Este blog é a continuação do meu velho blog com o mesmo título e vai tratar de assuntos diferentes, como psicologia e neurociências, mas também de evolução como anteriormente, um pouco de filosofia de vez em quando, ateísmo e religião - e isso inclui demolir argumentos criacionistas (e escarnecer deles).
Não, não é. Além de se ter em conta a evolução dos micróbios, como vírus e bactérias (seja quando for que a resistência tenha evoluído - recentemente ou não) quando se tratam doentes infectados com medicamentos, aos quais eles podem ter evoluído resistência ou não (sim, sim as bactérias evoluem resistência aos antibióticos - e ainda que a evolução delas tenha sido antes dos humanos descobrirem os antibióticos (naturais), elas adaptaram-se ao seu meio, evoluindo a resistência. Sobre evolução da multi-resistência da tuberculose: http://allthatmattersmaddy32.blogspot.pt/2013/06/evolucao-e-saude-iii-teoria-da-evolucao.html), modelos animais em ensaios clínicos são usados muitas vezes de acordo com a sua proximidade evolutiva (usam-se mais ratos em vez de lagartos, se é que estes alguma vez foram usados), ou de acordo com as estruturas mais ou menos conservadas, como o núcleo da amígdala, por exemplo, em pesquisas recentes: «Heavy reliance on animal models is justified in the study of fear responding and the amygdala given how strongly conserved the amygdala nuclei involved in responding to conditioned threats are across species ranging from reptiles to birds to rodents to primates (LeDoux, 2012).» (1) Até na área da engenharia e da informática (algoritmos evolutivos) a teoria da evolução tem aplicações (ver "O Relojoeiro Cego", de Richard Dawkins). Os criacionistas (o Mats do "Darwinismo" e outros*), por exemplo, insistem que a teoria da evolução é inútil. Certamente que para algumas coisas é - por exemplo, para arquitectura de interiores. Para fazer sapatos! Whatever... Ref.: 1. Front Hum Neurosci. 2013; 7: 181. (Published online May 10, 2013. Prepublished online Mar 1, 2013.) doi: 10.3389/fnhum.2013.00181, PMCID: PMC3650475, "What can we learn about emotion by studying psychopathy?", Abigail A. Marsh (disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3650475/)
*Nota: Ver em: http://allthatmattersmaddy32.blogspot.pt/2012/12/evolucao-saude.html
(comentários); http://darwinismo.wordpress.com/2014/08/29/professor-de-genetica/
(citando Maciej Giertych: “É comum eu contribuir para capítulos que se focam
na genética, e posso dizer que não conheço dado biológico algum, relevante para
a genética das árvores, que necessite duma explicação evolutiva.Eu posso muito bem desempenhar
a minha profissão alegremente sem nunca mencionar a teoria da evolução.” – Duvido muito, pelo que eu própria estudei
de genética.)
Desde
afirmar (sem gozos) que o Richard Dawkins é satânico, a dizer que a camada
relativamente fina de poeira da Lua (que afinal não é fina, é bem grossa) é
evidência para uma Terra jovem:
Certo criacionista no
"Darwinismo" resolveu responder a certos comentários meus sobre a
preservação (provavelmente facilitada pela presença de ferro) de tecidos
fósseis da seguinte forma:
«Há uma diferença entre ciência e pseudociência, quando se tenta adivinhar algo
ignorando o método cientifico e seu item observacional, já não é mais ciência,
mas sim pseudociência! Não se pode negar uma possibilidade, e decretar que uma
posição é a verdadeira usando de adivinhações, ou seja. utilizar experiencia de
tempo de 2 anos, e pressupor que foi a causa de um resultado de supostos 60 (no
minimo), é pura adivinhação. Ninguém fabrica remédios trabalhando com
adivinhações, mas sim RESPEITANDO o método cientifico.»
