A paper in Science by Ryan McKellar et al. (reference and link below; no access to full paper without $$!) reports the amazing discovery of feathers preserved in amber from the late Cretaceous (around 65-90 million years ago). The amber (fossilized plant resin) was discovered in deposits at Grassy Lake, Alberta, Canada. There’s also a nice piece in The Atlantic which summarizes the importance of the findings and a series of photos at io9.com with explanations of what each photo shows. The striking finding is that there are all stages of feather evolution seen in the amber, from simple filaments to very complex feathers....
Este blog é a continuação do meu velho blog com o mesmo título e vai tratar de assuntos diferentes, como psicologia e neurociências, mas também de evolução como anteriormente, um pouco de filosofia de vez em quando, ateísmo e religião - e isso inclui demolir argumentos criacionistas (e escarnecer deles).
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Todos os estágios evolutivos das penas de dinossauro encontrados em ambar
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Ok... parece que o ataque de preguicite crónica é capaz de ter sido mais do que isso. É que por conta de tomar a Diane 35 apanhei um depressão, de origem química, claro está. Chiça... Bem, quando me livrar desta merda, provavelmente este blog vai ter mais movimento. E também quando houver menos para fazer por aqui pela faculdade.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Vida depois da vida? Ou Experiências de quase-morte são relevantes para o cristianismo?
Bem, por aí circulam relatos de experiências pós-morte. E os crentes, incluindo (e sobretudo) os cristãos (como o Mats no Darwinismo, por exemplo), assumem simplesmente que a única explicação é que há mesmo vida (espiritual, não física) depois da vida - embora, mais uma vez, eu não veja grande relevância para os cristãos, que acreditam numa vida espiritual eterna, ou pelo menos mais longa, não de alguns segundos a minutos, céu e inferno, deus, Jesus como deus/filho de deus, ressurreições, etc. É, para eles (ou devia ser), uma gota no oceano. Bem, mas adiante: encontrei um artigo, que diz muitos disparates, mas diz algumas (poucas) coisas acertadas:
«Os defensores de teorias materialistas da mente com frequência argumentam que, mesmo quando um EEG é isoelétrico, pode haver alguma atividade cerebral residual em regiões mais profundas do cérebro (por exemplo, tronco cerebral, que não é detectada por causa das limitações deste método)51. Isso é possível, uma vez que a atual tecnologia de EEG no couro cabeludo mede principalmente a atividade de grandes populações de neurônios corticais. No entanto, como Greyson48 aponta, o fundamental é que "a questão não é se existe atividade cerebral de qualquer natureza, mas se existe atividade cerebral da forma específica acordada por neurocientistas contemporâneos como a condição necessária para uma experiência consciente" (p. 4.688). Essa forma de atividade neuroelétrica, que é bem detectada pela tecnologia atual de EEG, está claramente eliminada pela parada cardíaca.» - Eu já tinha pensado que um EEG podia não detectar tudo quanto é actividade cerebral, podendo restar ainda alguma nestes casos e, aqui obtenho a confirmação. E eles dizem "se existe atividade cerebral da forma específica acordada por neurocientistas contemporâneos como a condição necessária para uma experiência consciente". A ênfase é minha por razões óbvias. Disseram bem, "acordada por neurocientistas contemporâneos". Eles também dizem que as EQM (experiências de quase morte) em paragens cardíacas "sugerem que a mente é não local, isto é, não é gerada pelo cérebro e não está confinada a ele ou ao corpo". Eu julgo que "sugerem", é um termo até humilde, e aprecio isso, no entanto, na conclusão eles dizem que "desafia vigorosamente a visão fisicalista" e "suporta" a alternativa, o que eu penso ser um exagero, pela óbvia facilidade em pensar em alternativas "fisicalistas" em conjunto com a facilidade em ver que isso, se alguma coisa, desafia mas é o que sabemos sobre a relação entre funcionamento do cérebro e consciência como apresentada neste contexto. Para mim, a perspectiva e a abordagem deles está bastante incompleta. Se os relatos são de confiar, se alguma coisa é para ser questionada, é muito mais que simplesmente "a mente vem do corpo e não pode existir sem ele?". É também a noção que os "neurocientistas contemporâneos" têm do que é preciso para que isto aconteça, por exemplo. Se alguma coisa, eles deviam ter dito: "As EQM deixam várias e vários tipos de questões em aberto, tais como: [exemplos - até podiam usar o exemplo da sobrevivência da mente para sem o corpo]. Uma revisão da literatura encoraja que se investigue mais sobre o assunto".
