sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Tretas dos cristãos (parte IV)


MAUS ARGUMENTOS A FAVOR DA EXISTÊNCIA DE DEUS (2)

Vou abordar outra vez o argumento do “fine-tuning” - que se baseia a improbabilidade de um universo como o nosso, que permite a vida como a conhecemos – o qual é usado normalmente pelo William Lane Craig. A probabilidade de um universo escolhido ao acaso (com as suas leis, constantes e condições iniciais), que permita vida é muito pequena. No entanto, além de um universo como este ter uma probabilidade igual a 1 de existir em algum lado do multiverso se existirem universos suficientes, a probabilidade de eu me encontrar num universo com vida é também igual a 1 pelo princípio antrópico. É uma espécie de selecção natural. Mas se o Craig não percebe como funciona a evolução (e ele deu mostras de não perceber num debate com o falecido Christopher Hitchens), então também nunca vai perceber isto. 


Nota: Ver também: «Stephen Hawking e a origem do universo: um universo que veio do nada» (disponível aqui: http://allthatmattersmaddy32.blogspot.pt/2013/01/stephen-hawking-e-origem-do-universo-um.html)

Ateísmo militante


Certas pessoas cometem actos públicos de protesto ou outros em nome das suas convicções em relação à religião. Aqui estão alguns exemplos: 



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sobre o ensino da evolução nos E.U.A.

Os alunos do ensino secundário do Texas (E.U.A.) vão continuar a receber informação adequada sobre a teoria da evolução e o facto da evolução em si, pois os padrões que os criacionistas conseguiram que fossem aprovados perderam a influência com uma lei de 2011 e os livros do costume não têm sofrido alteração nesse aspecto e continuam a ser aprovados. Mais uma vez os criacionistas perderam e o ensino de qualidade no que respeita à biologia continua próspero no Texas. Eu não compreendo a persistência dos criacionistas: é pouco provável que alguma vez os seus ataques ao ensino da biologia tenham sucesso, pelo que tem vindo a acontecer há já muitos anos. Um exemplo característico é o julgamento de Dover. Outros mais antigos que podem ser menos conhecidos são Epperson v. Arkansas e Edwards v. Aguillard, os quais ocorreram enquanto ainda se lutava para acabar de vez com o tratamento especial da doutrina cristã nas escolas públicas dos Estados Unidos, em 1968 e 1987, respectivamente.


Referências: 

- What’s the Future of Texas Textbook Battles?, Josh Rosenau, November 18, 2013 (NCSE) (disponível aqui: http://ncse.com/blog/2013/11/what-s-future-texas-textbook-battles-0015186)


Storm Clouds on the Horizon of Darwinism, Jeffrey F. Addicott, Ohio State Law Journal, Vol. 63:1507, 2002
(disponível aqui: http://moritzlaw.osu.edu/lawjournal/issues/volume63/number6/addicott.pdf)
 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Tretas dos teístas: Dawkins vs Chopra

Hoje vi um debate (em vídeo) muito engraçado entre Deepak Chopra e Richard Dawkins (11-9-2013). Eu descrevo-o como "muito engraçado" porque a falta de compreensão das explicações de Dawkins do Dr. Chopra, que é um criacionista de armário, é hilariante. Dá a impressão de que este nunca percebeu como funciona a evolução e que por isso não percebe nada do que o Dawkins diz. Além disto, fez uma grande confusão entre o universo e aquilo que está contido no universo, que é apenas parte dele, entre outras confusões acerca de... tudo e mais alguma coisa. 
Aqui está o vídeo do debate:



Tretas dos cristãos (parte III)

MAUS ARGUMENTOS A FAVOR DA EXISTÊNCIA DE DEUS

Há uns dias deparei-me com alguns vídeos destinados a demolir alguns argumentos cristãos. Vi os vídeos e resolvi divulgá-los no blog porque os achei bastante claros e fáceis de compreender. O primeiro é sobre o argumento do "fine-tuning" do universo  - que se baseia a improbabilidade de um universo como o nosso - e o centro da discussão é o facto do William Lane Craig ter afirmado que seria mais provável um universo de cérebros em (absurdo) do que neste universo, portanto a hipótese do "acaso" não é uma boa explicação, sendo portanto preferível a hipótese do design. Isto é claramente uma falsa dicotomia e além disso, se existirem universos suficientes no multiverso para cobrirem cada uma das possibilidades, então a existência até do universo mais raro seria possível e até inevitável, não sendo necessário invocar um designer, mesmo que as duas hipóteses consideradas por Craig fossem as únicas possíveis.  
O segundo vídeo centra-se no velho argumento dos cristão de que ao admitir as leis da lógica e da física, os ateus estão a admitir deus, pois estas só podem vir de deus. Ainda que as leis tenham sido criadas por deus, isso não resolve a questão de que um humano as possa usar ou não bem. E as leis da física são descritivas e não prescritivas (o que não significa que nós não possamos aplicar as nossas descrições de um modo prescritivo.) Quanto ás leis da lógica, estas existem porque os humanos existem e não porque deus existe. 
Aqui estão os vídeos: 






Actualização:

Para visualizar o meu comentário sobre este assunto no "Pharyngula" deve-se aceder ao seguinte endereço:


http://freethoughtblogs.com/pharyngula/2013/12/16/but-mr-craig/comment-page-1/#comment-726950.