Que comentário mais despropositado… O que tem isso a ver com os meus últimos
comentários em específico? Nada, claro. Se ele fala da evolução, os cientistas
têm um belo registo fóssil para a evidenciar (como facto), e os meios
conhecidos (meios que sabemos com toda a certeza que “existiam” e ainda
“existem”) para produzir diversidade (incluindo espécies diferentes, como
se vê no registo fóssil) são as mutações, a selecção e a deriva genética – há
até casos em que relativamente poucas mutações provocam alterações anatómicas
em larga escala. Isso é a parte da teoria, e a partir daí, várias hipóteses em
concreto, para vários sistemas moleculares têm sido propostas e evidenciadas.
Mais: um facto que sugere que este processo de "modificação" dos
descendentes (através de mutações e recombinação, que são inevitáveis com a
reprodução) - e claro, as consequências (também inevitáveis) da interacção da
diversidade com o meio, é o padrão de semelhanças e diferenças que faz uma
árvore genealógica, como seria de esperar se os seres vivos se fossem
reproduzindo e divergindo normalmente, com tudo o que é inerente à reprodução,
isto é, ao passar das gerações - o registo fóssil mostra-nos divergência de
linhagens e é isso que ocorre quando uma população se “separa”, os indivíduos
se continuam a reproduzir e, com isso vão aparecendo mutações, vão havendo
pressões selectivas distintas, e deriva. E, claro, não existe (ou pelo menos
não se encontrou ainda) nada que não possa ser explicado pelos sujeitos do
costume (mutações, selecção e deriva). Querem mais? E quem são os criacionistas
para falar em "adivinhação"? Eles é que acreditam em deuses,
demónios, anjos, etc, sem quaisquer evidências. Eles sim, confiam na
adivinhação de pessoas da idade do bronze. Que se f*da a realidade, não é,
senhores criacionistas?
Actualização: Os criacionistas "contra-atacam". O criacionista "Jephsimple", respondeu no seu tom irritante do costume, em parte da mesma maneira, que já me entedia. Uma das coisas que ele escreveu, e a minha resposta:
«Os cientistas tem um belo registro fóssil que apoiam a evolução???? Que eu saiba o registro fóssil é monstro que Darwin temia…» - Sim, têm. O registo fóssil mostra-nos mudança ao longo do tempo com formas intermediárias, e divergência de linhagens - e é isso que ocorre quando uma população se “separa”, os indivíduos se continuam a reproduzir e, com isso vão aparecendo mutações, vão havendo pressões selectivas distintas, e deriva.
Ainda sobre os fósseis: «http://www.thegrandexperiment.com/whale-evolution.html - Museus cheios de crânios, esqueletos e reconstruções que são falsas» - "Today, the whale hind parts are internal and reduced. Occasionally, the genes that code for longer extremities cause a modern whale to develop miniature legs (known as atavism)." (http://en.wikipedia.org/wiki/Evolution_of_cetaceans#Skeletal_evolution) - O que é que isto evidencia? Talvez aqueles nem fossem os fósseis "certos". E o resto - anatomia e genética? Vai ignorar?
Sim, os criacionistas ignoram aquilo que não "cabe" no que diz a sua limitada Bíblia. Mais uma vez, que se f*da a realidade!
Actualização (2): O mesmo criacionista que iniciou a discussão comigo respondeu da seguinte forma:
«Não estava falando de Teoria da Evolução, mas do experimento utilizado na objeção ao tópico, 2 anos não é o suficiente para decretar que o mesmo ocorreu em, no mínimo, 60 milhões de anos. Utilizar isso é pura adivinhação e não ciência. E sobre Teoria da Evolução, não há nada, respeitando o método cientifico, que sustente a transformação molécula-homem absolutamente nada. Utilizar características comuns dentro da diversidade dos seres, como visto nos fósseis, para decretar um ancestral em comum, também passa longe de ciência, é pura interpretação subjetiva, posso dizer que os fósseis mostra um Projetista em comum, ao invés do ancestral. Como falei, não se fabrica remédios a base de adivinhações, e sim respeitando o método cientifico.» - Ao que respondi: «Não estava falando de Teoria da Evolução, mas do experimento utilizado na objeção ao tópico, 2 anos não é o suficiente para decretar que o mesmo ocorreu em, no mínimo, 60 milhões de anos. Utilizar isso é pura adivinhação e não ciência.» Adivinhação é decretar que é porque não tem milhões de anos. Quanto muito não se sabe.
