Este é o texto em que o Mats se inspirou para escrever o seu último (e talvez mais uns quantos): http://nautil.us/issue/9/Time/evolution-youre-drunk. E o logo o primeiro comentário refuta essa história toda: «Things can only be so simple, but arbitrarily complex. So over time, given variation, the most complex organism existing tends to be more complex than the most complex organism in a previous time. This makes it appear that things in general are getting more complex. However, there is no reason why simpler organisms cannot evolve after more complex ones.» Aposto que o Mats nem leu (e o comentátio era de há 3 anos atrás) ou se leu nem quis saber de mais nada, não fosse criar um estado tal de dissonância cognitiva que ele não aguentasse. Se os criacionistas estivessem mais preocupados com verificar através do método científico o que é verdadeiro e falso em vez de se defenderem dos sentimentos/ reacções às informações contrárias às suas crendices religiosas, provavelmente... Nem existiriam criacionistas! E eu não teria o prazer de de vez em quando vir aqui dar umas gargalhadas à conta deles e das suas fraquezas intelectuais e emocionais.
Cheers to the freaking weekend (that has passed, and while I was studying instead of resting)! Oh, and I can't drink to that because I'm taking medication :/
Este blog é a continuação do meu velho blog com o mesmo título e vai tratar de assuntos diferentes, como psicologia e neurociências, mas também de evolução como anteriormente, um pouco de filosofia de vez em quando, ateísmo e religião - e isso inclui demolir argumentos criacionistas (e escarnecer deles).
terça-feira, 13 de junho de 2017
domingo, 11 de junho de 2017
Cognição e traços de personalidade: Uma visão integrativa - da (neuro)psicologia em geral
Deparei-me com um trabalho académico, intitulado Teorias da Personalidade no contexto dos meus estudos sobre a disciplina de Marketing e Publicidade e a sua relação com a personalidade dos consumidores. Várias perspectivas têm sido propostas: entre elas a cognitiva, a dos traços ou disposições, a comportamentalista e de aprendizagem social. Embora os defensores da perspectiva cognitivista (ex.:
Kelly) rejeitassem a teoria dos traços elas não parecem mutuamente exclusivas,
pelo contrário os traços podem depender dos tais processos cognitivos referidos
no texto. Por vezes o progresso torna-se difícil ao fazer estas supostas oposições e ao não tomar uma abordagem mais integrativa. Claro que nem sempre é possível, mas pelo que sei, não impossível neste caso, nem em muitos outros, se não uma maioria na psicologia. Felizmente alguns passos estão a ser dados na direcção de uma abordagem mais integrativa no campo das abordagens teóricas e práticas da psicoterapia, e tendo por base factores comuns, não deixando obviamente de diferenciar (mesmo que a diferença seja pouca) quais as melhores abordagens para diferentes perturbações, bem como uma abordagem mais integrativa incluindo o campo da neuropsicologia e das neurociências para estudar os efeitos das ditas terapias no cérebro e as alterações associadas a certas psicopatologias e construtos de personalidade (ex.: psicopatia), bem como para validar certas abordagens relativas à personalidade e aprendizagem.
Continuo a não achar certos métodos e aplicações das ideias freudianas, como a interpretação dos sonhos, credíveis. A aplicação das concepções de Freud ao marketing e publicidade, que era descobrir as motivações inconscientes/ subconscientes e usá-las também teve vários problemas, sendo, para mim os mais importantes: a sobreinterpretação, a sobregeneralização dos resultados com pequenas amostras e a impossibilidade de falsificação - tal como na interpretação dos sonhos. A hipnose (também baseada numa concepção e método freudiano) como é usada e estudada hoje em dia mesmo assim é mais credível, bem como a estrutura base de personalidade, e os fenómenos de transferência e contra-transferência, que, apesar de baseados em ideias/ concepções de base psicanalítica, são actualmente aceites por proponentes ou usuários de outras abordagens que não a de base psicanalítica ou psicodinâmica.
