Certas pessoas cometem actos públicos de protesto ou outros em
nome das suas convicções em relação à religião. Aqui estão alguns exemplos:
Este blog é a continuação do meu velho blog com o mesmo título e vai tratar de assuntos diferentes, como psicologia e neurociências, mas também de evolução como anteriormente, um pouco de filosofia de vez em quando, ateísmo e religião - e isso inclui demolir argumentos criacionistas (e escarnecer deles).
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Sobre o ensino da evolução nos E.U.A.
Os alunos do ensino secundário do Texas (E.U.A.) vão continuar a receber informação adequada sobre a teoria da evolução e o facto da evolução em si, pois os padrões que os criacionistas conseguiram que fossem aprovados perderam a influência com uma lei de 2011 e os livros do costume não têm sofrido alteração nesse aspecto e continuam a ser aprovados. Mais uma vez os criacionistas perderam e o ensino de qualidade no que respeita à biologia continua próspero no Texas. Eu não compreendo a persistência dos criacionistas: é pouco provável que alguma vez os seus ataques ao ensino da biologia tenham sucesso, pelo que tem vindo a acontecer há já muitos anos. Um exemplo característico é o julgamento de Dover. Outros mais antigos que podem ser menos conhecidos são Epperson v. Arkansas e Edwards v. Aguillard, os quais ocorreram enquanto ainda se lutava para acabar de vez com o tratamento especial da doutrina cristã nas escolas públicas dos Estados Unidos, em 1968 e 1987, respectivamente.
Referências:
- What’s the Future of Texas Textbook Battles?, Josh Rosenau, November 18, 2013 (NCSE) (disponível aqui: http://ncse.com/blog/2013/11/what-s-future-texas-textbook-battles-0015186)
Referências:
- What’s the Future of Texas Textbook Battles?, Josh Rosenau, November 18, 2013 (NCSE) (disponível aqui: http://ncse.com/blog/2013/11/what-s-future-texas-textbook-battles-0015186)
- Storm Clouds on the Horizon of Darwinism, Jeffrey F. Addicott, Ohio State Law Journal, Vol. 63:1507, 2002
(disponível aqui: http://moritzlaw.osu.edu/lawjournal/issues/volume63/number6/addicott.pdf)
(disponível aqui: http://moritzlaw.osu.edu/lawjournal/issues/volume63/number6/addicott.pdf)
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Tretas dos teístas: Dawkins vs Chopra
Hoje vi um debate (em vídeo) muito engraçado entre Deepak Chopra e Richard Dawkins (11-9-2013). Eu descrevo-o como "muito engraçado" porque a falta de compreensão das explicações de Dawkins do Dr. Chopra, que é um criacionista de armário, é hilariante. Dá a impressão de que este nunca percebeu como funciona a evolução e que por isso não percebe nada do que o Dawkins diz. Além disto, fez uma grande confusão entre o universo e aquilo que está contido no universo, que é apenas parte dele, entre outras confusões acerca de... tudo e mais alguma coisa.
Aqui está o vídeo do debate:
Aqui está o vídeo do debate:
Tretas dos cristãos (parte III)
MAUS ARGUMENTOS A FAVOR DA EXISTÊNCIA DE DEUS
Há uns dias deparei-me com alguns vídeos destinados a demolir alguns argumentos cristãos. Vi os vídeos e resolvi divulgá-los no blog porque os achei bastante claros e fáceis de compreender. O primeiro é sobre o argumento do "fine-tuning" do universo - que se baseia a improbabilidade de um universo como o nosso - e o centro da discussão é o facto do William Lane Craig ter afirmado que seria mais provável um universo de cérebros em (absurdo) do que neste universo, portanto a hipótese do "acaso" não é uma boa explicação, sendo portanto preferível a hipótese do design. Isto é claramente uma falsa dicotomia e além disso, se existirem universos suficientes no multiverso para cobrirem cada uma das possibilidades, então a existência até do universo mais raro seria possível e até inevitável, não sendo necessário invocar um designer, mesmo que as duas hipóteses consideradas por Craig fossem as únicas possíveis.
O segundo vídeo centra-se no velho argumento dos cristão de que ao admitir as leis da lógica e da física, os ateus estão a admitir deus, pois estas só podem vir de deus. Ainda que as leis tenham sido criadas por deus,
isso não resolve a questão de que um humano as possa usar ou não bem. E as leis
da física são descritivas e não prescritivas (o que não significa que nós não possamos aplicar as nossas descrições de um modo prescritivo.) Quanto ás leis da lógica, estas existem porque os humanos existem e não porque deus existe.
Aqui estão os vídeos:
Actualização:
Para visualizar o meu comentário sobre este assunto no "Pharyngula" deve-se aceder ao seguinte endereço:
http://freethoughtblogs.com/pharyngula/2013/12/16/but-mr-craig/comment-page-1/#comment-726950.