«E sobre Teoria da Evolução, não há nada, respeitando o método cientifico, que sustente a transformação molécula-homem absolutamente nada. Utilizar características comuns dentro da diversidade dos seres, como visto nos fósseis, para decretar um ancestral em comum, também passa longe de ciência, é pura interpretação subjetiva, posso dizer que os fósseis mostra um Projetista em comum, ao invés do ancestral.» Duas palavras para si: padrão genealógico (atente no “genealógico”, não é um padrão qualquer de semelhanças e diferenças, como entre cadeiras, mesas e bancos, por exemplo).
Entretanto, não me parece que os cientistas estejam assim com tantas dúvidas sobre se é antigo ou não, e acho que podem encontrar algo que providenciou um modo de preservação excepcional.
E do jephsimple chega-nos mais um chorrilho de asneiras, entre elas: «Não existe mudança ao longo do tempo nenhuma, o que existem são organismos TOTALMENTE PRONTOS» – Ao que eu respondi: Três palavras para si: Fósseis de transição – o Mats não sabe (ou pelo menos não sabia) o que são. Será que o Jeph sabe?
Reparei agora que a minha abordagem a este tema pode propiciar o estereotipar de certos grupos, mas quando se pensa/analisa este tipo de doença (mesmo sem ser clinicamente, como amigo ou familiar) há que ter em conta que dentro destas classificações todas existe variabilidade. Existem vários subtipos de cada transtorno (que podem apresentar características de outros) e dentro desses subtipos existe também variabilidade entre indivíduos e amostras. Um exemplo dessa variabilidade pode ser confirmado num estufo com mulheres presidiárias psicopatas - em que o tipo primário não exibia uma reacção de stress reduzida como noutras amostras (tanto de mulheres como de homens) (1). Até pelos estudos citados anteriormente com mulheres borderline se vê que há diferenças no funcionamento do cérebro em pacientes que se podem incluir no mesmo transtorno. Não convém estereotipar em excesso, tem que se contar com variabilidade - e isto aplica-se também a qualquer população que se observe. É normalmente aqui que os criacionistas falham: ou não se apercebem (ou fingem que não se apercebem) que a variabilidade é algo natural numa população devido às mutações. Pode ser reduzida e reposta. Certas variantes podem estar mais ou menos adaptadas ao ambiente/mudança ambiental. E é assim que actua a selecção natural. Ref.: 1. Personal Disord. Jan 1, 2010; 1(1): 38–57. doi: 10.1037/a0018135, PMCID: PMC2889701. "Validating Female Psychopathy Subtypes: Differences in Personality, Antisocial and Violent Behavior, Substance Abuse, Trauma, and Mental Health", Brian M. Hicks et al. (disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2889701/)
Sim, as passagens de modelos com mulheres da "vida real" - sim, porque a maioria das mulheres com quem convivemos e nos cruzamos no dia-a-dia encaixam neste espectro algo diverso e não no que estamos habituados a que nos chegue através do Fashion TV. Mulheres com curvas - peito, rabo, ancas, cintura e pernas que se vejam, mais saudáveis no geral do que o que vemos nas passagem da Victoria Secret - e a roupa, nada má.
