

- Sou estudante de pós-graduação em ciências forenses

- Sou criativa

- Não acredito em deus(es) – sou ateia

- Gosto de neuropsicologia

- Sou considerada atraente (embora isso dependa dos gostos de quem olha)

- Tenho gosto pela investigação científica.

- Não sou muito alta -  tenho uma estatura média-baixa

- Da última vez que me pesei não acusava excesso de peso.

- Não gosto muito de fazer exercício (quando faço é exercício físico leve).

- Gosto de escrever no meu blog, mas já gostei mais.

- Preciso muito de reconhecimento pelos meus méritos académicos.

- Sou pouco empática.

- As outras pessoas têm que fazer por merecer o meu respeito.


Exercício 2: 

    Elaborem uma versão curta, baseado na maneira como os apresentam às pessoas.

Exemplo - os meus resultados:  

Licenciada em psicologia, estudante de pós-graduação em ciências forenses, inteligente.  

Exercício 3: 

    Considerando ambas as descrições resultantes dos exercícios 1 e 2, provavelmente notaram que existiam alguns tópicos ou características que têm grande risco de serem temporárias e que algumas dessas baseiam-se em situações externas - por exemplo, ser bonito(a) ou atraente, ser jovem, ser estudante de licenciatura ou pós-graduação, ser médico ou advogado, ter um Mercedes, etc. Esses todos podem desaparecer num abrir e fechar de olhos. A idade, uma doença ou um acidente podem alterar a aparência física, o Mercedes pode ser perdido num acidente de viação e com o tempo pode tornar-se menos valorizado. Um emprego pode acabar, um ciclo de estudos igualmente acabará algum dia, e até uma família pode acabar, bem como certos gostos mudarem. Para evitar futuras crises de identidade devemos pensar nas características que não são temporárias ou têm menos probabilidade de o ser. 

Exemplo - os meus resultados:  

    Características que não são temporárias ou têm menos probabilidade de o ser:

- Sou suficientemente inteligente para me licenciar em psicologia sem grandes dificuldades

- Tenho formação académica superior em mais do que uma área científica

- Sou criativa

- Não sou muito alta -  tenho uma estatura média-baixa

- Preciso muito de reconhecimento pelos meus méritos académicos.

- Sou pouco empática

- As outras pessoas têm que fazer por merecer o meu respeito

- Sou ateia 

Exercício 4: 

    Agora, coloquem por ordem de importância (de acordo com a vossa opinião) as características que sobraram no exercício 3.

Exemplo - os meus resultados:  

    Por ordem de importância:

- Sou suficientemente inteligente para me licenciar em psicologia sem grandes dificuldades

 - Tenho formação académica superior em mais do que uma área científica

- Sou criativa

- Sou ateia

- Preciso muito de reconhecimento pelos meus méritos académicos.

- Sou pouco empática. 

- As outras pessoas têm que fazer por merecer o meu respeito

- Não sou muito alta - tenho uma estatura média-baixa

P.S.: Esqueci-me de uma: sou crítica, daí deriva o meu ateísmo. 


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

"Supernanny" - revisão do 1º episódio de uma perspectiva psicológica & comportamental