Agora, uma última questão, e esta é bastante fácil de responder: será que devíamos tornar-nos cristãos ou mesmo teístas, ainda que considerando a opção mais extrema de que "a mente é não local, isto é, não é gerada pelo cérebro e não está confinada a ele ou ao corpo"? Claro que não. A existência de algum tempo de vida depois da morte não prova que existe céu, inferno, julgamentos pós-morte, deuses, que Jesus é deus/filho de deus, que ressuscitou, sequer que isso é possível sem assistência médica, etc.
«Os defensores de teorias materialistas da mente com frequência argumentam que, mesmo quando um EEG é isoelétrico, pode haver alguma atividade cerebral residual em regiões mais profundas do cérebro (por exemplo, tronco cerebral, que não é detectada por causa das limitações deste método)51. Isso é possível, uma vez que a atual tecnologia de EEG no couro cabeludo mede principalmente a atividade de grandes populações de neurônios corticais. No entanto, como Greyson48 aponta, o fundamental é que "a questão não é se existe atividade cerebral de qualquer natureza, mas se existe atividade cerebral da forma específica acordada por neurocientistas contemporâneos como a condição necessária para uma experiência consciente" (p. 4.688). Essa forma de atividade neuroelétrica, que é bem detectada pela tecnologia atual de EEG, está claramente eliminada pela parada cardíaca.» - Eu já tinha pensado que um EEG podia não detectar tudo quanto é actividade cerebral, podendo restar ainda alguma nestes casos e, aqui obtenho a confirmação. E eles dizem "se existe atividade cerebral da forma específica acordada por neurocientistas contemporâneos como a condição necessária para uma experiência consciente". A ênfase é minha por razões óbvias. Disseram bem, "acordada por neurocientistas contemporâneos". Eles também dizem que as EQM (experiências de quase morte) em paragens cardíacas "sugerem que a mente é não local, isto é, não é gerada pelo cérebro e não está confinada a ele ou ao corpo". Eu julgo que "sugerem", é um termo até humilde, e aprecio isso, no entanto, na conclusão eles dizem que "desafia vigorosamente a visão fisicalista" e "suporta" a alternativa, o que eu penso ser um exagero, pela óbvia facilidade em pensar em alternativas "fisicalistas" em conjunto com a facilidade em ver que isso, se alguma coisa, desafia mas é o que sabemos sobre a relação entre funcionamento do cérebro e consciência como apresentada neste contexto. Para mim, a perspectiva e a abordagem deles está bastante incompleta. Se os relatos são de confiar, se alguma coisa é para ser questionada, é muito mais que simplesmente "a mente vem do corpo e não pode existir sem ele?". É também a noção que os "neurocientistas contemporâneos" têm do que é preciso para que isto aconteça, por exemplo. Se alguma coisa, eles deviam ter dito: "As EQM deixam várias e vários tipos de questões em aberto, tais como: [exemplos - até podiam usar o exemplo da sobrevivência da mente para sem o corpo]. Uma revisão da literatura encoraja que se investigue mais sobre o assunto".
Agora, uma última questão, e esta é bastante fácil de responder: será que devíamos tornar-nos cristãos ou mesmo teístas, ainda que considerando a opção mais extrema de que "a mente é não local, isto é, não é gerada pelo cérebro e não está confinada a ele ou ao corpo"? Claro que não. A existência de algum tempo de vida depois da morte não prova que existe céu, inferno, julgamentos pós-morte, deuses, que Jesus é deus/filho de deus, que ressuscitou, sequer que isso é possível sem assistência médica, etc.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Parafraseando... (Parte II)
Bem, devo dizer, depois de uma bela gargalhada, que nunca vi nada assim... e eu pensava que os criacionistas portugueses e brasileiros eram umas bestas... enfim... é mesmo de quem não sabe... Mas agora já sei que um criacionista qualquer pode ser muito bem ser menos civilizado que um psicopata.