Continuo a não achar certos métodos e aplicações das ideias freudianas, como a interpretação dos sonhos, credíveis. A aplicação das concepções de Freud ao marketing e publicidade, que era descobrir as motivações inconscientes/ subconscientes e usá-las também teve vários problemas, sendo, para mim os mais importantes: a sobreinterpretação, a sobregeneralização dos resultados com pequenas amostras e a impossibilidade de falsificação - tal como na interpretação dos sonhos. A hipnose (também baseada numa concepção e método freudiano) como é usada e estudada hoje em dia mesmo assim é mais credível, bem como a estrutura base de personalidade, e os fenómenos de transferência e contra-transferência, que, apesar de baseados em ideias/ concepções de base psicanalítica, são actualmente aceites por proponentes ou usuários de outras abordagens que não a de base psicanalítica ou psicodinâmica.
"Selo Mats de Qualidade": Dinossauros NÃO conviveram com os homens
Não sei se os meus leitores se recordam de há uns tempos atrás o Mats, no seu blog entitulado "Darwinismo" tentar defende que este tipo de esculturas ou altos relevos eram evidências a favor de que dinossauros e humanos conviveram, o que tornaria o mito da criação mais plausível, e esta figura ou uma muito semelhante era dada como exemplo dessas "evidências". Pois... Sinceramente se compararmos com os animais locais (e não apenas com o que nos lembrarmos no momento, ou o que nos ditam as nossas crenças religiosas que nos lembremos, esta é uma hipótese bem mais provável, e mais fortemente ainda se não descartarmos todo o grupo de evidências de que os dinossauros foram extintos antes do homem aparecer. Mais ainda, isso não seria evidência suficiente para provar o criacionismo da Terra jovem. Portanto, esta tem mesmo o "Selo Mats de Qualidade". Não há dúvidas.
sexta-feira, 9 de junho de 2017
Complexidade genética NÃO falsifica a teoria da evolução
O "Mats" voltou à carga com os disparates do costume sobre a teoria da evolução ter sido falsificada num texto, Complexidade Genética falsifica teoria da evolução, no blog dele (ironicamente chamado Darwinismo):
O Mats escreve: «(...) Dito de forma simples, e segundo a mitologia evolutiva, os organismos mais antigos deveriam ter menos genes que organismos mais complexos. Mas a ciência refutou essa expectativa: "Em vez disso, a sua crença na complexidade incremental começou a desmoronar-se. A primeira dificuldade foi em encontrar uma definição simples da forma como a complexidade se manifestava. Afinal de contas, as amebas tinham genomas enormes."»
Depois, continua: «Os evolucionistas previram que o genoma aumentava de tamanho com o passar dos mitológicos “milhões de anos”, mas essa previsão estava errada.
Os evolucionistas previram então que o número de genes ia aumentando com o passar do tempo, mas isso também estava errado.»
Isto não é bem assim: o texto usa exemplos de espécies actuais (as as amebas), com tamanhos de genomas actuais e não de há milhões de anos. No entanto, mesmo seguindo uma lógica semelhante, a bactéria Haemophilus influenzae, que é um organismo considerado como retendo as características mais "primitivas" - ainda mais do que a ameba (ser unicelular, não ter núcleo, etc.) tem um genoma com 1.830.000 pares de bases e a espécie Homo sapiens tem um genoma com 3.200.000.000 pares de bases. Para além disso, de qualquer modo todas estas espécies são de agora, não de um passado distante.
De seguida afirma: «Os evolucionistas também descobriram, através de experiências, que a maior parte das mutações causam a perda de informação genética, exactamente o contrário do que seria de esperar se a teoria da evolução estivesse certa. [Não me lembro disso ser uma previsão da teoria da evolução, pelo menos não para todas as mutações ou a maioria] Este último ponto é particularmente importante visto que isto causa a que o gradualismo evolutivo se mostre estatisticamente improvável, a roçar a impossibilidade.» - Sugiro que pesquise mais sobre duplicação de genes e o que lhes sucede depois e também sobre o acrescento de bases ao DNA, que aumentam a informação no genoma.
O Mats escreve: «(...) Dito de forma simples, e segundo a mitologia evolutiva, os organismos mais antigos deveriam ter menos genes que organismos mais complexos. Mas a ciência refutou essa expectativa: "Em vez disso, a sua crença na complexidade incremental começou a desmoronar-se. A primeira dificuldade foi em encontrar uma definição simples da forma como a complexidade se manifestava. Afinal de contas, as amebas tinham genomas enormes."»