Para visualizar o texto do Dr. P. Z. Myers («But Mr. Craig...!»):

http://freethoughtblogs.com/pharyngula/2013/12/16/but-mr-craig/comment-page-1/

Devem também ser vistas as actualizações no texto «Destruindo o argumento cosmológico (parte II)»  

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Ateísmo, Inteligência e Síndrome de Asperger

A correlação positiva muito significativa entre ateísmo e inteligência (0,60) e a constatação de que os ateus são mais inteligentes num estudo realizado com dados de 137 países (1) e noutros referentes ao mesmo assunto (2) deixa os religiosos muito aborrecidos (3).
Agora, os cristãos, andam por aí a apregoar que “muitos ateus” têm Síndrome de Asperger (*). Mas ainda que fosse verdade, não existe qualquer motivo para pensar que isso é mau. O Síndrome de Asperger traz tanto de vantagens como de desvantagens. Regra geral, uma pessoa com A. S. tem uma inteligência média ou acima da média e pode ser muito boa num determinado campo de interesse e essas pessoas ultrapassam muitas vezes os colegas na escola, tendo resultados satisfatórios em matemática e bons ou excelentes em ciências e línguas (4).
Há uns dias deparei-me com um texto na internet (*) e fiquei espantada com tantas parvoíces. Vou aqui abordar algumas.
Relativamente ao ateísmo: «(...) é normal que ele comece na adolescência, como uma projecção de problemas de relacionamento com o pai ou como consequência de Síndrome de Asperger, e depois se estenda de forma natural a fase adulta.» Compete ao autor da alegação demonstrar tal coisa ou apresentar os estudos que este afirma existirem. E não vale apresentar estudos que não demonstrem o que acabou de escrever. O facto dos ateus serem de um modo geral mais inteligentes e conseguirem distinguir as tretas que os religiosos (sobretudo os cristãos) apregoam parece-me uma explicação muito mais plausível. E sim, o ateísmo muitas vezes começa na adolescência ou na pré-adolescência, também chamada idade da razão, em que o desenvolvimento do jovem atingiu um nível em que este é capaz de aprender e raciocinar sobre o assunto. 
«O literalismo ateísta lembra sintomas da síndrome de Asperger Sheldoniana, é burro e desonesto. Então notamos dois casos de interpretação equivocada da Bíblia.» Burro é quem não enxerga o que está mesmo diante de si - os criacionistas, incluindo os criacionistas do D.I. são um bom exemplo disso porque muitos estudam ciências e biologia em especial (incluindo evolução) e continuam na mesma. Isso ou é défice cognitivo ou é viés. Quanto aos ateus, de um modo geral sabem que há interpretações alternativas à literal, mas pensam que estas em nada melhoram a situação para o cristianismo.
No que respeita às relações interpessoais, não há pior do que um criacionista fanático (e falo por experiência própria e não só), pois são conflituosos e não percebem ou não querem perceber nada do que se lhes explica, vivendo num mundo de fantasia e fundamentalismo só deles.

*Nota: disponível aqui: http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103548286498383937&postID=4302925885864508420&page=1&token=1384871751831. O autor destas parvoíces é o criacionista Francisco Tourinho (outra vez).  

Referências:

1. Lynn, Richard; John Harvey and Helmuth Nyborg (2009). "Average intelligence predicts atheism rates across 137 nations". Intelligence 37: 11–15. doi:10.1016/j.intell.2008.03.004. Retrieved 2008-06-27. (Sobre o assunto: http://en.wikipedia.org/wiki/Religiosity_and_intelligence)


3. «Atheists are more intelligent than religious people? That's ‘sciencism’ at its worst», FRANK FUREDI, Tuesday 13 August 2013

4. «Asperger syndrome» - MedlinePlus, 5/16/2012, (Jennifer K. Mannheim, ARNP, Medical Staff, Department of Psychiatry and Behavioral Health, Seattle Children's Hospital. Neil K. Kaneshiro, MD, MHA, Clinical Assistant Professor of Pediatrics, University of Washington School of Medicine, David Zieve, MD, MHA, Medical Director, A.D.A.M. Health Solutions, Ebix, Inc.) (disponível aqui: http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/001549.htm)

Literatura recomendada:

- Bostic JQ, Prince JB. Child and adolescent psychiatric disorders. In: Stern TA, Rosenbaum JF, Fava M, Biederman J, Rauch SL, eds. Massachusetts General Hospital Comprehensive Clinical Psychiatry. 1st ed. Philadelphia, Pa: Mosby Elsevier;2008:chap 69.


- Raviola G, Gosselin GJ, Walter HJ, DeMaso DR. Pervasive developmental disorders and childhood psychosis. In: Kliegman RM, Behrman RE, Jenson HB, Stanton BF, eds. Nelson Textbook of Pediatrics. 19th ed.Philadelphia, Pa: Saunders Elsevier; 2011:chap 28.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A religiosidade exacerbada dos americanos reflecte-se nos gostos musicais


Aqui e ali eu leio e ouço mexericos sobre celebridades a toda a hora – em revistas, na internet (fóruns, notícias, etc.), na rádio… Uma das coisas que eu tenho vindo a notar há muito tempo é a quantidade de críticas negativas que a cantora Beyoncé tem tido por causa da música “Ave Maria”, que apesar da influência católica na forma de expressão, não é sobre religião, mas sobre uma relação a dois e sobre os sentimentos e emoções envolvidos. Uma das razões das críticas é que esta música foi cantada no Natal e isso, segundo alguns, não é apropriado porque a música é, no fundo, sobre uma relação a dois e não sobre religião (*). Não vejo onde está o mal. O Natal é também a festa da família e é para estarmos próximos de quem gostamos no feriado e fazermos coisas juntos. Os cristãos têm que largar o literalismo bíblico se quiserem viver no mundo moderno ou não me parece que alguma vez vão estar em harmonia com aquilo que os rodeia. Têm que estar sempre do contra, porque acham que deviam viver numa teocracia como na idade média.