À
primeira vista, qualquer pessoa com um transtorno de personalidade parece estar
em desvantagem, cada qual à sua maneira. Como exemplo, um paciente com
transtorno borderline é muito temperamental, sente muito fortemente as emoções
(mais do que o esperado de acordo com a situação), tem problemas de controlo de
raiva, irritabilidade e impulso, necessita de estimulação - à semelhança do que
acontece em pacientes com psicopatia secundária (o tipo mais neurótico) (1),
por exemplo. A mulher borderline é a típica cabra raivosa, com ataques
psicopáticos (apesar do nível de empatia emocional variar, podendo encontrar-se
diminuído ou não - e muitas vezes não é "utilizada" no dia a dia devido
ao turbilhão emocional do próprio - no que se relaciona com sentimentos de
compaixão e pena - sim, sentir pena está relacionado com a reacção empática,
mas é o nível menos exigente, devido ao distanciamento - e poderem atingir
níveis mais altos de desconforto emocional face ao sofrimento de outros em
relação aos indivíduos usados para controlo (2)), por vezes com sentimentos de
omnipotência, depressiva ou maníaca, a pular de relação amorosa em relação
amorosa, outras vezes apenas de relação sexual em relação sexual (3, 4). O que
é que isto tem de vantajoso/adaptativo? À primeira vista, nada. É verdade que
não comecei por um dos melhores transtornos neste aspecto (pelo menos a meu
ver). Mas é de notar que mesmo nestes pacientes, em bastantes casos as piores
partes não levam a melhor - tornam-se bem sucedidos, e quem sofre de transtorno
borderline "construiu" várias defesas adaptativas, que o tornam mais
resistentes à adversidade - por exemplo, defesas narcisistas e desvalorização
de pessoas em relação às quais existe uma ambiguidade de sentimentos (4) - e
assim, mais provavelmente do que se deixassem "ir abaixo" por
completo com problemas de auto-estima e ansiedade (em comparação com pessoas
com transtorno de personalidade depressivo, por exemplo), eles atingem a idade
adulta (de reprodução) e vivem mais tempo. Sim, certos transtornos de personalidade trazem
vantagem aos indivíduos em comparação com outros transtornos de personalidade,
e alguns até suplantam os "normais" ou neurotípicos. O exemplo que
salta mais à vista é o psicopata primário (embora o nível do valor adaptativo
se estenda também ao narcisista* anti-social): não sente remorsos, não
estabelecem relações afectivas, ou seja, relacionam-se apenas a um nível
superficial, geralmente sentem pouca ou nenhuma empatia pelos outros (não se
sentem mal como eles, nem por eles, nem compaixão), têm défice emocional. É
também promíscuo, narcisista, egocêntrico, impulsivo, manipulador, mentiroso
patológico, ilude os outros com o seu charme superficial, tem dificuldade em
aprender com os erros, pode ser caracterizado como "amoral" e sofre
de tédio, necessitando de estimulação. Tolera mal a frustração, ficando
enraivecido e é vingativo. Existe um teste (profissional) de psicopatia e
transtorno de personalidade anti-social (do qual a psicopatia é considerado um
subtipo), em que estas características são classificadas pelo próprio paciente
(acompanhados por um profissional) com os números 0 (não se aplica), 2
(aplica-se) e 1 (aplica-se menos relativamente a outras características) (5).
