segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Textos actualizados (2)

Os seguintes textos foram actualizados ontem:

«Destruindo o argumento cosmológico (parte II)» (disponível aqui: http://allthatmattersmaddy32b.blogspot.com/2013/11/destruindo-o-argumento-cosmologico.html) [Outra vez]


«Conversas inúteis com criacionistas: genética, evolução e informação» (disponível aqui: http://allthatmattersmaddy32b.blogspot.com/2013/11/conversas-inuteis-com-criacionistas.html)


O seguinte texto foi actualizado hoje:

«1% de diferença e confusão sobre o genoma humano (parte II)» (disponível aqui: http://allthatmattersmaddy32b.blogspot.com/2013/10/1-de-diferenca-e-confusao-sobre-o.html)


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Textos actualizados


Como já é sabido, o blog está encerrado, ou seja, não vou escrever mais textos. No entanto, os seguintes textos foram actualizados:


- «Tretas dos cristãos (parte III)» (http://allthatmattersmaddy32b.blogspot.com/2013/11/tretas-dos-cristaos-parte-iii.html

- «Conversas inúteis com criacionistas» (agora «Conversas inúteis com criacionistas: genética, evolução e informação») (http://allthatmattersmaddy32b.blogspot.com/2013/11/conversas-inuteis-com-criacionistas.html)  


- «Evolucionismo teísta: a adaptação do cristianismo à ciência moderna (Adenda)» (http://allthatmattersmaddy32.blogspot.com/2013/07/evolucionismo-teista-adaptacao-do_3.html)


P.S.: É possível que o encerramento do blog seja temporário, mas não prometo nada. 

Publicado: Sábado, 21 de Dezembro de 2013  


domingo, 8 de dezembro de 2013

Ciência e religião: o que dizem as estatísticas (parte II) - Adenda

A propósito de ciência e religião, um estudo baseados nas respostas dos professores universitários dos Estados Unidos, revelou que as três áreas que abrangem uma maior percentagem de descrentes, isto é, ateus e agnósticos, entre estes são: psicologia, biologia e ciências computacionais. Relativamente à área da psicologia, a que incluía maior percentagem de descrentes (ateus e agnósticos), 61% dos psicólogos podem ser classificados como ateus (51%) ou agnósticos (11%). Na área da biologia, verificou-se a mesma percentagem em relação aos indivíduos que podiam ser classificados como ateus ou agnósticos, mas a percentagem de ateus encontrava-se na casa dos 20%, sendo os restantes agnósticos.




Muitos psicólogos têm alguma formação em biologia a nível universitário, que é provavelmente suficiente para compreender a teoria da evolução, mas não me parece que isso explique o porquê da tendência dos psicólogos para a descrença em geral e em especial para o ateísmo. Afinal os biólogos, que aprofundam as teorias das origens têm menos tendência para o ateísmo do que os psicólogos. Talvez o facto dos psicólogos estudarem as bases psicológicas e a origem evolutiva da religião explique melhor os dados. Não é por ser "inventado" que deus não existe, mas não é devido à revelação divina, mas sim aos processos mentais do ser humano que a religião, incluindo a crença em deuses existe. Isso é algo que poderá contribuir para (neste caso, desencadear) uma reflexão mais ou menos profunda sobre o assunto e durante esse processo pode chegar-se à conclusão de que não existe qualquer razão para acreditar em deuses.

Referências: 

Gross, N., & Simmons, S. (2009). The Religiosity of American College and University Professors Sociology of Religion DOI: 10.1093/socrel/srp026 (via "Epiphenom")


Nota: este texto é uma excepção - o blog está encerrado e este texto é o último.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O blog vai encerrar

Este blog vai encerrar a partir de agora.

Destruindo o argumento cosmológico (parte II)

Como já foi referido anteriormente, o argumento cosmológico é algo como isto:

Premissa 1. Tudo o que começou a existir tem uma causa
Premissa 2. O Universo começou a existir
Conclusão: logo o Universo tem uma causa.  

