sexta-feira, 6 de março de 2015

Por que os adolescentes são mais impulsivos?

Há uns dias deparei-me com isto no tumblr

Nova pesquisa mostra que nos cérebros dos adolescentes os sinais viajam lentamente quando eles precisam para tomar decisões. A neurocientista Frances Jensen explica:
" Temos um isolamento natural ... chamado mielina ", diz ela. "É uma gordura, e isso leva tempo. As células têm de construir mielina, e expandi-la em torno do lado de fora destas faixas, e isso leva anos. "
Este processo de isolamento (mielinização) começa na parte de trás do cérebro para a frente. Os cérebros não estão totalmente maduros até que as pessoas atingem o começo da década dos 20 anos, ou possivelmente o final dessa mesma década e talvez até mais além, diz Jensen.
"O último lugar a ser ligado - para ser totalmente mielinizado - é a frente de seu cérebro", diz Jensen. "E o que está na frente? O seu córtex pré-frontal e seu córtex frontal. Estas são áreas onde temos introspecção, empatia, funções executivas, como controle de impulsos e comportamentos de risco.

Interessante como se aplica a mim. Eu era impulsiva, pouco empática, corria riscos, (mais do que os outros) e tudo isso. Agora, bem, ainda sou um pouco de tudo isso, mas tenho notado que estou diferente. 
Lembrei-me ainda de ter lido, isto a propósito do controlo do impulso, que os psicopatas “amaciam”com a idade e pergunto-me se não estará relacionado com este desenvolvimento tardio do cérebro (que neles até pode ser mais lento). Faz sentido, visto que eles têm défice de empatia, são muito impulsivos e pouco introspectivos. Dá a ideia de que o cérebro não maturou ao ritmo normal. 

terça-feira, 3 de março de 2015

Pais católicos, filhos ateus: como dizer aos teus pais que és ateu?

Esta é a uma espécie de segunda parte do último post, Ateísmo: como dizer aos teus pais cristãos que és ateu?, na qual eu me vou focar mais nos pais católicos, pois é com esses que estou mais familiarizada, embora, mais uma vez, eu não tenha experiências para contar na primeira pessoa, uma vez que os meus pais, como já mencionei, não eram muito religiosos. Bem, os pais católicos (de que eu tenho conhecimento) são chatos. Muito chatinhos. Fazem-te ir à missa e à catequese todos os santos fins-de-semana, quando podias ficar a dormir ou podias sair para outro lado qualquer... enfim, tudo menos ir à seca da missa! (Isto é tão típico!) 
Bem, isto é mais dirigido aos ateus adolescentes e não tanto aos que nem pensaram sobre o assunto e não querem ir, sobretudo porque lhes apetece fazer outras coisas, que para eles são prioritárias, tal como... dormir. Mas mesmo esses, se tropeçarem nisto podem ficar e ler o resto (talvez ajude). Tive um colega que era mais ou menos assim. E a mãe (católica) era uma chata de primeira. 
Se depois de alguma ponderação chegares à conclusão de que o certo (para ti, pelo menos) é seres ateu, seja por falta de razões/evidências para acreditares, seja por uma questão do que é mais provável ou não (anti-teísmo ou ateísmo forte), e, como tal, para ti, ir à missa é inútil (a não ser que tenhas outras razões para ir), então, é melhor arranjares desculpas, pelo menos ao princípio: "Mãe, tenho teste amanhã, tenho que estudar!". Assim, talvez ela se vá habituando à ideia de que tens outras prioridades, de que a religião não é importante para ti aos poucos. E se ela se habituar a que tu fiques em casa, então, nem haverá um grande conflito. Isto, para católicos "de fim-de-semana". Se os teus pais forem do tipo de falar em deus, no céu e no inferno a toda a hora e de te mandarem rezar, então aí temos um problema - sim, esse tipo de pais existem, pelo menos nas aldeias. Se assim for, é porque eles são mesmo muito devotos (ou muito falsos) e vai ser complicado. Aí é melhor dizer que estão doentes e que rezam em casa, que vão mais vezes noutra altura (e depois não vão). Isto é uma maneira dissimulada de atingirem os vossos objectivos. Também podem continuar a ir e a rezar, etc. para evitarem o conflito a 100%. Mas isso vai apenas ensinar-vos a serem passivos e que essa é a melhor maneira de resolver as coisas. 
Outra via é serem assertivos. Dizerem o que têm a dizer. E ficarem de castigo até aos 40. 
Se essa for a escolha, eu apoiaria em certos casos, por exemplo, se os vossos pais não forem praticantes regulares (isso pode ser indicador que a religião não é assim tão importante para eles) ou se forem apenas católicos de fim-de-semana. Mas aí já sabem que eles podem tentar fazer-vos mudar de ideias (especialmente os últimos) e vão fazer-vos ir à igreja na mesma (e aí, "nada de desculpas"). Se forem uns chatos de primeira e passarem a vida falar de religião, então não apoio de maneira nenhuma. 
Agora, um último conselho: não sejam agressivos para os vossos pais - eles deram-vos tudo o que têm, criaram-nos com carinho (espero eu...) e podem ainda ajudar-vos a construírem o vosso futuro. Não deixem que a religião estrague por completo uma relação que antes era boa, se não mesmo quase perfeita. 