Para visualizar o texto do Dr. P. Z. Myers («But Mr. Craig...!»):
http://freethoughtblogs.com/pharyngula/2013/12/16/but-mr-craig/comment-page-1/
Devem também ser vistas as actualizações no texto «Destruindo o argumento cosmológico (parte II)»
Para visualizar o meu comentário sobre este assunto no "Pharyngula" deve-se aceder ao seguinte endereço:
http://freethoughtblogs.com/pharyngula/2013/12/16/but-mr-craig/comment-page-1/#comment-726950.
Para visualizar o texto do Dr. P. Z. Myers («But Mr. Craig...!»):
http://freethoughtblogs.com/pharyngula/2013/12/16/but-mr-craig/comment-page-1/
Devem também ser vistas as actualizações no texto «Destruindo o argumento cosmológico (parte II)»
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Ateísmo, Inteligência e Síndrome de Asperger
A correlação positiva muito significativa entre ateísmo e
inteligência (0,60) e a constatação de que os ateus são mais inteligentes num
estudo realizado com dados de 137 países (1) e noutros referentes ao mesmo
assunto (2) deixa os religiosos muito aborrecidos (3).
Agora, os cristãos, andam por aí a apregoar que “muitos
ateus” têm Síndrome de Asperger (*). Mas ainda que fosse verdade, não existe
qualquer motivo para pensar que isso é mau. O Síndrome de Asperger traz tanto
de vantagens como de desvantagens. Regra geral, uma pessoa com A. S. tem uma
inteligência média ou acima da média e pode ser muito boa num determinado campo
de interesse e essas pessoas ultrapassam muitas vezes os colegas na escola,
tendo resultados satisfatórios em matemática e bons ou excelentes em ciências e
línguas (4).
Há uns dias deparei-me com um texto na internet (*) e fiquei
espantada com tantas parvoíces. Vou aqui abordar algumas.
Relativamente ao ateísmo: «(...) é normal que ele comece na
adolescência, como uma projecção de problemas de relacionamento com o pai ou
como consequência de Síndrome de Asperger, e depois se estenda de forma natural
a fase adulta.» Compete ao autor da alegação demonstrar tal coisa ou apresentar
os estudos que este afirma existirem. E não vale apresentar estudos que não
demonstrem o que acabou de escrever. O facto dos ateus serem de um modo geral mais
inteligentes e conseguirem distinguir as tretas que os religiosos (sobretudo os
cristãos) apregoam parece-me uma explicação muito mais plausível. E sim, o
ateísmo muitas vezes começa na adolescência ou na pré-adolescência, também
chamada idade da razão, em que o desenvolvimento do jovem atingiu um nível em
que este é capaz de aprender e raciocinar sobre o assunto.
«O literalismo ateísta lembra sintomas da síndrome de
Asperger Sheldoniana, é burro e desonesto. Então notamos dois casos de
interpretação equivocada da Bíblia.» Burro é quem não enxerga o que está mesmo
diante de si - os criacionistas, incluindo os criacionistas do D.I. são um bom
exemplo disso porque muitos estudam ciências e biologia em especial (incluindo
evolução) e continuam na mesma. Isso ou é défice cognitivo ou é viés. Quanto
aos ateus, de um modo geral sabem que há interpretações alternativas à literal,
mas pensam que estas em nada melhoram a situação para o cristianismo.
No que respeita às relações interpessoais, não há pior do
que um criacionista fanático (e falo por experiência própria e não só), pois
são conflituosos e não percebem ou não querem perceber nada do que se lhes
explica, vivendo num mundo de fantasia e fundamentalismo só deles.
*Nota: disponível aqui: http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6103548286498383937&postID=4302925885864508420&page=1&token=1384871751831.
O autor destas parvoíces é o criacionista Francisco Tourinho (outra vez).
Referências:
1. Lynn,
Richard; John Harvey and Helmuth Nyborg (2009). "Average
intelligence predicts atheism rates across 137 nations". Intelligence 37:
11–15. doi:10.1016/j.intell.2008.03.004. Retrieved 2008-06-27. (Sobre o
assunto: http://en.wikipedia.org/wiki/Religiosity_and_intelligence)
2. Zuckerman et al, The
Relation Between Intelligence and Religiosity A Meta-Analysis and Some Proposed
Explanations
3. «Atheists are more intelligent than religious people? That's ‘sciencism’ at its worst», FRANK FUREDI, Tuesday 13 August 2013
4. «Asperger syndrome» - MedlinePlus, 5/16/2012, (Jennifer
K. Mannheim, ARNP, Medical Staff, Department of Psychiatry and Behavioral
Health, Seattle Children's Hospital. Neil K. Kaneshiro, MD, MHA, Clinical
Assistant Professor of Pediatrics, University of Washington School of Medicine,
David Zieve, MD, MHA, Medical Director, A.D.A.M. Health Solutions, Ebix, Inc.)