Depois, continua: «Os evolucionistas previram que o genoma aumentava de tamanho com o passar dos mitológicos “milhões de anos”, mas essa previsão estava errada.
Os evolucionistas previram então que o número de genes ia aumentando com o passar do tempo, mas isso também estava errado.»
Isto não é bem assim: o texto usa exemplos de espécies actuais (as as amebas), com tamanhos de genomas actuais e não de há milhões de anos. No entanto, mesmo seguindo uma lógica semelhante, a bactéria Haemophilus influenzae, que é um organismo considerado como retendo as características mais "primitivas" - ainda mais do que a ameba (ser unicelular, não ter núcleo, etc.) tem um genoma com 1.830.000 pares de bases e a espécie Homo sapiens tem um genoma com 3.200.000.000 pares de bases. Para além disso, de qualquer modo todas estas espécies são de agora, não de um passado distante.
De seguida afirma: «Os evolucionistas também descobriram, através de experiências, que a maior parte das mutações causam a perda de informação genética, exactamente o contrário do que seria de esperar se a teoria da evolução estivesse certa. [Não me lembro disso ser uma previsão da teoria da evolução, pelo menos não para todas as mutações ou a maioria] Este último ponto é particularmente importante visto que isto causa a que o gradualismo evolutivo se mostre estatisticamente improvável, a roçar a impossibilidade.» - Sugiro que pesquise mais sobre duplicação de genes e o que lhes sucede depois e também sobre o acrescento de bases ao DNA, que aumentam a informação no genoma.
domingo, 4 de junho de 2017
Bactérias evoluem para "consumir" o plástico que largamos nos oceanos
Os cientistas chegaram à conclusão de que, com base na
quantidade de plástico que fazemos todos os anos, há apenas cerca de um
centésimo do plástico flutuando como os números sugerem. Embora
existam muitas explicações possíveis para isso, um novo estudo disponível no
servidor de pré-impressão bioRxiv concluiu que os micróbios estão a destruir o plástico.
Isso pode soar completamente estranho, mas apenas no ano
passado, os pesquisadores descobriram que uma espécie de bactéria recém
descoberta foi capaz de quebrar as ligações moleculares do PET, uma das formas mais comuns de plástico. As bactérias literalmente usam isso como fonte de alimento.
Normalmente, o PET leva 450 anos para se degradar
completamente no meio ambiente. Essas bactérias fazem-no em apenas
seis semanas. É essa a informação que levou a uma equipe de pesquisadores da
Universidade Pompeu Fabra em Barcelona a suspeitar que a falta de plástico nos
oceanos é em grande parte menor para esses criadores microscópicos.
[Ler mais na página: http://www.iflscience.com/environment/bacteria-evolving-eat-plastic-dump-into-oceans/]
Sorry, not sorry: Preservação de proteínas antigas e a estupidez crónica do Mats
Bem, estou com pouca energia e tempo para escrever muito sobre o tema "evolução vs. criacionismo", e muito menos sobre as parvoíces do Mats nesses contexto, mas aqui vou falar das mais recentes (alguns posts mais antigos sobre o assunto, incluindo com citações de outras respostas ao Mats com as quais concordo podem ser encontradas aqui, na minha página do google+: https://plus.google.com/u/0/+MissAtheist32).
O Mats é provavelmente a personagem mais caricata e conhecida e reúne quase (se não mesmo) todos os problemas relacionados com a argumentação criacionista, como tem sido desvendado ao longo de alguns posts dos meus blogues e de alguns posts na minha página do google+.