O argumento cosmológico serve de base para os crentes argumentarem a favor da existência do seu deus, embora isso não seja inferido directamente pelas suas premissas.   
Relativamente á segunda premissa, para lá do Big Bang não existia espaço nem tempo, tal como os físicos (Stephen Hawking e outros) demonstraram, pelo que o universo não começou a existir (no tempo) e, portanto não é possível uma causa que preceda o seu efeito no tempo. No entanto pode-se afirmar que deus pode ter começado em simultâneo e que é responsável pela criação do universo. Mas, além de não sabermos se isso é sequer possível, é preciso notar que nada está garantido, quanto ao argumento, a respeito do facto do universo ter tido uma causa, uma vez que o universo não começou a existir no sentido de que foi um evento no tempo e no espaço, mesmo se considerássemos que a primeira premissa é verdadeira, pois esta refere-se a observações relativas a ocorrências no espaço e no tempo, aqui no nosso universo.
Existem evidências de que o universo surgiu espontaneamente do nada, sem precisar de deus. Lawrence Krauss afirmou o seguinte sobre a hipótese do universo ter surgido do nada, sem qualquer acção inteligente, apresentada ao público por Stephen Hawking na sua obra «The Grand Design» (1):

« Mr. Hawking based his argument on the possible existence of extra dimensions—and perhaps an infinite number of universes, which would indeed make the spontaneous appearance of a universe like ours seem almost trivial. Yet there are remarkable, testable arguments that provide firmer empirical evidence of the possibility that our universe arose from nothing. (...) If our universe arose spontaneously from nothing at all, one might predict that its total energy should be zero. And when we measure the total energy of the universe, which could have been anything, the answer turns out to be the only one consistent with this possibility». (2)

Argumentos probabilísticos do tipo “fine-tuning”, relativamente à alegação de que as constantes físicas praticamente não podem variar para existir vida de nada contribuem para tornar mais plausível a existência de deus, porque cobrir um número suficiente de possibilidades, ou seja a existência de um multiverso, também defendida por Hawking, em conjunto com um factor de selecção, tal como o princípio antrópico é uma explicação satisfatória. È de notar que, assumindo que as duas hipóteses são igualmente adequadas, nada nos garante neste caso que a hipótese de deus seja a mais simples, pois não sabemos ao certo o que teria que ser proposto para explicar o surgimento de deus do nada e como a sua mente funcionava (e funciona), mas muito provavelmente não acabaríamos com uma hipótese mais simples.

Finalmente, nenhum destes argumentos, ainda que dessem resultado, se relaciona com a interacção de deus com o universo durante a sua evolução, incluindo durante a evolução dos seres vivos e durante a história da humanidade, ou seja, de nada serve aos teístas, que acreditam que deus interage com o universo, incluindo com o Homem.


Actualização 1:

Para visualizar o meu comentário sobre este assunto no "Pharyngula" deve-se aceder ao seguinte endereço:


http://freethoughtblogs.com/pharyngula/2013/12/16/but-mr-craig/comment-page-1/#comment-726950.

Para visualizar o texto do Dr. P. Z. Myers («But Mr. Craig...!»):

http://freethoughtblogs.com/pharyngula/2013/12/16/but-mr-craig/comment-page-1/ 

Sobre o problema de fine-tuning, pode também ser lido o texto do Ludwig Krippahl no "Que treta" (*a).
O argumento apresentado pelo filósofo Robin Collins, alega que a probabilidade de observarmos um universo como este assumindo os modelos da física é muito baixa por causa desses parâmetros soltos que é preciso ajustar mas, por outro lado, a probabilidade de haver um universo como este é muito alta se assumirmos que existe um deus que quer criar um universo assim. Assim, alegadamente, o princípio da máxima verosimilhança (*b) leva-nos a crer num deus criador.
O autor do texto aponta para o facto da existência de deus não resolver o problema como explicação, pois deus (o tal ser espiritual, transcendente, inteligente, imaterial, omnipresente, omnipotente, etc) podia querer um universo completamente diferente e inimaginável (com penicos ambulantes, dragões invisíveis, unicórnios mágicos, etc). A verosimilhança (*b) dos modelos físicos é baixa porque se integram as probabilidades por todo o espaço de possibilidades dos parâmetros livres. Mas um deus omnipotente tem uma verosimilhança nula, estando numa posição de inferioridade em relação a qualquer das alternativas. Então, deus não é a melhor explicação, mas sim a pior.


