sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Religião: Curiosidades


Escutar conversas alheias é feio

A última mania dos Estados Unidos é escutarem as conversas dos outros: até já chegou ao Vaticano: A NSA espiou as comunicações telefónicas do Vaticano antes do conclave que elegeu o Papa Francisco.
Outra vítima da “cusquice” da NSA foi a chanceler alemã Ângela Merkel, cujo telemóvel aparece na lista de objectivos da NSA desde 2002, três anos antes de ganhar as eleições.

Referências:

- «EUA espiaram conversas no Vaticano antes da eleição do Papa Francisco», 2013-10-30 – Jornal de Notícias (disponível em: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3505880»

- «NSA garante que Obama desconhecia escutas a Merkel», 27-10-2013 - Diário Digital com Lusa (disponível aqui: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=664771)


A contestação da ressurreição é mais antiga que Jesus

A contestação da ressurreição da carne, a qual não se cinge á ressurreição de Jesus (de acordo com a fé cristã, todos hão-de ressuscitar) começou na antiguidade, sendo Platão (Atenas, 348/347 a.C.) um exemplo. Esta contestação continuou com os gnósticos, incluindo os Cátaros (politeístas dualistas que se basearam na tradição judaico-cristã), até cegar aos dias de hoje com os contestatários racionalistas, materialistas, panteístas e provavelmente deístas. 

Referências

- Maas, A. (1911). «General Resurrection», The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Retrieved November 1, 2013 (New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/12792a.htm)

- Weber, N. (1908). «Cathari» The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Retrieved November 1, 2013 (New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/03435a.htm)


Wicca: religião nova ou antiga?

Depende do ponto de vista.
A religião Wicca é caracterizada como uma religião neo-pagã, pois existe uma tentativa de reconstruir as antigas tradições pagãs. Aqui estão os vários pontos de vista em relação aos deuses abrangidos pelos que se identificam com esta religião, cujo factor comum é a integração dos conceitos de masculino e feminino como sendo centrais para a sua vivência:

- Politeísmo (apenas duas divindades): Adoração da Deusa (“Senhora”) e do seu companheiro (“Senhor”) (*a)

- Politeísmo (mais do que dois deuses): Adoração de muitos deuses antigos (também com sexo definido): Aphrodite, Artemis, Briget, Diana, Dionysius, Fergus, Hecate, Isis, Pan, Thor, entre outros (que por vezes são considerados aspectos do Deus e da Deusa) (*b)

- Ateísmo: Alguns Wiccans vêem Deus e a Deusa como símbolos e não como entidades vivas sobrenaturais, pelo que podem ser considerados ateus.

- Panteísmo: A natureza é digna de veneração (como uma entidade divina). A designação “Deusa” por vezes pode referir-se á “beleza da Terra” e à “lua branca”, o que aponta para a ideia de que, por alguns, esta não é vista como uma entidade separada da natureza.  


Os wiccans não adoptam nenhum mito da criação em particular, pelo que é possível que todos os pontos de vista sejam compatíveis com a teoria da evolução e outras teorias científicas e hipóteses sobre as origens.
Outros pontos importantes para os wiccans:

- O feminino é pelo menos tão importante como o masculino

- A importância da preservação da natureza

- Moral individualista

- Atitudes positivas relativamente á sexualidade

- A passagem das estações


Esta religião não aparece discriminada no gráfico relativo às preferências religiosas a nível mundial, provavelmente porque tem poucos adeptos a nível global (apesar de estar em crescimento nos E.U.A.), para além de que os Wiccans gostam de manter a sua religião em privado. No entanto, os seus seguidores podem estar incluídos no sector “outras religiões” ou até mesmo nos “não-religiosos”, uma vez que os wiccan são normalmente discretos.
Mais informações sobre esta religião podem ser encontradas aqui: http://www.thewiccanway.org/index.html

*Notas.
a.) Pode-se considerar ainda o monoteísmo, no entanto não considero a distinção relevante porque na prática continua a existir uma dualidade sexual - uma “parte” feminina e uma “parte” masculina, ainda que possam ser considerados “aspectos de um só” e a interpretação pode ser também a união sexual e não um deus único.

b.) As palavras “Deus” e “Deusa” estão escritas com iniciais maiúsculas, apenas por ser prático para os distinguir, como se fossem os seus nomes, visto que não tenho alternativas úteis e não por ter mais respeito pela crença em deuses dos seguidores desta religião do que pela crença no deus judaico-cristão.