E. para terminar a história:
The creationist closes his laptop, sooo happy with himself.
-"I did it! I tricked them all. Not even the stupid atheist bitch could stop me!"
Me: Well, speaking, in the very least, for myself, you couldn't fool a fly into a water bottle, not even if your life depended on it.
Parafraseando...
Ora, ultimamente tenho tido problemas com certos criacionistas (não, não são os portugueses e brasileiros do costume - esta não é para o Mats, mas talvez lhe sirva a carapuça, não sei). A confusão foi gerada por um criacionista que ao que parece ficou "ofendido" com comentários humorísticos que nem sequer lhe eram dirigidos (???) - traduzindo: resolveu armar confusão sem qualquer razão. Típico. Bem, por muito estúpida que seja a situação, acabei inspirada (porque tudo tem o seu lado cómico), e agora vou parafrasear o criacionista no pós-discussão a querer parecer uma pessoa muito bem educada e sem culpa nenhuma de ser um idiota [a história está em inglês, mas não é nada de muito complicado de perceber]:
After making a big mess out of the comment section, the creationist returns and doesn't wanna look so bad, 'cause, you know, people started commenting on his manners (or lack thereof) and harassment. So, he apologized briefly and prepared a speech:
- "Oh, poor me... her ignorance is the problem... I was just pointing something out - I wasn't making any provocative remarks about how clever or not people were being about hiding stuff about themselves. It had nothing to do with the fact that I was just a jerk to her for no good reason when she wasn't even directing her comments to me".
Scratches head and goes on:
- "'Cause, you know... I'm not provocative at all and I'm not a bully like this horrible atheists. They bullied me and creationist x and creationist y, who, by the way, are really nice people just like me!"
Whispers to himself behind the computer screen:
- "Oh, I love myself so much! I'm so good at this!"
Continues, trying to look like nothing is his fault. It never is. He's sooo... good... so... nice... so... Oh, he loves himself sooo much!
- ""Oh, I'm sooo polite and humble, I apologized... But the problem here is still her - her ignorance, her... her... whatever. Not me. Never. Meanwhile, I'm sooo politically correct and I always find excuses"
After making a big mess out of the comment section, the creationist returns and doesn't wanna look so bad, 'cause, you know, people started commenting on his manners (or lack thereof) and harassment. So, he apologized briefly and prepared a speech:
- "Oh, poor me... her ignorance is the problem... I was just pointing something out - I wasn't making any provocative remarks about how clever or not people were being about hiding stuff about themselves. It had nothing to do with the fact that I was just a jerk to her for no good reason when she wasn't even directing her comments to me".
Scratches head and goes on:
- "'Cause, you know... I'm not provocative at all and I'm not a bully like this horrible atheists. They bullied me and creationist x and creationist y, who, by the way, are really nice people just like me!"
Whispers to himself behind the computer screen:
- "Oh, I love myself so much! I'm so good at this!"
Continues, trying to look like nothing is his fault. It never is. He's sooo... good... so... nice... so... Oh, he loves himself sooo much!
- ""Oh, I'm sooo polite and humble, I apologized... But the problem here is still her - her ignorance, her... her... whatever. Not me. Never. Meanwhile, I'm sooo politically correct and I always find excuses"
quarta-feira, 25 de março de 2015
Evolução da visão segundo Mats, o brilhante cientista e tradutor de parvoíces
O Mats voltou à carga com mais uma dose de pensamento acrítico lá no antro ao qual ironicamente chama "Darwinismo" sob o título: "A evolução da visão: suposição e não ciência".
o Mats traduziu:
«Mas só um agente inteligente – e não factores ambientais passivos e irracionais – é que poderia moldar a enorme colecção de partes interdependentes que formam os olhos. Lamb escreveu também que a “selecção natural”…. opera com o material que tem à sua disposição” embora só pessoas é que podem “operar”.»
Mas será que tanto a fonte como o próprio Mats não percebem uma metáfora? Céus! *
Mais ainda:
«E mesmo que olhos perfeitamente formados e os respectivos músculos de controle tivessem de alguma forma conseguido evoluir, este aparato seria inútil sem as computações involuntárias que fazem com que o olho esquerdo e o direito se movam de forma combinada.» - Não sabem isso, criacionistas - ou por outra, não sabem é nada. Lá por não conseguirem pensar num cenário diferente, não significa que não tenha acontecido - e temos evidencias de que provavelmente aconteceu.