(disponível aqui: http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/001549.htm)
Literatura recomendada:
- Bostic JQ, Prince JB. Child and adolescent psychiatric
disorders. In: Stern TA, Rosenbaum JF, Fava M, Biederman J, Rauch SL,
eds. Massachusetts General Hospital Comprehensive Clinical Psychiatry. 1st
ed. Philadelphia, Pa: Mosby Elsevier;2008:chap 69.
- Raviola G, Gosselin GJ, Walter HJ, DeMaso DR. Pervasive
developmental disorders and childhood psychosis. In: Kliegman RM, Behrman RE,
Jenson HB, Stanton BF, eds. Nelson Textbook of Pediatrics. 19th
ed.Philadelphia, Pa: Saunders Elsevier; 2011:chap 28.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
A religiosidade exacerbada dos americanos reflecte-se nos gostos musicais
Aqui e ali eu leio e ouço mexericos sobre celebridades a
toda a hora – em revistas, na internet (fóruns, notícias, etc.), na rádio… Uma
das coisas que eu tenho vindo a notar há muito tempo é a quantidade de críticas
negativas que a cantora Beyoncé tem tido por causa da música “Ave Maria”, que
apesar da influência católica na forma de expressão, não é sobre religião, mas
sobre uma relação a dois e sobre os sentimentos e emoções envolvidos. Uma das
razões das críticas é que esta música foi cantada no Natal e isso, segundo
alguns, não é apropriado porque a música é, no fundo, sobre uma relação a dois e
não sobre religião (*). Não vejo onde está o mal. O Natal é também a festa da
família e é para estarmos próximos de quem gostamos no feriado e fazermos
coisas juntos. Os cristãos têm que largar o literalismo bíblico se quiserem
viver no mundo moderno ou não me parece que alguma vez vão estar em harmonia
com aquilo que os rodeia. Têm que estar sempre do contra, porque acham que
deviam viver numa teocracia como na idade média.
*Nota: disponível aqui: http://forums.catholic.com/showthread.php?t=291464
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
A Origem da Homoquiralidade: a estranha história de Marcos Eberlim
[Para contextualizar, convém ler este texto: http://allthatmattersmaddy32.blogspot.pt/2012/10/a-oriem-da-homoquiralidade.html]
Existam evidências de mecanismos de síntese selectiva
relativamente á quiralidade, - catálise assimétrica, de que as polimerizações
dos primeiros aminoácidos poderiam perfeitamente ter produzido formas
enzimáticas capazes de catálise assimétrica. Relativamente á catálise
assimétrica, “níveis” de quiralidade baixos (que podem acontecer ao acaso) originam
“níveis” superiores de quiralidade. (1) Além disso, os péptidos L são mais
flexíveis a ajustes estruturais, tendo por isso mais facilidade em adaptarem-se
e a serem seleccionados – esta selecção seria análoga á selecção natural da
teoria da evolução (2).
Agora vamos fingir que o que eu mencionei anteriormente era
impossível de acontecer. Então, ficamos com uma questão por resolver: «Qual é a
origem da homoquiralidade?» E nada mais do que isso. Mas o Dr. Marcos Eberlim
parece não perceber. Para ele basta alegar (nem sequer é preciso demonstrar)
que tudo isso é impossível, pois se isso é impossível, então o responsável pela
formação de moléculas homoquirais é o deus do Marcos Eberlim. E nem sequer
repara que está a formular um argumento da ignorância do tipo: «Eu não sei o
que aconteceu, portanto o meu deus preferido entre todos os outros foi o
responsável» (3). Este criacionista disparatado já foi um cientista envolvido
em pesquisas sobre a homoquiralidade que não tinha essa atitude quando trabalhava.
Pela sua atitude relativamente á investigação nessa área (e ao seu próprio
trabalho anteriormente publicado), parece-me que deixou de ser um cientista há
muito tempo (4).
Eberlim colocou algumas questões, que há luz daquilo que
referi no início não fazem qualquer sentido: envolvem estranhos ribossomas e
DNA racémicos e o autor não parece perceber o tipo de selecção que possivelmente
actuou neste cenário (4).
Referências:
- Catálise assimétrica e o Prêmio Nobel de química 2001 – QNEsc (via “NetNature”)
- Chirality-controlled formation of ß-turn secondary structures in short peptide chains: gas-phase experiment versus quantum chemistry, V. Brenner, F. Piuzzi, I. Dimicoli, B. Tardivel, and M. Mons, Angewandte Chemie International Edition, 46, (2007) 2463. (via Cea, disponível aqui: http://iramis.cea.fr/en/Phocea/Vie_des_labos/Ast/ast.php?t=fait_marquant&id_ast=845)
- «Resposta final do Dr. Eberlin ao debate proposto por ele», 2013/04/16/ (disponível aqui: http://evolutionacademy.bio.br/2013/04/16/resposta-final-do-dr-eberlin-ao-debate-proposto-por-ele/)
- «Homoquiralidade: “ouro dos tolos” e o ónus da prova», 2013/04/10 (disponível aqui: http://www.cienciaefe.net/2013/04/homoquiralidade-ouro-dos-tolos-e-o-onus.html)
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