Bem, vou-me embora, vou-me preparando para a aula da tarde.

Ateísmo: como dizer aos teus pais cristãos que és ateu?

É verdade que se pode dizer que eu não tenho muitas experiências nesse campo para contar na primeira pessoa, pois os meus pais não eram muito religiosos e pode-se mesmo dizer que eram agnósticos e, além de na minha casa não se pregar a existência de nenhum deus, durante a maior parte da minha infância só me levavam à missa no Natal e por vezes na Páscoa. No entanto, eu convivi com crianças e adolescentes cujos pais eram muito religiosos e os obrigavam a rezar antes de deitar, ir à missa de domingo regularmente e a noção de deus era quase uma constante em casa dessas pessoas. Por isso eu consigo fazer uma ideia de como é ter que dizer a pais desse género que não se acredita em deus e não se quer ir à missa por isso. É claro que além da religiosidade temos que considerar também o feitio das pessoas: se são tolerantes relativamente a outras opiniões, a outras religiões, se são pessoas calmas ou se se irritam com facilidade.  
Eu já contactei com casos de vários tipos, embora todos passados com famílias católicas. Uma colega minha que já não acreditava em deus estava a ser pressionada pelos pais para ir à catequese e fazer a crisma (também designada por confirmação). Além disso também a chateavam por não ir à missa. E quase todos os dias havia discussões lá em casa. Nunca chegou ao ponto de castigos /violência física (que eu saiba, mas acho que ela não ia dizer a ninguém se assim fosse). O que me pareceu mais estranho neste caso é que os pais da rapariga nem se ralavam com as notas da filha; ralavam-se era com as escolhas religiosas dela. Isto para mim não é normal: o que é que é pior: ser ateu e ter um emprego decente ou ser muito religioso e fazer carreira a varrer ruas? Mas voltando ao que interessa: nestes casos o que se deve fazer é exactamente o que ela fez: manter a sua posição até ao fim, a menos que se passe a pensar de modo diferente, usando a razão e não agir por medo.
Apesar do que afirmei anteriormente, há ainda que considerar que pode ser pior do que o que eu descrevi e os pais cristãos (católicos ou outros) se podem tornar violentos, especialmente evangélicos fundamentalistas. Por muito menos que ser ateu (para o evangélico fundamentalista isso é um dos piores crimes contra deus), uma menina de 7 anos foi espancada até à morte e era regularmente espancada (ela e os irmãos) com cintos, paus, tubos, etc, tudo isso um nome de deus. Segundo a descrição que fizeram do corpo nas notícias da CNN, a criança parecia uma vítima de um sismo (1). Nem sequer mostraram os ferimentos mais graves da menina (já morta) e da irmã para evitarem o choque de quem estivesse a ver as notícias. Portanto, quando alguém ainda é jovem (normalmente entre os 10 e os 18 anos) e ainda vive na mesma casa que a família é aconselhável que em casos em que os pais sejam muito religiosos e tenham comportamentos violentos normalmente ou, mesmo que não tenham, se forem cristãos evangélicos fundamentalistas, irritando-se facilmente quando o assunto é religião, e cujo discurso habitual seja algo como: «A evolução é uma mentira vinda do inferno e os evolucionistas parecem possuídos», ou «O ateísmo leva à imoralidade» *, nem pensar em dizer nada antes de saírem de casa e quando disserem, que seja de preferência por telefone ou carta, ou e-mail, algo do género. Aí podem dizer tudo o que pensam. Mas já sabem que não podem contar mais com os vossos pais.
É preciso ter em atenção que não estou a estender isto a todos os cristãos evangélicos; como eu disse, o feitio das pessoas também conta, não apenas a devoção religiosa. Mesmo entre os cristãos evangélicos há pessoas tolerantes e que tentam conversar em vez de partir para discussões ou violência.    
Ainda bem que os meus pais não eram religiosos (nem violentos)! 