Referências:

- Robinson, B. A., «Wicca: An Introduction», 31/01/2012 (disponível aqui: http://www.religioustolerance.org/wic_intr.htm)

- «The Global Religious Landscape», DECEMBER 18, 2012 – PewReasearch (disponível aqui: http://www.iup.edu/page.aspx?id=11805)

- «What is Wicca?» (disponível aqui: http://www.thewiccanway.org/What.html)

- «The Book of Shadows - Charge of the Goddess» (disponível aqui: http://www.thewiccanway.org/chargeofgoddess.html

Evolução humana: o ataque à ciência continua

Um estudo publicado recentemente este ano (1) relata a descoberta de um novo fóssil com 1,8 milhões de anos na Geórgia (o “crânio 5”), que é provável pertencer a uma subespécie de Homo erectus e à mesma espécie de outros encontrados no mesmo local. É uma espécie que se diversificou, havendo bastante variabilidade entre os seus indivíduos, o que põe em causa a classificação de outros fósseis em espécies diferentes, como por exemplo a espécie Homo habilis (*).
A interpretação correcta do que se lê acerca do assunto é a seguinte: sejam todos os fósseis classificados dentro do género Homo da mesma espécie (pouco provável) ou não, os fósseis de espécies dos géneros Australopithecus e Homo continuam a evidenciar a evolução a partir de um ancestral mais semelhante a um chimpanzé ou um bonobo até ao que somos agora. O artigo trata de detalhes específicos da evolução humana e põe em causa hipóteses muito particulares acerca da nossa história evolutiva e não a hipótese de que nós evoluímos de ancestrais mais parecidos com outras espécies actuais de primatas do que connosco, o que nos liga a estes através de uma coisa chamada ancestralidade comum.
A interpretação criacionista acerca do que se lê sobre o assunto é a seguinte: “A teoria da evolução é a única teoria ‘científica’ que sofre modificações profundas à medida que a ciência vai avançando.” Ou então: “Há mais de dez anos que tenho ouvido os criacionistas dizerem que o género homo não passa de uma variação dentro da espécie humana. Os evolucionistas descobriram algo que todos os criacionistas já sabiam.” Isto parece implicar que eles pensam que tudo o que pertence ao género homo é da mesma espécie que nós (Homo sapiens), o que está completamente errado: são espécies diferentes do mesmo género e o registo fóssil continua a demonstrar que não passamos de primatas (macacos, por assim dizer), mas mais inteligentes do que os restantes (pelo menos alguns de nós, o que não inclui os criacionistas). Como sempre, os criacionistas aproveitaram para espalhar enganos e mentiras, atacando a ciência e os cientistas. Ainda não aprenderam que isso não lhes serve de nada – os cientistas continuam a fazer ciência e nada muda relativamente à realidade da evolução.  

* Nota: Sobre este assunto, além do artigo científico citado, existe informação fidedigna para o público leigo no «Panda’s Thumb»: http://pandasthumb.org/archives/2013/10/new-dmanisi-skull.html


Referências:

1. Lordkipanidze D, Ponce de Leon M. S., Margvelashvili A., Rak Y., Rightmire G.P., Vekua A., Zollikofer C. P. E. (2013): A complete skull from Dmanisi, Georgia, and the evolutionary biology of early Homo. Science, 342:326. (resumo disponível aqui: http://www.sciencemag.org/content/342/6156/326.abstract)

2. «Darwinismo» - "Crânio com 1,8 milhões de anos põe em causa história da evolução humana"

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ciência e religião: o que dizem as estatísticas (parte II)