Desta vez, entre outras coisas, no texto «A luta pelo criacionismo na Sérvia» existe um problema de comunicação da parte do Mats sobre a credibilidade de certos "intelectuais de topo" que assinaram uma petição a favor do criacionismo, na medida em que não são todos nem quase todos cientistas com experiência significativa na área da evolução e alguma formação académica em biologia ou cientistas com uma forte formação de base na área e alguma experiência, isto é, cientistas que trabalham na área da biologia evolutiva e áreas afins. A afirmação entre aspas só teria alguma importância e peso na credibilidade e só indicaria que sabiam do que estavam a falar se fosse como eu mencionei em cima. Isto faz parecer que eles têm muito mais credibilidade, peso, reconhecimento e conhecimento do que realmente têm. Dá a ideia de que o criacionismo tem credibilidade e por isso está a vencer. Como eu e outros comentadores apontámos o problema de falta de credibilidade e de transparência na comunicação o Mats comentou da forma do costume, perguntando algo como «qual é a instrução que tem que se ter pata criticar o darwinismo», entre outros, que foram respondidos e onde se podem ler cópias das respostas (algumas ainda a aguardar moderação) aqui, na minha página do google+ e acompanhar a conversa.
Há mais uma data de problemas com os posts mais recentes do Mats, tais como com o texto «Proteína bastante antiga»: ele quer saltar logo para a conclusão de que a Terra é jovem, e por isso não pode ter ocorrido a evolução, e o criacionismo bíblico está certo e provado cientificamente, mas... e se por algum processo que vale a pena investigar ela ficou preservada dentro dos ossos, o que só por si só ajuda? Depois de eu comentar sobre este assunto, o Mats escreveu: «“Por algum processo”? Ou seja, tu tens a fé que há por aí um “processo” que pode preservar tecido biológico durante “milhões de anos”?»
A verdade é que muitas vezes o que o Mats escreve não merece resposta mas mesmo assim eu (e outros) forneço respostas para bem do leitor pouco informado e na dúvida. Por isso, não, não há fé, há uma hipótese colocada face aos dados disponíveis (ex.: que se encontram dentro do osso; que estão muito bem preservadas apesar da suposta idade). É assim que se faz numa investigação científica. Colocam-se hipóteses dignas de testar (e quando eu digo dignas é que não vão contra tudo o que se sabe e está mais que bem fundamentado – pelo menos não numa fase inicial).
O que eu disse entre parênteses “()” vai de encontro ao que disse a Ana Silva:
«...No entanto, mesmo para aqueles que não aceitam a fiabilidade da datação radioquímica, é difícil contrariar o facto de que a formação de rochas sedimentares (onde se encontram a maioria dos fósseis de dinossauros conhecidos) é um processo muito lento, que ocorre ao longo de milhares de anos. Por esta razão não é possível aceitar que um fóssil tenha menos de duas dezenas de milhares de anos.
A existência crescente de exemplos de proteínas em fósseis obrigou a que a comunidade científica tivesse de rever esta questão. Por um lado não é possível questionar que os fósseis de dinossauro têm milhões de anos. Mas as proteínas encontradas não parecem resultar de contaminação. A osteocalcina, por exemplo é exclusiva de animais.
Para a comunidade científica a única conclusão possível é que é necessário rever o que se sabe sobre o processo natural de destruição de proteínas, para tentar determinar se existem ou não condições que permitam que as proteínas se mantenham estáveis por longos períodos de tempo. Esse trabalho tem sido feito para várias biomoléculas, incluindo a osteocalcina»
Ela tem razão, com todo o corpo de evidências a favor da sua antiguidade devíamos era concentrar os esforços (pelo menos como primeiro recurso) a rever o processo de degradação de biomoléculas e a estudar formas de preservação.
Muito mais a dizer não há sobre estes aspecto, pois nada vai curar o Mats da sua cegueira intelectual provocada pela sua religiosidade extrema, que constitui uma parte colossal da sua identidade.
Por último mas não menos importante, o Mats escreve sobre o ateísmo desta vez, mais especificamente sobre o ónus da prova - se é do crente ou do ateu, fazendo a seguinte afirmação: «A nova definição de “ateísmo” como uma mera “ausência de crença” é precisamente uma vá tentativa de evitar ter que oferecer algum tipo de argumento em favor da irracionalidade que é o ateísmo.» – Não, é apenas uma descrição da visão do mundo da maioria dos ateus de topo de hoje em dia, o Mats é que não gosta porque tem dificuldade em arranjar contra-argumentos minimamente decentes. Mas o Mats nunca o admitiria (por razões óbvias).