Ref.:




*Baseado no discurso do Mats. 

P.S. Este era um post já antigo (http://allthatmattersmaddy32.blogspot.pt/2013/06/ateismo-como-dizer-pais-cristaos-que-es.html), mas que pelo facto de poder ser útil, foi republicado. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Evolução: Órgãos vestigiais

Há bastante tempo que tenho andado a ler coisas publicadas por criacionistas (não necessariamente em português) em que eles dizem que muitos órgãos que se pensavam ser vestigiais afinal não são. Mas um problema comum era que eles usavam para comporem os argumentos definições de órgão vestigial que não são as verdadeiras (isto é, órgão sem qualquer função). 
Aqui está uma boa definição (via Pharyngula) de órgão vestigial: 

«Vestigial organs are relics, reduced in function or even completely losing a function. Finding a novel function, or an expanded secondary function, does not make such organs non-vestigial.» - São relíquias, cuja função original se encontra reduzida ou já não existe. No entanto podem ter outras funções

Exemplos de órgãos vestigiais são a pélvis e os membros atrofiados das baleias (uma evidência sugestiva da sua origem terrestre). A nossa própria cauda vestigial. E o nosso apêndice. Por amor de deus, isto dá-se no secundário! (Pelo menos para quem escolheu ciências.) 
Já os criacionistas dizem que a definição já mudou (recentemente) para acomodar as novas observações. Mas isso é mentira. Aqui está uma citação do próprio Darwin (também via Pharyngula): 

«An organ, serving for two purposes, may become rudimentary or utterly aborted for one, even the more important purpose, and remain perfectly efficient for the other.»

Como vêem, ninguém está a fugir à refutação. Excepto os criacionistas - mas isso é outra história.  




Evolução (rápida) do cérebro humano

Agora mesmo deparei-me com um artigo no site da Sociedade Brasileira de Neurociência sobre um estudo sobre a evolução do cérebro humano, que, ao que parece foi mais rápida do que nos outros animais, incluindo nos outros primatas. No artigo, lê-se o seguinte: 

«Cérebro humano tem evolução única Segundo estudo, ele se desenvolve mais depressa do que o de qualquer espécie Alok Jha escreve para ‘The Guardian’: A sofisticação do cérebro humano não é simplesmente resultado de uma evolução constante, segundo nova pesquisa. Ao invés disso, os seres humanos são animais privilegiados com cérebros que se desenvolveram num tipo de evolução extraordinariamente rápida, única entre as espécies. "Nosso estudo oferece a primeira evidência genética de que os humanos ocupam uma posição única na árvore da vida", disse Bruce Lahn, professor-assistente de Genética Humana na Universidade de Chicago e pesquisador do Howard Hughes Medical Institute. A pesquisa de Lahn, publicada esta semana na revista especializada Cell, sugere que os seres humanos evoluíram suas capacidades cognitivas (relacionadas ao conhecimento) não por causa de algumas esporádicas e acidentais mutações genéticas - como é a forma normal peculiar às coisas vivas...»

"Ocupam uma posição única na árvore da vida"... Eu pensaria duas vezes antes fazer uma afirmação como esta. Não, os humanos não são propriamente privilegiados, eles como tantos outros animais, plantas bactérias, fungos, whatever, adaptaram-se ao seu ambiente, mas no caso do cérebro, o processo evolutivo foi mais rápido, devido, segundo os investigadores, à acção da selecção natural. E isto não é certamente evidência de que algum deus interveio (escusam de pensar em afiambrar-se, cristãos). Note-se que é "selecção natural", não "selecção divina" (chiça! Terei mesmo de constatar o óbvio? Infelizmente acho que sim). 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Como me tornei ateia: O meu percurso até agora