Ainda no mesmo texto (tradução) lê-se:
« Ele sugere que o desenvolvimento do olho embrionário progride do mais simples para o mais complicado num padrão semelhante ao da evolução do olho. Mas os olhos embrionários têm que começar pequenos e desde logo, relativamente mais simples. Assumindo (sem qualquer evidência objectiva) que o desenvolvimento embrionário é um espelho do passado evolutivo apenas assume uma resposta em relação a uma origem evolutiva.
O meu comentário:
«Oh gente, temos evidências de que, vulgarmente, certos estágios evolutivos são caracterizados pelo aparecimento de estruturas ancestrais – daí, neste caso serem procuradas pistas para a maneira como a evolução ocorreu – e não evidências para o facto dessa evolução ter ocorrido – isso temos na genética e no registo fóssil (http://theness.com/neurologicablog/index.php/another-gap-filled-more-evidence-for-eye-evolution/). Informem-se deixem-se de aceitar acríticamente tudo o que os criacionistas mais conhecidos e estrangeiros dizem.»
* Isto do Mats não perceber metáforas fez-me lembrar de uma coisa. Vejam e riam-se:
o Mats traduziu:
«Mas só um agente inteligente – e não factores ambientais passivos e irracionais – é que poderia moldar a enorme colecção de partes interdependentes que formam os olhos. Lamb escreveu também que a “selecção natural”…. opera com o material que tem à sua disposição” embora só pessoas é que podem “operar”.»
Mas será que tanto a fonte como o próprio Mats não percebem uma metáfora? Céus! *
Mais ainda:
«E mesmo que olhos perfeitamente formados e os respectivos músculos de controle tivessem de alguma forma conseguido evoluir, este aparato seria inútil sem as computações involuntárias que fazem com que o olho esquerdo e o direito se movam de forma combinada.» - Não sabem isso, criacionistas - ou por outra, não sabem é nada. Lá por não conseguirem pensar num cenário diferente, não significa que não tenha acontecido - e temos evidencias de que provavelmente aconteceu.
Ainda no mesmo texto (tradução) lê-se:
« Ele sugere que o desenvolvimento do olho embrionário progride do mais simples para o mais complicado num padrão semelhante ao da evolução do olho. Mas os olhos embrionários têm que começar pequenos e desde logo, relativamente mais simples. Assumindo (sem qualquer evidência objectiva) que o desenvolvimento embrionário é um espelho do passado evolutivo apenas assume uma resposta em relação a uma origem evolutiva.
Dito de outra forma, pode-se usar o desenvolvimento embrionário para concluir que o olho dos vertebrados evoluiu, se assumirmos à partida que “muitos aspectos do desenvolvimento dum individuo espelha os eventos que ocorreram durante a evolução dos seus ancestrais.” (1) Isto usa a evolução para provar a evolução – claramente um círculo ilógico.»
O meu comentário:
«Oh gente, temos evidências de que, vulgarmente, certos estágios evolutivos são caracterizados pelo aparecimento de estruturas ancestrais – daí, neste caso serem procuradas pistas para a maneira como a evolução ocorreu – e não evidências para o facto dessa evolução ter ocorrido – isso temos na genética e no registo fóssil (http://theness.com/neurologicablog/index.php/another-gap-filled-more-evidence-for-eye-evolution/). Informem-se deixem-se de aceitar acríticamente tudo o que os criacionistas mais conhecidos e estrangeiros dizem.»
* Isto do Mats não perceber metáforas fez-me lembrar de uma coisa. Vejam e riam-se:
Update:
Céus! O Mats insistiu no mesmo erro. Não percebe a diferença entre "pistas de como ocorreu" e "evidências de que ocorreu". Eu tentei explicar. Acho que não percebeu. Também me parece que não vai perceber que é por termos evidências de certas disciplinas e consistência entre dados das disciplinas que sabemos que ela ocorreu e que por termos dados embriológicos consistentes com os dados fósseis sabemos de onde podemos tirar pistas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)