O texto continua: «Mas o “curioso” é que as pessoas que dizem nada mais ter que uma “ausência de crença” são essencialmente as mesmas que afirmam dogmaticamente que “Deus não existe”.» – Bom talvez porque na prática, eles vivem a sua vida como se não existisse, e assim, para eles, na prática não existe, e para eles é estúpido acreditar nisso. Pois é, pode ser ofensivo para alguns crentes, mas esta é a (cruel?) realidade. Aprendam a lidar com isso.
O Mats escreve ainda: «Eles, tal como os evolucionistas na questão criação-vs-evolução, evitam o confronto quando sentem que podem perder, mas querem avançar com o mesmo quanto têm a fé de que podem vencer.», e deixa um link para este texto: https://darwinismo.wordpress.com/2011/04/18/criacao-ou-evolucao-evolucionistas-negam-este-dualismo-mas-usam-no-com-frequencia/, ao qual eu dei a minha resposta: não vejo problema em dizer que há outras alternativas porque algumas já têm sido propostas (embora em não concorde com elas). Acrescento ainda: o problema dos criacionistas é a certeza ilusória de que estão certos, se vamos começar a apontar o dedo uns aos outros. E quando eu digo ilusória, está quase ao nível de uma pessoa com perturbação narcisista da personalidade considerar-se omnipotente e achar que nada de mal lhe acontece faça ela as manobras perigosas que fizer. Ofendo-os com estas comparações? Talvez. Mas são bastante boas e algo óbvias. Sorry not sorry.
P.S.: O Mats não aprovou os comentários. Das duas uma ou fui apanhada ou eram tão destrutivos para as ideias que ele queria passar por verdades, que ele nem se atreveu.
O Mats é provavelmente a personagem mais caricata e conhecida e reúne quase (se não mesmo) todos os problemas relacionados com a argumentação criacionista, como tem sido desvendado ao longo de alguns posts dos meus blogues e de alguns posts na minha página do google+.
Desta vez, entre outras coisas, no texto «A luta pelo criacionismo na Sérvia» existe um problema de comunicação da parte do Mats sobre a credibilidade de certos "intelectuais de topo" que assinaram uma petição a favor do criacionismo, na medida em que não são todos nem quase todos cientistas com experiência significativa na área da evolução e alguma formação académica em biologia ou cientistas com uma forte formação de base na área e alguma experiência, isto é, cientistas que trabalham na área da biologia evolutiva e áreas afins. A afirmação entre aspas só teria alguma importância e peso na credibilidade e só indicaria que sabiam do que estavam a falar se fosse como eu mencionei em cima. Isto faz parecer que eles têm muito mais credibilidade, peso, reconhecimento e conhecimento do que realmente têm. Dá a ideia de que o criacionismo tem credibilidade e por isso está a vencer. Como eu e outros comentadores apontámos o problema de falta de credibilidade e de transparência na comunicação o Mats comentou da forma do costume, perguntando algo como «qual é a instrução que tem que se ter pata criticar o darwinismo», entre outros, que foram respondidos e onde se podem ler cópias das respostas (algumas ainda a aguardar moderação) aqui, na minha página do google+ e acompanhar a conversa.
Há mais uma data de problemas com os posts mais recentes do Mats, tais como com o texto «Proteína bastante antiga»: ele quer saltar logo para a conclusão de que a Terra é jovem, e por isso não pode ter ocorrido a evolução, e o criacionismo bíblico está certo e provado cientificamente, mas... e se por algum processo que vale a pena investigar ela ficou preservada dentro dos ossos, o que só por si só ajuda? Depois de eu comentar sobre este assunto, o Mats escreveu: «“Por algum processo”? Ou seja, tu tens a fé que há por aí um “processo” que pode preservar tecido biológico durante “milhões de anos”?»
A verdade é que muitas vezes o que o Mats escreve não merece resposta mas mesmo assim eu (e outros) forneço respostas para bem do leitor pouco informado e na dúvida. Por isso, não, não há fé, há uma hipótese colocada face aos dados disponíveis (ex.: que se encontram dentro do osso; que estão muito bem preservadas apesar da suposta idade). É assim que se faz numa investigação científica. Colocam-se hipóteses dignas de testar (e quando eu digo dignas é que não vão contra tudo o que se sabe e está mais que bem fundamentado – pelo menos não numa fase inicial).