Se a isto associarmos uma inteligência pelo menos um pouco acima da média,
temos alguém que tem facilidade em tomar decisões controversas (sobretudo
moralmente controversas), tem facilidade (sobretudo moral, também) em ludibriar
outros para atingir os seus objectivos, auto-estima elevada, que provavelmente
valorizam a imagem e a posição social (que depende bastante da profissão), e
tendo inteligência suficiente, acabam por ser pelo menos razoavelmente
realizados. Quando o público em geral (leigo) pensa em psicopatia, tende muito
provavelmente a visualizar um assassino, normalmente em série, ou pelo menos um
criminoso irremediável, que acaba morto ou na prisão durante imenso tempo,
devido à sua representação na televisão, no cinema e até na literatura. Mas,
dependendo das capacidades intelectuais de cada um, os psicopatas podem ser
médicos, advogados, banqueiros, economistas, empresários, ou ter um emprego
que, pelo menos, os sustente. Em termos evolutivos, um psicopata (sobretudo o
psicopata do sexo masculino) tem boas probabilidades de se reproduzir (é
promíscuo, mas pouco afectivo, pode servir-se do seu charme superficial,
facilidade em mentir, enganar e manipular para arranjar parceiras) e tem mais
probabilidade de abdicar de participar na educação dos filhos, deixando-os com a
parceira, logo menos custos para o próprio. Podem muitas vezes chegar ao topo
(ex.: numa empresa), bajulando, manipulando ("enrolando"), mentindo,
e até aumentando o desempenho, quando disso depende algo importante, como uma
promoção. O psicopata secundário é mais medricas, mais neurótico, menos
dominante socialmente e tem mais características do transtorno borderline do
que os psicopatas primários.Mas
tal como estes é promíscuo, pouco afectivo, pouco empático, portanto não tem
problemas (ou tem menos) em mentir, enganar, manipular ou tomar decisões
moralmente controversas e não sofre com problemas de auto-estima. É por
vezes designado por sociopata, que é um termo antigo e por vezes também usado
para descrever outros pacientes anti-sociais (1, 6) (os que sofreram acidentes
que provocaram o transtorno, ou indivíduos com um sentido de "bem" e
"mal" diferente do que era de esperar dado o contexto cultural em que
foi criado, tendo provavelmente algo afectado no circuito empático (6)), o
que só vem criar confusão. Será possível que algum dia a população
humana seja dominada por psicopatas (as evidências sugerem que é hereditário,
pelo menos no caso da psicopatia primária)? A (hipotética) pressão selectiva
não me parece suficientemente forte. Actualização: Como já anteriormente referi, mais do que um transtorno de personalidade pode coexistir num paciente - Uma conjugação possível é borderline + psicopata, mais sensível, emocional e vulnerável do que o psicopata "puro" (e provavelmente com problemas de abandono - namorados e namoradas, cuidado), mas mesmo assim com muitas das características, incluindo empatia diminuída, falta de remorsos e falta de escrúpulos, que dão potencial para o sucesso ao psicopata.***
*Falta de
empatia (como mencionado num texto anterior) e remorso, entre outras são também
características do transtorno de personalidade narcisista - o máximo que
conseguem sentir, de acordo com profissionais que trabalharam com esses
pacientes, é um ligeiro desconforto porque têm motivos egoístas para querer que
fique tudo "bem" - a aparência de perfeição está ameaçada - mas não
pelos sentimentos da outra pessoa, pelo que podem explicar-se (muitas vezes
evitando pedir desculpa) ou tentar compensar a pessoa e
reparar superficialmente a relação, é raro assumirem a culpa por
completo e tendem a racionalizar (ver testemunho aqui:http://thenarcissisticlife.com/the-narcissist-and-apology/)
Conselhos
para quem lida (ou pelo menos está convencido de que lida) com um parceiro,
amigo ou familiar com um destes transtornos de personalidade:Se é um psicopata (primário ou secundário), fujam, não
tenham pena e muito menos compaixão deles – eles jogam com as vossas emoções e
empatia, por vezes só para vos poderem arreliar durante mais um bocadinho
depois disso. Para eles é um jogo – até a vossa relação pode ser um jogo, cheio
de enganos e mentiras. Se é borderline, convençam-no (manipulem-no - lol) a ir
ao psicólogo, psiquiatra ou ambos, se tiverem intimidade suficiente - e só
nessa situação é que interessa. Se não têm essa intimidade, afastarem-se é uma
opção. Se é anti-social ("sociopata"), provavelmente é criminoso ou
tem tendências criminosas. Fujam. Quanto aos narcisistas, existem subtipos mais
vulneráveis e menos vulneráveis – até com tendências psicopáticas. Dos
primeiros, afastem-se sem conflito, se passarem na rua podem retribuir um olá.