Estudos mostram que entre 80 e 83% da população dos estados unidos em geral acreditava num deus pessoal (que faz milagres/atende orações) e que 57% eram a favor do dia nacional da oração em 2010.
Em contraste com a grande percentagem de crentes zombies no geral da população, apenas 40% dos cientistas acredita num deus pessoal. Isso significa que uma maioria de 60% dos cientistas não acredita num deus pessoal, ou seja, são ateus na prática. É uma grande discrepância e posso apontar uma razão para essa discrepância: os cientistas são os que mais contactam com a investigação em torno da origem e evolução da vida e da origem do universo/multiverso em que vivemos e desenvolvem muito mais o seu espírito crítico, o que é muito importante quando se trata de contestar a religião que predomina na sociedade em que se vive.  
As estatísticas voltam a mostrar-nos que nos meios mais esclarecidos em termos científicos, as pessoas tendem a descrer num deus pessoal. E isso é bom.

Referências:

- E.J. Larson and L. Witham, «Scientists are still keeping the faith», Nature 386 (3 April 1997), 435-436. (sobre este artigo: http://www.mat.univie.ac.at/~neum/sciandf/contrib/clari.txt)

- «Most Americans Believe in Higher Power, Poll Finds», Jacqueline L. Salmon, Washington Post, Tuesday, June 24, 2008; Page A02 (disponível aqui: http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/story/2008/06/23/ST2008062300818.html)


- «Poll: 83% say God answers prayers, 57% favor National Prayer Day». Cathy Lynn Grossman, USA TODAY, 5/4/2010 (disponível aqui: http://usatoday30.usatoday.com/news/religion/2010-05-05-prayer05_ST_N.htm)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Antony Flew: do ateísmo ao deísmo (e não ao cristianismo)

Os cristãos em geral adoram mencionar Antony Flew como um “ateu famoso que agora acredita em deus” (agora, como quem diz entre 2004 e 2010, ano em que morreu com 87 anos). Esquecem-se normalmente de mencionar é que este filósofo não acreditava no deus do cristianismo ou de qualquer outra religião.
Antony flew era deísta. O deus em que ele acreditava não era o deus dos cristãos (nem sequer de qualquer outra religião).
Flew acreditava num deus que iniciou o universo e de algum modo programou o começo da vida na Terra (embora reconhecendo mais tarde que houve progresso na investigação sobre a origem natural da vida). Estas afirmações de Flew são também bastante conhecidas: "I'm quite happy to believe in an inoffensive inactive god.", "I'm thinking of a God very different from the God of the Christian and far and away from the God of Islam, because both are depicted as omnipotent Oriental despots, cosmic Saddam Husseins". Quando disse isto, Flew já não era ateu e já tinha escrito o livro onde se retratou e se afirmou como deísta (*). No mesmo período rejeitava as ideias de uma vida após a morte, de deus como a fonte do bem (ele afirmava explicitamente que deus criou "montes de" maldade), e da ressurreição de Jesus como fato histórico, embora tenha permitido um capítulo curto com argumentação a favor da ressurreição de Cristo no seu último livro.
Um deus que apenas criou o universo e deixou-se ficar quieto o resto do tempo nada tem a ver com o deus da Bíblia (ou de qualquer outro "livro sagrado" do tipo. É de notar ainda que um deísta como Antony Flew na prática é um ateu, pois não reza, não frequenta a igreja, não acredita na ressurreição nem na revelação de deus ao ser humano.
Outro caso semelhante é o de Peter Hitchens que, apesar de considerar o cristianismo importante em termos morais é agnóstico, embora mais disposto a acreditar em deus do que a não acreditar, mas continua a ser uma referência quando se trata de "ateus convertidos", embora não seja claramente um teísta convicto. Tenho a certeza de que há melhores exemplos. Talvez seja só porque é irmão do Christopher Hitchens e isso faz a história mais interessante. 