O que eu disse entre parênteses “()” vai de encontro ao que disse a Ana Silva:
«...No entanto, mesmo para aqueles que não aceitam a fiabilidade da datação radioquímica, é difícil contrariar o facto de que a formação de rochas sedimentares (onde se encontram a maioria dos fósseis de dinossauros conhecidos) é um processo muito lento, que ocorre ao longo de milhares de anos. Por esta razão não é possível aceitar que um fóssil tenha menos de duas dezenas de milhares de anos.
A existência crescente de exemplos de proteínas em fósseis obrigou a que a comunidade científica tivesse de rever esta questão. Por um lado não é possível questionar que os fósseis de dinossauro têm milhões de anos. Mas as proteínas encontradas não parecem resultar de contaminação. A osteocalcina, por exemplo é exclusiva de animais.
Para a comunidade científica a única conclusão possível é que é necessário rever o que se sabe sobre o processo natural de destruição de proteínas, para tentar determinar se existem ou não condições que permitam que as proteínas se mantenham estáveis por longos períodos de tempo. Esse trabalho tem sido feito para várias biomoléculas, incluindo a osteocalcina»
Ela tem razão, com todo o corpo de evidências a favor da sua antiguidade devíamos era concentrar os esforços (pelo menos como primeiro recurso) a rever o processo de degradação de biomoléculas e a estudar formas de preservação.
Muito mais a dizer não há sobre estes aspecto, pois nada vai curar o Mats da sua cegueira intelectual provocada pela sua religiosidade extrema, que constitui uma parte colossal da sua identidade.
Por último mas não menos importante, o Mats escreve sobre o ateísmo desta vez, mais especificamente sobre o ónus da prova - se é do crente ou do ateu, fazendo a seguinte afirmação: «A nova definição de “ateísmo” como uma mera “ausência de crença” é precisamente uma vá tentativa de evitar ter que oferecer algum tipo de argumento em favor da irracionalidade que é o ateísmo.» – Não, é apenas uma descrição da visão do mundo da maioria dos ateus de topo de hoje em dia, o Mats é que não gosta porque tem dificuldade em arranjar contra-argumentos minimamente decentes. Mas o Mats nunca o admitiria (por razões óbvias).
O texto continua: «Mas o “curioso” é que as pessoas que dizem nada mais ter que uma “ausência de crença” são essencialmente as mesmas que afirmam dogmaticamente que “Deus não existe”.» – Bom talvez porque na prática, eles vivem a sua vida como se não existisse, e assim, para eles, na prática não existe, e para eles é estúpido acreditar nisso. Pois é, pode ser ofensivo para alguns crentes, mas esta é a (cruel?) realidade. Aprendam a lidar com isso.
O Mats escreve ainda: «Eles, tal como os evolucionistas na questão criação-vs-evolução, evitam o confronto quando sentem que podem perder, mas querem avançar com o mesmo quanto têm a fé de que podem vencer.», e deixa um link para este texto: https://darwinismo.wordpress.com/2011/04/18/criacao-ou-evolucao-evolucionistas-negam-este-dualismo-mas-usam-no-com-frequencia/, ao qual eu dei a minha resposta: não vejo problema em dizer que há outras alternativas porque algumas já têm sido propostas (embora em não concorde com elas). Acrescento ainda: o problema dos criacionistas é a certeza ilusória de que estão certos, se vamos começar a apontar o dedo uns aos outros. E quando eu digo ilusória, está quase ao nível de uma pessoa com perturbação narcisista da personalidade considerar-se omnipotente e achar que nada de mal lhe acontece faça ela as manobras perigosas que fizer. Ofendo-os com estas comparações? Talvez. Mas são bastante boas e algo óbvias. Sorry not sorry.
P.S.: O Mats não aprovou os comentários. Das duas uma ou fui apanhada ou eram tão destrutivos para as ideias que ele queria passar por verdades, que ele nem se atreveu.
domingo, 28 de maio de 2017
Aborto e saúde pública - debate
Se tiverem curiosidades sobre as minhas recentes discussões e opiniões sobre o aborto podem consultá-las nesta página:
Abortion Public Health (Trata-se de um debate com um conhecido meu aqui da internet, que é o Ludwig Krippahl.)
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