Se forem conjugues, podem tentar a terapia conjunta – ou o divórcio. Dos
últimos, fujam. Eu gosto de pensar nos transtornos de personalidade da seguinte
forma: o psicopata primário é o maquiavélico, mentiroso, pouco emocional, pouco
empático, sem remorsos, o psicopata secundário é o irmão “rabugento” e
medricas, o anti-social é o primo delinquente, o narcisista é o primo
convencido, o borderline o primo sensível, e o histriónico é o dramático e
superficial, mas mais empático e afastado (são todos transtornos do
cluster B). Gosto da analogia dos primos porque todos têm algo em comum, e
também diferenças que são decisivas para o diagnóstico.
Por
último, deixo um conselho aos fãs do Sherlock Holms (BBC): não se deixem
manipular pelo malandro, a dar um tom mais "soft" e por isso mais
"aceitável" à sua condição de psicopata (ou pelo menos, tendências
psicopáticas), o que pode também ser interpretado como arrogância, e por
isso intimidativo, em certos contextos. “High functioning sociopath”
é uma designação com pouco préstimo em termos de diferenciação - a parte do
"sociopath", pois é usado também para descrever dois outros grupos de
indivíduos anti-sociais, e não só o psicopata secundário. Apesar do
“sociopata” ser visto pelo público (e uma pesquisa rápida online evidencia-o)
como um paciente com uma forma menos grave de psicopatia, nenhum dos grupos ou
o subtipo de psicopatia que pode designar se traduz num impacto social menos
grave do que o subtipo primário – até podem ser piores. Não há razão para "sociopata" ser mais aceitável do que "psicopata", pelo menos em termos de comportamento e impacto. "High
functioning", se quiser apenas dizer inteligente e por isso bem sucedido,
está obviamente correcto e diferencia-o do tipo de caso mais
exposto ao público, portanto seria uma observação pertinente. Nem todos os
psicopatas são bem sucedidos, alguns acabam presos ou mortos pela polícia ou
sistema de justiça. Uma interpretação alternativa é que ele se apresenta como um "sociopata" (ou um psicopata secundário, neste caso) e reage forçadamente como um por achar que isso o livra de qualquer fraqueza (ou pseudo-fraqueza) que ele tenha.
Maciej
Giertych é o que cá em Portugal se poderia traduzir por engenheiro florestal e
auto-intitulado geneticista e professor de genética. Não tem nenhum grau
académico em nenhuma área da genética, mas sim (provavelmente) alguma formação
académica a nível da licenciatura em algo que se pode traduzir por engenharia
florestal aqui em Portugal, que terá sido o suficiente para fazer uma tese sobre
genética florestal e, possivelmente, ter alguns artigos que tocam no assunto
publicados – o que não faz dele um “geneticista”. Um geneticista é um médico ou
biólogo com uma “especialização” (com instrução académica) em genética. O que
ele tem não é uma especialização, é formação geral durante uma licenciatura. O
trabalho dele valeu-lhe um grau designado “habilitation” duma universidade que
ainda não era universidade, então é provável que o grau de exigência não seja
comparável ao que normalmente se designa “habilitation”, portanto nem por aí os
criacionistas, seus fãs, podem pegar. Para verem o disparate, isso é comparável
a chamar geneticista a um psicólogo só porque teve uma ou duas disciplinas de
genética na universidade e fez uma monografia sobre, por exemplo, evidências para a hereditariedade da psicopatia (ou outra doença qualquer), ou a um bioquímico (que tem em muitos casos a mesma “dose”
de formação académica no assunto). Os criacionistas adoram-no, mas vários
cientistas de vários países protestaram sobre os disparates que ele escreveu
para a Nature (1) e que repetiu (e acrescentou) noutros lados (2) (e refutaram
ou desmentiram alguns entretanto) (3). Se ele é professor de genética, então
nesse caso, eu teria o cuidado de pôr os meus filhos (se os tivesse) numa
universidade onde ele não trabalhasse.