Actualização 2:

Um modelo interessante que envolve a existência de um multiverso é o modelo da inflação eterna (*a) que pode ser considerado uma extensão da teoria do Big Bang. De acordo com este, o nosso universo poderia ser um dos muitos num super-universo ou multiverso. Linde (1990, 1994) propôs que uma “espuma” de fundo do espaço-tempo  (onde partículas subatómicas vão aparecendo e desaparecendo) (*b), vazia de matéria e radiação que experimenta flutuações quânticas locais, formando muitas bolhas de falso vácuo que formam individualmente mini-universos com características aleatórias. Cada universo dentro do multiverso pode ter um conjunto diferente de constantes e leis físicas. Alguns podem ter até vida de uma forma diferente da nossa, enquanto outros podem não ter vida. Obviamente que estamos num desses universos com vida (3). Mais ainda, se há infinitos universos não é preciso afinar nada para a existência de vida. Isto é uma possível explicação para a origem do universo e de todas as constates e leis físicas. E está claro que deus está fora da equação. 

Concluindo, existem explicações interessantes relativas ao que observamos no universo (as suas constantes e leis físicas que parecem afinadas para a vida), o qual provavelmente surgiu espontaneamente do nada. Um deus omnipotente, no entanto, não explica porque é que as constantes e leis físicas são o que são, pois podia querer (e fazer) um universo muito diferente, com formas de vida muito diferentes (com as quais poderia querer estabelecer uma relação ou não), existindo inúmeras possibilidades.   


(*) Notas:
1.)
a.) «Fine-tuning e verosimilhança, parte 2», Ludwig Krippahl, 1/12/2013 (disponível aqui: http://ktreta.blogspot.pt/2013/12/fine-tuning-e-verosimilhanca-parte-2.html)
b.) Verosimilhança: http://pt.wikipedia.org/wiki/Verossimilhan%C3%A7a#Estat.C3.ADstica, http://en.wikipedia.org/wiki/Likelihood_function e http://en.wikipedia.org/wiki/Likelihood-ratio_test. Princípio da máxima verosimilhança: http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1xima_verossimilhan%C3%A7a.

2.)
a.) «Eternal inflation»
(disponível aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Eternal_inflation)
b.) «Quantum foam» (disponível aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Space-time_foam )

3.) Mais sobre os disparates do William Lane Craig aqui (http://authorofconfusion.wordpress.com/2008/06/20/william-lane-craig-bill-cooke-public-debate-palmy/). Sobre o argumento cosmológico vai de encontro ao que eu penso: 1 não foi demonstrada verdadeira - não sabemos de nada que tenha começado de raiz, não temos experiência de nada a começar a existir como o universo. Só sabemos do que se passa aqui, no nosso universo já "feito". Não temos qualquer base para dizer que tudo o que começa a existir tem uma causa. Não sabemos, pura e simplesmente.     

Referências:

1. «The Grand Design»  


2. Lawrence Krauss (2010-09-08). "Our Spontaneous Universe". Wall Street Journal.

3. Stenger, Victor J. "Is the Universe fine-tuned for us?"




Conversas inúteis com criacionistas: genética, evolução e informação


Há uns dias comecei uma conversa (*a) com um criacionista sobre RNA circular e conservação de sequências não-codificantes, relativamente às explicações apresentadas num artigo (1) recente, ao criacionismo e à questão do princípio da parcimónia (*b), segundo qual, entre duas hipóteses igualmente adequadas, deve-se escolher a mais simples e o qual em nada favorece os criacionistas. O assunto do RNA ficou para segundo plano e o criacionista que mencionou o artigo continuou a falar de parcimónia e do criacionismo (design inteligente, neste caso), mas totalmente fora do contexto do que tinha sido abordado, além de que não parecia entender realmente quais as hipóteses que estavam a ser colocadas. O mesmo indivíduo afirmou que a hipótese do design era mais simples que a da evolução por selecção natural, mutações e deriva genética, o que não é verdade porque os seus proponentes ainda teriam que apresentar os seus mecanismos e intenções. Na discussão acabou por ser abordada a questão do modo como se testam as hipóteses evolutivas. É claro que o criacionista pôs em causa que isso fosse possível, mas eu expliquei-lhe que era possível e que várias hipóteses já foram testadas. 
Um excerto que serve para resumir a parte relevante da conversa sobre este assunto é o seguinte: 

Criacionista: «Ou já agora vossa posição é não-testável, irrefutável, infalsificável?»