    Sendo licenciada em psicologia, resolvi não apenas reagir com pequenos textos nas redes sociais (facebook e google+), mas deixar a minha revisão do primeiro episódio aqui no blog, que anda a ficar menos poeirento e com menos teias de aranha ultimamente. 
    Não vou alargar-me em demasia, mas queria deixar alguns comentários. Primeiro que tudo os aspectos positivos da intervenção da psicóloga e mediadora familiar (a "supernanny"): as estratégias de recompensa e punição (leve) são boas estratégias já investigadas provenientes da vertente comportamental da psicologia. Discordo porém em alguns pontos do discurso da mesma - por exemplo - por exemplo que levar 1 ou 2 palmadas humilha a criança, pois, além de ser bastante subjectivo (exemplo ilustrativo neste link), pode não ser sequer aplicável ao caso da Margarida aqui exposto.
    Não me pareceu que foi isso que aconteceu quando a mãe lhe deu duas palmadinhas na mão - ela a seguir amainou com a birra e foi directamente para o colo da mãe. Ela tem razão no aspecto em que a palmada é uma solução temporária e a criança não interioriza regras, daí eu concordar com ela e achar que não é das melhores práticas, no entanto é extremamente difícil parar uma birra como a desta menina do 1º episódio, e por isso compreensível o seu uso. 
É de salientar ainda que o DSM-5 não considera abusivo o acto de dar palmada na mão ou no rabo (enfim, são sítios em que não magoe praticamente se for com pouca força), e que uma palmada na mão ou mesmo no rabiosque desde que se conservem as roupas para não correr o risco de humilhar/ envergonhar (especialmente se aplicadas pelo sexo oposto) e que não seja com força não é proibitivo, mas deve ser evitado ao máximo, sendo apenas usado para parar uma birra muito grande como último recurso e não por tudo e por nada, não fazendo disso um hábito. Devem ser ainda descobertas estratégias que sejam mais definitivas - que levem a uma interiorização, como as expostas neste primeiro episódio da série - baseadas no que nos diz a ciência comportamental. 
    Concordo que a mãe tem algumas falhas, que por vezes não sabe lidar com as situações de conflito, de desafio à autoridade geradas pela filha, no entanto é de salientar que o temperamento da própria criança é bastante difícil para alguém sem formação específica, e pela evidência anedótica que tenho observado penso que poucas mães estejam equipadas para lidar com ela.

P.S.: Provavelmente não continuarei a acompanhar a série. 

sábado, 13 de janeiro de 2018

Como um casal pode conjugar facilmente a vida doméstica com o trabalho: 10 dicas

Está na hora de tirar de novo o pó ao blog. Desta vez são algumas dicas que ao princípio vos vão parecer um perfeito pavor mas se experimentarem vão ver que dá resultado - mesmo para quem é solteiro e muito ocupado.
O que eu mais vejo é artigos a falarem de conjugar a carreira com as tarefas domésticas, sobretudo as relacionadas com as crianças (exemplo: https://www.ucg.org/the-good-news/career-home-and-family-can-women-really-do-it-all). Mas o problema não é elas precisarem de ser feitas - essa é só uma parte do problema maior, que é o de querer fazer tudo em casa como se não trabalhassem (tanto os homens como as mulheres). Pessoal, gente que trabalha não tem tempo para lavar carradas de loiça nem preparar montes de comida caseira todos os dias, mesmo que dividam as tarefas. Na altura em que eu andava a estudar para a licenciatura nem eu tinha, e até mesmo a estudar à distância em alturas de maior dedicação aos estudos isso pode ser difícil (sobretudo se queres apressar um pouco as coisas para te dedicares ou ajudares alguém noutros projectos). Então, foi assim que aprendi a não fazer disso uma prioridade. Sim, ouviram bem. Mas isso só vai funcionar se os dois estiverem na mesma onda e não tiverem filhos. Mais importante do que isso, eu aprendi que nem sempre é necessário ter pilhas de loiça acumuladas: pratos, tigelas e copos de plástico funcionam tão bem quanto os restantes só não devem ir ao micro-ondas se for em alta potência e durante mais de 2 minutos. E quando quiser aquecer no micro-ondas? Aqueça no recipiente onde já estava e depois sirva-se (a não ser que seja uma panela). Devo lembrar que pequenas tupperwares podem ir ao micro-ondas.  Eu pessoalmente não uso copos de plástico, mas se trabalhasse com um horário fixo até tarde, isso provavelmente mudaria. No entanto convém comprar um serviço completo de porcelana caso haja visitas e que possam usar aos fins-de-semana se desejarem, bem como um bom serviço de chá e outro de café. Portanto aqui está a primeira dica:

1. Loiça descartável (de plástico) 


Tal como nem sempre é necessário ter pilhas e pilhas de loiça para lavar a toda a hora, também não é necessário cozinhar a toda a hora. Há quem não goste e há quem adore cozinhar, mas tenha um tempo muito limitado para o fazer. Para ambos serve esta solução: Durante o fim-de-semana, se estiverem em casa, cozinhem refeições caseiras se quiserem e podem ainda congelar alguma coisa para durante a semana, mas nos dias em que trabalham, isso não é necessário, não nos dias de hoje. Usem o vosso micro-ondas e comprem cozinha pre-feita. Hoje em dia já há opções saudáveis e saborosas, com peixe, arroz, vegetais, etc. Lembrem-se de levar ao micro-ondas na embalagem original, pois o uso dos pratos de plástico no microondas tem que ser limitado. Depois deitem para o prato de plástico, e no fim, deitem tudo fora menos os talheres. Dêem uma limpeza superficial à bancada, lavem os talheres e já está! Melhor ainda, ponham as crianças a ajudar a arrumar os talheres - afinal vocês trabalham fora e não têm criada. Podem ainda comprar sopa já feita a baixo preço nos supermercados e aquecê-la e passá-la ou não consoante as preferências. E isto é a segunda dica:


2. Comida de micro-ondas ou congelada do fim-de-semana durante a semana de trabalho. 


3. Existe também uma coisa chamada toalhita de limpeza - há de móveis e multisuperfícies. Parecendo que não, poupa trabalho.


Agora, o pequeno-almoço: Não, não têm que ser vocês a preparar do nada. Está tudo com pressa nem convém perder tempo. Existem snacks saudáveis que dão para crianças e adultos (por exemplo, barras de cereais). Isso pode ser bom para toda a família e um óptimo primeiro pequeno-almoço para as crianças. Dêem-lhes algum dinheiro para comerem na escola a meio da manhã um pequeno-almoço mais completo (e forem pequenas escolas primárias e não tiverem cantina e só houver leite, aí têm que fazer rapidamente uma sandes e pronto, mas pelo menos já não têm que fazer ambos). E aqui fica então a quarta dica:


4. Snacks de compra (ex.: de cereais) para o pequeno almoço. É mais ou menos o mesmo que comer cereais, mas ninguém perde tempo a fazê-los nem suja nada nem gasta loiça descartável e podem ainda ser comidos no carro.


5. Dêem dinheiro aos vossos filhos para comerem um bom lanche na escola - assim não terão muita razão para pedir comida quando chegarem a casa e o máximo que poderão ter que fazer é dar-lhes umas bolachas ou mais umas barritas.


6. Usem o mínimo possível de roupa que se engelhe e tentem usar o máximo possível a lavandaria para passar a ferro as camisas. 


7. Tenham o estendal o mais perto possível de casa, e se possível máquina de secar, embora eu saiba que nem todos nadam em dinheiro. Podem ainda arranjar um cantinho da casa com estendal interior para o inverno. 


8. Limpem a casa ao fim-de-semana, uma vez por semana. Mas que não seja uma prioridade, se nessa semana decidirem ir acampar ou deixar os miúdos com a avó e irem para um hotel de 4 estrelas, não se coíbam por causa da casa.


9. Limpem apenas resíduos óbvios na cozinha durante a semana e verifiquem se há toalhas sujas e se a sanita cheira bem; lavem a roupa consoante é necessário.


10. Jantem fora. Pode não ser nos restaurantes mais caros da cidade, mas jantem fora. Com ou sem os miúdos se os tiverem. É bom que pelo menos 1 vez por semana seja sem.



Para as mulheres que adoram e fazem questão de agradar aos maridos: Se chegarem a casa antes deles, ponham a mesa e ponham-lhe um prato de porcelana, pelo menos de vez em quando. É só um uma vez por dia, diminuindo mesmo assim o trabalho para metade se forem só os dois e 1/3 ou 1/4 se tiverem filhos. Se tiverem filhos dos 7 em diante, ponham-nos a lavar o prato-extra e fica o assunto resolvido. Compensem os vossos maridos no fim-de-semana, cozinhando-lhe uma deliciosa refeição caseira com sobremesa. Podem também tratar das camisas deles para serem passadas numa lavandaria, levando-as lá e trazendo-as para casa a caminho de casa.


É claro que com um bebé, a coisa complica-se. Aconselho a terem uma empregada a tempo inteiro e para quem não pode, bem, salve-se quem puder!