Ele quer levar o público leigo (sim, porque com a comunidade científica não tem hipótese) a acreditar que o facto da deriva genética e da selecção natural reduzirem a variabilidade é um problema para a evolução.
«A microevolução, a formação das raças, é um facto; as populações adaptam-se aos ambientes específicos com os alelos mais bem sucedidos a aumentarem de número enquanto que os outros diminuem de frequência ou desaparecem por completo. As alterações podem também ocorrer devido à perda acidental de alelos (deriva genética) em populações pequenas e isoladas. Ambas nada mais são que um declínio na informação genética, mas a macroevolução requer um aumento da informação genética.»
Claro que não é nenhum problema, pois a variabilidade é reintroduzida pelas inevitáveis mutações (no caso da selecção basta aliviar a pressão selectiva) e eles saberiam que não é problema se estudassem um pouco. Actualmente há recursos, inclusivamente online, acessíveis a todos (4). Além disso, para aumentar a informação (seja em que sentido for) temos a duplicação de genes combinada com mutações pontuais. Como vêem, não há problema. Se é possível que ocorra extinção em espécies já ameaçadas e com populações pequenas? Sim. Mas isso não impede que outras populações continuem a evoluir. E registo de extinção é o que não falta - cerca de 90% das espécies. umas extinguem-se, outras evoluem. Como actualmente. Como não podia deixar de ser, o Mats traduziu o texto do Giertych (e concorda com todos os disparates). Um dos seus seguidores criacionistas comentou o seguinte (citando vários artigos):
«O que percebo é que se pega um ponto aqui e outro ali para se debater e poucos possuem uma visão completa, da dimensão que este debate precisa, que inclui diversas perspectivas em diversas áreas em seu desenvolvimento. Tal perspectiva geral, ao meu ver , é muito importante para que o debatedor adentre aos portais da disputa, sabendo os pontos mais importantes que estão em jogo. Separei alguns pontos que percebo serem cruciais nesta discussão. Antes de tudo, todos devem procurar buscar entender que o raciocinio do paradigma atual darwinista, quando Darwin, usando as observações sobre a perspectiva da biodiversificação de especies (que ocorre e que é patente diante de muitos experimentos até em tempo real ) , para se projetar na geocronologia de Lyell , com seres fósseis distintos nas bases e camadas consideradas mais antigas, serem lógicos e por isso foram convalidados como teoria pela ciência atual. PORTANTO, é necessário que se saiba o que está se discutindo nos níveis:
1. BIOLÓGICO – precisamos divulgar e estudar os trabalhos de “descontinuidade sistemática” entre grupos de especies para verificarmos os limites versus ancestralidade totalmente comum (sem limites) http://ncse.com/rncse/26/4/baraminology
2. GENÉTICO – Como nos divulgou Sergei Matsenko, a forte opinião do professor de genética, Maciej Giertych, demonstra um resumo das posições em conflito entre criacionismo e teoria da evolução http://bit.ly/1lzsChH , é preciso conhecer os trabalhos recentes do Dr J C Sanford (Entropia genética) e os trabalhos do Dr Gerald Crabtree (Fragil intelecto, publicado na TRENDS em 2010) para só então perceber o que está em jogo.