Eu (a pessoa normal no meio dos doidos): «Não. Relativamente ao facto da evolução [história natural]: encontrem um coelho do Câmbrico. Encontrem um fóssil de Homo erectus do Ordovícico.Relativamente às capacidades dos mecanismos evolutivos, ou seja à teoria da evolução, contestem o facto das hipóteses evolutivas relativamente ao flagelo bacteriano estarem de acordo com as observações dos cientistas – contestem as evidências de que este é o resultado de duplicações de genes e diversificação (tudo isso ocorre naturalmente, sem necessitar de design). É que essas coisas deixam marcas e é de esperar encontrar determinado tipo de marcas (genes homólogos dentro do mesmo organismo, por exemplo). Publiquem em revistas científicas sobre isso. Ou como disse Charles Darwin: “If it could be demonstrated that any complex organ existed which could not possibly have been formed by numerous, successive, slight modifications, my theory would absolutely break down. But I can find out no such case.” E até hoje isso mantém-se e estende-se até ao nível molecular (dentro daquilo que foi analisado).»

Criacionista: «Duvido que qualquer evidência falseie o darwinismo, neo darwinismo, evo-devo e etc…» 

Eu: «Eu acabei de lhe dizer como falsear as hipóteses sobre a evolução dos seres vivos que se baseiam em tudo isso. É verificar se o que estas prevêem que vamos encontrar está presente no genoma em causa e até dei exemplos de casos reais [nos casos que eu descrevi, ao descobrir que não havia evidência de duplicação, ou seja, homologia, essa hipótese seria descartada]. E de facto isso já foi feito e quem não concorda, que conteste e publique com base numa análise sua.»


Actualização1:

Relembrando outras conversas que tive com criacionistas relativamente ao facto deles estarem sempre a dizer que a evolução não explica o aumento de informação no genoma, eu já lhes expliquei como a selecção natural o pode fazer no sentido de aumentar a informação como definida por Shannon (e algures no outro blog eu apresentei referências bibliográficas, indicando um artigo publicado numa revista científica) e também já lhes disse que, em termos biológicos, nova informação, ou seja, novos genes apareciam por duplicação e divergência. Mas isso em nada alterou as suas crenças infundadas de que Jesus criou os genomas dos seres vivos. Pode-se passar um tarde inteira a tentar ensinar-lhes um pouco de ciência - até coisas que deveriam ser do conhecimento geral, mas não dá resultado. O máximo que se pode fazer é expor a quem ler (ou ouvir) os erros patéticos dos criacionistas).


Actualização 2:

Além de todos os outros tópicos em que os criacionistas ignoram a realidade, por mais que afirmem que a teoria da evolução é inútil e que ninguém ganha prémios por acreditar na evolução (c.), o conhecimento de que humanos, ratos e leveduras são relacionados em termos de parentesco e que a selecção natural teve um papel crucial ao preservar certos genes (genes conservados) foi fundamental para que Leland Hartwell ganhasse um Prémio Nobel em 2001 (2).
Desde quando é que as teorias criacionistas começaram a ganhar prémios Nobel ?

Referências 

1. «The mystery of extreme non-coding conservation», Nathan Harmston et al, 11 November 2013 doi:10.1098/rstb.2013.0021, Phil. Trans. R. Soc. B 19 December 2013 vol. 368no. 1632 20130021 
2. «Evolution is a Winner — for Breakthroughs and Prizes», James McCarter (disponível aqui: http://ncse.com/rncse/25/3-4/evolution-is-winner-breakthroughs-prizes)

* Notas:
a.)  Disponível aqui: http://darwinismo.wordpress.com/2013/11/16/o-rna-circular-esta-de-acordo-com-a-teoria-da-evolucao/. O indivíduo a que me referi no texto usa o nome "Jeph". 
b.)  Relativamente à questão da parcimónia, há mais pormenores, mas em nada altera o resultado para os criacionistas. Aqui está um texto que explica isso (não vou fazer o trabalho que já está feito):  http://ktreta.blogspot.pt/2011/09/parcimonia.html 
c.) Pode ser confirmado aqui: http://darwinismo.wordpress.com/2013/11/07/protegendo-a-teoria-da-evolucao/ (caixa de comentários)