Não, não houve qualquer tipo de "desconversão" de nenhuma forma de cristianismo. Eu nunca fui muito cristã.  A maior parte do tempo, até uma certa idade (10, 11 anos), nunca pensei muito no assunto da existência de deus e quando pensava era mais um "se deus existe, então...", portanto nunca acreditei firmemente num deus (julgo já ter escrito sobre isto no meu outro blog, mas aqui vai). 
Desde garota que os meus pais nunca me ensinaram criacionismo, antes pelo contrário, ensinavam que descendíamos de um animal tipo macaco e que a vida na terra já evoluíra. Encorajaram-me a pesquisar sobre outras religiões, incluindo religiões da antiguidade, e nunca me impuseram uma crença em deus, até porque os meus pais eram agnósticos - no sentido de que normalmente me diziam "não sei" (acho que, pelo menos agora, são ateus - pelo menos o meu pai). Também não eram muito de ir à igreja de um modo geral. No entanto, tinha uma madrinha muito católica, que pressionou a minha mãe, dizendo-lhe que seria bom para a minha formação, etc., para que eu fosse à igreja (e até para ela a substituir durante uns tempos na catequese quando esteve doente). Assim, eu acabei por, durante cerca de um ano e meio ao todo, ir à missa mais ou menos regularmente e à catequese, portanto também tive a minha quota parte de contacto com o cristianismo (católico, felizmente), ainda que muito menos do que a maioria dos ateus que conheço (pessoalmente e não). O meu ateísmo propriamente dito começou quando eu tinha já quase 11 anos (para mais detalhes, ver: http://allthatmattersmaddy32.blogspot.pt/2012/12/por-que-nao-acredito-em-deus-reeditado.html), mas só mais tarde me interessei pelo estudo da evolução e da origem da vida. 
Os meus pais também nunca me obrigaram a ter aulas de religião e moral, pois queriam que eu fizesse as minhas próprias escolhas, achando que já bastava os contactos que tinha tido em pequena, não queriam que me impusessem a religião nas aulas e pensaram até que as aulas de religião e moral me fariam odiar a religião e os religiosos, pois já tinham ouvido muitas queixas da conduta dos professores, e isso eles também não queriam (e eu concordo, fomentar o ódio seja a quem ou ao que for numa criança é péssimo). Isso gerou algum conflito com professores, mas nada que não acabasse por se resolver a bem.
A estranha devoção dos meus colegas sempre me fez uma certa espécie, até quando ainda não era propriamente ateia. Sair da cama de propósito e ajoelhar para rezar. Rezar, rezar, rezar sem nunca obter resposta... Enfim! Quando tinha uns 12 anos concluí definitivamente que não havia evidências para a existência de deus e que, mesmo os que aceitavam o que a Bíblia dizia como facto, faziam-no por fé (ver evidências que me podem converter: http://allthatmattersmaddy32b.blogspot.pt/2014/06/porque-nao-acredito-em-deus-parte-2.html). Mas para eles era facto... Para mim acreditar sem "provas" (bem, mais propriamente evidências) não era maneira de se decidir fosse o que fosse relativamente à realidade. A questão do mal também influenciou - um deus infinitamente bom, que nos ama não comete as atrocidades que ele cometeu, nem deixa atrocidades acontecerem, portanto, esse deus não existia e quanto muito podia existir um deus mau, que eu não iria venerar. Agora (e já há muito tempo) essa questão é secundária no meu ateísmo - eu prefiro focar-me no facto de não haver evidencias para a existência de deus e haver evidências que contrariam os contos de fadas da Bíblia como o Génesis. Noutro texto eu escrevi que quando cheguei a este ponto teria 15, 16 anos, mas penso que foi mais cedo (13, 14 anos). Depois, aos 15 anos, começou o interesse no estudo da origem e evolução da vida e esse foi o pico do "boom" de descrença e aversão à ideia (completamente infantil) de deus. A partir daí, até cerca de meados de 2011 não pensei muito mais no assunto. Mas quando voltei à questão da (in)existência de deus, voltei à carga...

P.S. Na minha família há muitos ateus e pouco devotos; pergunto-me se será em parte genético. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Preguiça

A minha preguiça é altamente resistente. Há cerca de 4 anos que não me dava um ataque tão grande, de tal maneira que nem tenho conseguido ir às aulas. Pouco estudo, pouco trabalho, mas tudo tem os seus limites. E eu ainda por cima tenho alguns problemas de atenção/concentração e em manter o interesse nas tarefas (imaginem, se assim não fosse, quais seriam os meus resultados com pouco esforço, se mesmo com isso até são bons?). Eu sei que tenho que combater a preguiça - e hoje já fui às aulas da tarde, mas de manhã vai ser impossível como isto anda. Bolas...