2. GEOLOGIA SEDIMENTOLOGIA – Precisamos estudar a geologia catastrofista e a formação simultanea das camadas (BERTHAUT) em contraste com a GEOLOGIA GRADUALISTA DE LYELL EM QUEM DARWIN SE APOIOU http://www.sedimentology.fr/
3. DATAÇÃO – Precisamos estudar e divulgar questionamentos aos métodos de datação radiométrico http://www.icr.org/rate/ bem como saber pelo mesnos algumas das mais de 100 perspectivas datacionais que combatem E DISPUTAM COM o paradigma geocronologico atual…
4.PALEONTOLOGIA TRANSICIONAL E PALEONTOLOGIA EM T - Temos que estudar o pontualismo que tenta justificar a falta de transicionais graduais na coluna geológica, reclamados pelos criacionistas durante 150 anos, e defendidos pelos darwinistas até recentemente, e que cessou quando Gould apresentou a tese saltacionista que defende transformações rapidas biologicas , mais escassez de variação devido preservar mais especies “na moda” entre outros argumentos. E entender a PALEONTOLOGIA EM T que é uma tese que desenvolvo desde 2010. Representa o numero pequeno de especies na coluna geologica em contraste com numero grande de especies na atualidade formando a imagem de um T. (...)
4. ORIGEM DA VIDA – precisamos estudar quimica e bioquimica, no livro FOMOS PLANEJADOS do Marcos Eberlin , artigos do stephen Meyer, Behe e outros da discovery… para combater ideias de abiogenesis, panspermia, etc que fazem a ciencia passar muita vergonha com artigos reputando ao nada a origem de tudo.... (Sic)»
O último ponto (sobre os fósseis), pelos resultados de uma pesquisa rápida online, parece-me uma invenção criacionista, pois não encontrei nenhum artigo sério sobre o assunto. Quanto ao resto, o meu comentário:
«Relativamente ao ponto 1, ao menos leu o artigo que citou? Da conclusão do artigo em 1: «Despite its use of computer software and flashy statistical graphics, the practice of baraminology amounts to little more than a parroting of scientific investigations into phylogenetics. A critical analysis of the results from the one “objective” software program employed by baraminologists suggests that the method does not actually work. The supremacy of the biblical criteria is explicitly admitted to by Wood and others (2003) in their guidebook to baraminology, so all their claims of “objectivity” notwithstanding, the results will never stray very far from a literal reading of biblical texts.»
O mesmo para o artigo citado no ponto 2: «Our experiments on the formation of strata are fundamental because they demonstrate, ‘inter alia’, that in a continuous turbulent current many superposed strata form simultaneously and progress together in the direction of the current; they do not form successively as believed originally. These experiments explain a mechanism of strata building, showing empirically the rapid formation of strata.» – Como indicado neste parágrafo, são precisas condições específicas (catastróficas), que provavelmente não se aplicam, em todos os casos, nem numa maioria, e é possível diferenciar se o tempo que passou entre camadas foi muito ou pouco (mais sobre o assunto aqui: http://www.theotokos.org.uk/pages/creation/berthaul/henke.html).
«precisamos estudar quimica e bioquimica, no livro FOMOS PLANEJADOS do Marcos Eberlin , artigos do stephen Meyer, Behe e outros da discovery…» Pode começar pelo básico da bioquímica e da genética molecular (pode dirigir-se a uma faculdade perto de si, ou simplesmente a uma biblioteca), continuar para a literatura científica (sabe, aqueles artigos que aparecem quando pesquisa no pubmed, sujeitos a revisão de pares), e só depois deve ler os disparates dos criacionistas, já com “bagagem” para perceber (pelo menos em parte) porque estão errados. Comentários e críticas de cientistas da área sobre o assunto também costumam ser úteis (para quem tem capacidade e conhecimento para perceber a matéria, claro)
Relacionado com o assunto da
acumulação de mutações deletérias aquando da diminuição do tamanho da população
(e a posterior compensação através da acumulação de mutações benéficas) temos o
artigo do geneticista de populações Michael Lynch (et al) de 2003, publicado na
revista “Evolution” (Evolution 57,
1022-1030) *. Nem neste caso a acumulação de mutações deletérias constitui problema para a evolução.
*Nota: dois dos artigos científicos citados no texto encontram-se referenciados na discussão da página da wikipédia sobre J.C.
Stanfor (a completar a página do artigo, que parece escrita por criacionistas
enviesados): http://en.wikipedia.org/wiki/Talk:John_C._Sanford