*Nota: o Título do livro em Inglês é “ There is a God” e está disponível uma tradução aqui: http://www.scribd.com/embeds/8741262/content?start_page=1

Referências:


- «My Pilgrimage from Atheism to Theism: an Exclusive Interview with Former British Atheist Professor Antony Flew Gary R. Habermas, Philosophia Christi Vol. 6, No. 2 (Winter 2004).» (disponível aqui: http://www.deism.com/antony_flew_Deism_interview.pdf) [no título a posição de Flew está mal representada – ele não era teísta]


- «How I found God and peace with my atheist brother: PETER HITCHENS traces his journey back to Christianity», 16 December 2011 
(disponível aqui: http://www.dailymail.co.uk/news/article-1255983/How-I-God-peace-atheist-brother-PETER-HITCHENS-traces-journey-Christianity.html)

Actualização: mais referências:

- No longer atheist, Flew stands by "Presumption of Atheism" DUNCAN CRARY - Humanist Network News, Dec. 22, 2004 (disponível aqui: http://www.americanhumanist.org/hnn/archives/?id=172&article=0) 

- Atheist Philosopher, 81, Now Believes in God, Richard N. Ostling. Associated Press, 10 December 2004. (disponível aqui: http://www.mail-archive.com/media-dakwah@yahoogroups.com/msg01064.html)

O legado de Ernst Haeckel

No texto que anteriormente abordou a questão dos embriões de Haeckel, eu referi que Haeckel se enganou e corrigiu o seu erro, não tendo cometido nenhuma fraude. Haeckel podia estar errado relativamente à hipótese da recapitulação, mas a verdade é que as semelhanças entre, por exemplo, os embriões dos vertebrados (existe um estádio filotípico conservado) apoiam a hipótese da sua ancestralidade comum, bem como as semelhanças entre os embriões em vários estádios de desenvolvimento e as formas ancestrais da espécie em questão (por exemplo, nos cavalos dedos extra estão presentes á semelhança dos seus antepassados), mas não existe uma recapitulação completa, apenas em algumas estruturas em particular, pelo que embora a expressão “ontogeny recapitulates phylogeny” na generalidade esteja errada, Haeckel acertou em parte.
Tanto Haeckel como Darwin propuseram uma origem química da vida e de facto é nessa direcção que os estudos da origem da vida têm sido desenvolvidos. Haeckel é também o responsável pela teoria colonial sobre a origem da multicelularidade – a qual ainda hoje é aceite como uma boa explicação, por um sistema de classificação que tem em conta as relações evolutivas entre os seres vivos e por conceitos como ecologia,  filo, filogenia e reino protista.
Ernst Haeckel escreveu o livro "Os Enigmas do Universo", no qual ele apresenta as suas opiniões científicas sobre o sistema de classificação e a sua hipótese sobre a origem da vida. Para além disto, expõe nessa obra a guerra entre a religião e a ciência, durante a qual o cristianismo se opôs ao avanço da ciência, facto que a maioria dos defensores dessa religião nega a pés juntos. Nesta obra, como disse o Corvo num comentário ao texto “As não-fraudes da evolução (Adenda)”, Haeckel «expõe de forma brilhante e clara a marcha triunfal do materialismo das ciências naturais». No começo do capítulo “Knowledge and Belief”, página 251 do livro (*) lê-se o seguinte: «A verdadeira revelação […] deve ser procurada apenas na natureza. A rica herança da verdade é derivada exclusivamente das experiências adquiridas no estudo da natureza e das conclusões racionais que foram alcançadas pela associação correcta das observações empíricas. Todo o Homem inteligente […] encontra esta verdadeira revelação na natureza através do seu estudo imparcial e assim liberta-se da superstição com a qual as “revelações” da religião o sobrecarregaram»  

Agradecimentos:



Perguntas sobre evolução

À medida que vou tendo conversas na internet, vão-me sendo feitas perguntas a respeito dos tópicos de genética e evolução, entre outros. As últimas que me fizeram foram estas*:

1.) P. «Se os seres humanos e os chimpanzés fossem realmente diferentes em apenas 1% a nível genético, porque razão isso havia de demonstrar uma ascendência comum? Poderíamos razoavelmente perguntar ao evolucionista porque razão uma diferença de 1% é considerada evidência poderosa para a evolução darwinista, e a que ponto é que a comparação deixaria de apoiar a evolução darwinista? Que tal uma diferença de 2%? 3%? 5%? 10%? Existe aqui alguma métrica objetiva de falseabilidade (sic)?» 
R. Isto não foi uma pergunta foi um batalhão delas. A semelhança genética é um bom indicador de parentesco e tal como era de esperar numa perspectiva evolutiva, a semelhança entre estas duas espécies em geral é maior do que entre o humano e a baleia, por exemplo, apresentamndo grande percentagem de homologia relativamente ao genoma. Acho que isto responde às perguntas, pois descreve (ainda que de modo simplista) o modo como se pensa na biologia evolutiva.

2.) P. «É totalmente natural e lógico que se todas as coisas foram criadas por um Design (sic), elas terão semelhanças e terão os mesmos padrões, qual o problema com isso?»  
R. A esta pergunta eu respondi com outra pergunta, que nunca foi respondida: “Está a insinuar que o seu designer misterioso imita processos naturais e padrões de semelhanças e diferenças resultantes da evolução?”. Agora, sobre hipóteses como essa, ou seja não testáveis, os leitores deste blog (e do anterior) já sabem o que acontece. O lugar do lixo é no lixo.  

O criacionista que me perguntou isto foi o autor da grande confusão sobre o genoma humano que eu penso que consegui desfazer - nada mais, nada menos do que o Francisco Tourinho que agora diz que não nega a evolução mas que acha que estruturas/sistemas irredutivelmente complexos foram obra do seu deus. Santa ignorância.  



domingo, 27 de outubro de 2013

As não-fraudes da evolução (Adenda)

Este texto é uma adenda ao texto que escrevi há umas semanas sobre várias acusações de fraude feitas pelos fundamentalistas religiosos relativos a evidências relativas á história evolutiva de várias espécies incluindo a espécie humana. O texto pode ser encontrado aqui: http://allthatmattersmaddy32b.blogspot.com/2013/10/as-nao-fraudes-da-evolucao.html

Relativamente ao primeiro tópico, os desenhos de Haeckel, eu escrevi o seguinte:

«Haeckel exagerou na representação de algumas das semelhanças presentes em vários embriões que foram comparados por ele num dos seus livros. Mas as semelhanças estavam lá, apenas foram um pouco retocadas nos desenhos do Haeckel. E não em todos nem sequer na maioria. Isso não é fraude. Se eu fizer um desenho daquilo que observo, por exemplo, ao microscópio nunca vais ser igualzinho ao que lá está. Nem se pode dizer que tenha sido feito de propósito para convencer os seus pares de que estes eram parecidos do que na realidade eram, pois os seus outros desenhos que não estavam exagerados já tinham sido vistos pelos seus pares e não seria provável que conseguisse enganar alguém dessa maneira. Mais uma vez, não é uma fraude, é apenas uma representação pouco precisa da realidade que teve muito pouco impacto no consenso científico.» Agora quero fazer uma actualização: para fazer o desenho dos embriões de várias espécies distintas no qual este retocou e exagerou nas semelhanças (que de facto eram muitas) no início do desenvolvimento, Haeckel usou a mesma xilogravura 3 vezes para representar 3 embriões diferentes - o do cão, o da tartaruga e o da galinha. É daí que provém o exagero nas semelhanças entre os embriões. Isto foi claramente um erro e não uma fraude. Quando foi chamado á atenção, Haeckel corrigiu o desenho imediatamente, o que apoia ainda mais a ideia de que Haeckel não cometeu nenhuma fraude. E não vale de nada espancar-lhe os ossos.


Ref.:


Richards, R. J. 2009. Haeckel’s embryos: Fraud not proven. Biology and Philosophy 24:147-154. (http://philpapers.org/rec/RICHEF) (Via “Why evolution is true”)